A infidelidade masculina contada por sete homens, com um machismo que pretende ridicularizar-se a si mesmo. Nomes franceses sonantes desde O Artista, Michel Hazanavicius e Jean Dujardin compõem o leque de realizadores, e o segundo é também um dos protagonistas de Descaradamente Infiéis, que chega hoje aos cinemas portugueses.

Já antes de O Artista, Hazanavicius e Dujardin serem premiados nos Óscares deste ano, Descaradamente Infiéis tinha causado polémica, pelo famoso cartaz do actor entre as pernas de uma mulher, com uns célebres sapatos vermelhos. Certo é que o poster já fazia adivinhar que, mais do que o machismo de que tanto se falou, o filme iria trazer, acima de tudo, muitas gargalhadas.

Diversas histórias de homens infiéis, contadas na perspectiva de sete realizadores – Jean Dujardin, Gilles Lellouche, Emmanuelle Bercot, Fred Cavayé, Eric Lartigau, Alexandre Courtès e Michel Hazanavicius – é o que se pretende fazer, tudo através de dois charmosos actores – Jean Dujardin e  Gilles Lellouche (Pequenas Mentiras entre Amigos) – a protagonizar a maioria das pequenas histórias. Este elemento comum confere uma certa familiaridade ao público, criando um elo de ligação entre as diversas “infidelidades”, ainda que em personagens diferentes. 

Fred, Olivier, François, Laurent, James (Jean Dujardin) e Greg, Nicolas, Bernard, Antoine e Eric (Gilles Lellouche) são os infiéis de serviço neste filme. A poligamia é-lhes “inevitável” apesar de parecerem acreditar no amor. São eles os protagonistas dos cinco casos que nos são contados, sempre com momentos bastante caricatos. Aos cinco principais, juntam-se ainda três pequenos momentos de grande comédia, que surgem numa espécie de “intervalo”.

Nem o argumento é original nem a ideia é nova, mas os sete realizadores sabem desenvolvê-los na perfeição, com ritmo e sem nunca se perder a unidade do filme. Acima de tudo, Descaradamente Infiéis faz-nos rir como a maioria das comédias não conseguem fazer.

O filme começa e finda com os mesmos personagens, os dois amigos mulherengos casados, que se encobrem mutuamente, e é-nos interessante conhecer o caricato desfecho dos primeiros personagens que nos foram apresentados. Quanto aos restantes, conhecemos infiéis com maior ou menor sucesso, com mais ou menos desgostos, nas mais variadas situações.

Apesar dos infiéis caírem no ridículo na maioria das histórias, o certo é que esta espécie de ridicularização do machismo, quase autoproclamada, está longe de o ser na totalidade. Há, pelo menos em dois momentos, quase uma obrigação de sentir pena da personagem infiel. O caso de Eric e Inès é onde isso mais se faz sentir e tal faz com que Descaradamente Infiéis seja, no fundo, um filme algo machista. 

Quem merece destaque são os protagonistas Jean Dujardin e Gilles Lellouche, dois franceses à beira dos 40 e cheios de charme, que encaixam perfeitamente em todos os papéis que encarnam neste filme. Depois de O Artista, Dujardin continua a transpirar elegância e mostra aos que ainda não o conheciam antes do filme “mudo” como é bom a fazer comédia.

Descaradamente Infiéis não nos traz nada de novo, mas proporciona-nos cerca de duas horas de gargalhadas, cor e diversão. É um filme que pretende, mais do que qualquer coisa, brincar com a infidelidade e encher os espectadores de boa disposição.

6/10

Ficha Técnica:

Título Original: Les Infidèles

Realizadores: Jean Dujardin, Gilles Lellouche, Emmanuelle Bercot, Fred Cavayé, Eric Lartigau, Alexandre Courtès e Michel Hazanavicius

Argumento: Nicolas Bedos, Philippe Caverivière, Jean Dujardin, Stéphane Joly e Gilles Lellouche

Elenco: Jean Dujardin e Gilles Lellouche

Género: Comédia

Duração: 109 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.