Tiago Perdigão é um jovem natural do Porto com 28 anos. Criou o Itiago defendendo que, mais do que um projeto, é um modo de vida. É licenciado em Comunicação Social e tem uma vasta experiência em áreas como a música, a fotografia, a produção de vídeos e o design. O Espalha-Factos entrevista-o nesta que é a primeira edição da rubrica Ultrapassar a Linha, sobre novos projetos nacionais.

Catarina Veiga [C.V.] – Em que consiste o Itiago?

Tiago Perdigão [T.P.] – Como eu sou um rapaz novo, que faz muitas coisas em muitas áreas, resolvi reunir tudo no meu site, que é o ITiago. Vai desde a fotografia, ao vídeo, ao tratamento de imagens em Photoshop, músicas… Claro que umas coisas são melhores, outras são uma grande porcaria…  São experiências. Basicamente é reunir aquilo que gosto de fazer e tentar mostrar isso no mercado de trabalho.

C.V. – O que tens de diferente para oferecer ao mercado?

T.P. – Tenho um pensamento muito “out of the box”. Há pouco tempo mandei um currículo para uma empresa e pediam fotografia. Enviei a que tenho neste momento no Facebook, em que estou de pijama mas sem corpo. Foi tudo feito através de edição no Photoshop. Eles vão rir-se, muito provavelmente, e se calhar nem vão dizer nada. Já estou farto de enviar currículos certinhos e direitinhos que também não servem de nada.

C.V. – Porque é que decidiste aliar várias vertentes culturais?

T.P. – Porque não consigo fazer só uma coisa. Trabalho desde os 16 anos e quando são empresas com trabalhos repetitivos e monótonos não me sinto bem! Preciso de extravasar a minha criatividade de alguma forma. Quando trabalhei na Zara Home, tinha que fazer a marcação de produtos no BackOffice e começava a fazer desenhos e a pintar tudo, até que me proibiram de fazer isso.

C.V. – E quando apresentas o teu trabalho costumas receber críticas negativas?

T.P. – Ainda não apresentei muito o meu trabalho, não tenho muito o intuito de ganhar dinheiro. É mais numa onda de diversão. Se calhar, em termos de mercado de trabalho, deveria pegar num projeto e chegar a uma empresa e dizer “eu sei fazer isto e vou ajudar a sua empresa!”. Já usei essa abordagem duas vezes e não correu bem como eu queria. Uma delas foi uma proposta a várias imobiliárias, que consistia em fazer vídeos das casas para pôr na Internet. Um dos responsáveis até me deu os parabéns mas disse que preferiam falar com os clientes.

C.V – Além das vertentes que o projeto Itiago engloba, estás ligado também à pintura, à poesia e ao teatro. Consideras-te um homem das artes?

T.P. – Sem dúvida! Considero-me um iluminista! (Risos)

C.V. – E qual foi o teu último trabalho?

T.P – Ontem fotografei nuvens em stop-motion! Foram cerca de 200 fotografias. Ainda não pus no Youtube mas vai para lá em breve.

C.V. – E costumas ter problemas de falta de criatividade?

T.P. – É raro ter bloqueios! Mais rapidamente isso acontece numa sala de aula em que um professor pede para fazer algo. Mas como normalmente trabalho sozinho, a maior parte das vezes não há limite, e por isso não me sinto bloqueado, de maneira nenhuma.

C.V.Já tens algum novo trabalho em mente?

T.P. – Não penso muito nisso! Tenho muitas ideias todos os dias, vou tendo ideias e anoto. Estou constantemente a apontar coisas, algumas que nem sequer volto a ler, outras que leio uma segunda vez e já não acho piada. E depois há as que concretizo.

C.V. –Achas que o teu projecto pode ser uma mais-valia para a cultura, mesmo com os cortes nos apoios?

T.P. – Não estou à espera que me dêem algo pelo meu trabalho. Gostava de poder ganhar com ele, mas não estou à espera de ajudas de subsídios. Já trabalhei em muita coisa e sei que, se queremos algo, temos de lutar por isso. Em termos de cultura… não sou grande fã de cultura, porque normalmente quando se fala em cultura é assim uma coisa um bocado pesada, um pouco snob. Se bem que nem toda a cultura é assim. Mas eu gosto de coisas muito mais alegres, que tenham um conceito engraçado e que provoquem um “click” na cabeça das pessoas. Não gosto de telejornais, por exemplo. Também não gosto de fazer trabalhos que sejam campanhas contra algo, porque qualquer coisa que seja contra é sempre o inicio de mais uma guerra e eu não gosto disso.

C.V. – Então como classificarias o teu trabalho?

T.P. – É algo mais humanista porque procuro chegar a pessoas, pensamentos, ideias e extravasões e não tanto a questões sociais. Acredito que somos todos diferentes e que cada vez menos há uma massa cultural.

C.V. – O ITiago é Sustentável?

T.P. –  Neste momento não é. Todo o material que tenho foi um investimento meu que ainda não teve retorno.

C.V – O que fazer para mudar isso?

T.P – Agora ando na onda dos tutoriais. Fiz o meu primeiro tutorial em que apareço na semana passada. Gosto muito disso, porque posso dar por exemplo a uma empresa que tenha material e que o queira vender, posso fazer reviews de material ou apresenta-lo, de uma forma muito descontraída. Nada de coisas sérias!

httpv://www.youtube.com/watch?v=qVJSSHnn8Ac&feature=plcp&context=C47cd0e6VDvjVQa1PpcFNrw019CKqMFmY9H4EFKa5S_14IO6Zs1Ps%3D

C.V. – Qual o teu trabalho favorito?

T.P. – Eu gosto muito de vários trabalhos. Tanto das fotografias que tirei às M&M, que são os meus peixinhos, como de filmar o Afonso Bastos, um grande amigo, em sessões fotográficas. Fiz também um videoclip para uma banda que adorei.

C.V. – Qual a vertente a que dedicas mais tempo e que te dá mais prazer?

T.P. – Neste momento é a fotografia e o vídeo… A imagem!

C.V – Define o Itiago numa frase.

T.P – “Porque não?”