DIA 1 – 26 DE ABRIL

A nona edição do Indie Lisboa abriu oficialmente no Cinema S. Jorge com a exibição do filme Dark Horse – Diário de um Falhado de Todd Solondz. Os funis humanos que se formaram nas portas da Sala Manoel de Oliveira confirmavam uma sala lotada. Quem não teve oportunidade de estar presente na abertura do festival terá de esperar por 7 de Junho, dia em que Dark Horse estreia no circuito cinematográfico português.

DARK HORSE – 6,5/10*

Dark Horse de Todd Solondz é um filme que deixa o espectador no abismo da dúvida face ao gostar ou não. Conta a história de Abe, um trintão que falha todas as possíveis conquistas da sua vida. Um romance sem pés nem cabeça, uma família aparentemente funcional e algumas obsessões são os pilares da ação do filme. Por vezes, a película tenta entrar no domínio das emoções e do sensível, mas passa completamente ao lado do seu objetivo. O humor e algumas situações nonsense acabam por salvar a honra de Dark Horse. A única certeza que se leva para casa: deu para divertir.

DIA 2 – 27 DE ABRIL

A Culturgest estava cheia, não fosse sexta-feira e dia de estreia nacional do Urso de Ouro português de João Salaviza. Rafa dançará com Nana de Valérie Massadian nas salas portuguesas a partir de 10 de maio. Os dois realizadores marcaram presença na estreia em Portugal dos seus filmes, subindo ao palco do Grande Auditório e falando um pouco sobre os seus trabalhos. Outra das novidades anunciadas é a edição, também para o próximo mês, de um DVD com as curtas metragens Arena, Cerro Negro e Rafa de Salaviza.

RAFA – 7,5/10*

A assinatura de João Salaviza é notória, mas Rafa dificilmente deixa o espectador satisfeito. A sinopse do filme adianta tudo aquilo que se passará: Rafa descobre que a mãe está presa e vem ter com ela à esquadra da polícia. O dia vai passando e Rafa não consegue voltar para casa. Para além disso, não há nada na ação do filme que nos consiga cativar. Ainda assim pode destacar-se em Rafa uma exatidão a filmar que torna a curta metragem sólida a este nível e que consegue captar a atenção ao longo do filme. Salaviza sabe jogar com a luz natural e aproveitar o contraste luz/sombra bem como criar alguns planos inesperados neste seu novo trabalho.

NANA – 8/10*

A personagem principal do filme é Nana, uma menina que vive no campo com a sua mãe. Até que um dia volta a casa e não a encontra. Os traços de personalidade que se destacam nesta menina de quatro anos são a sua independência e capacidade rápida de aprendizagem. Quase num registo de documentário, o filme consegue agarrar pela sua beleza visual conseguida através de planos variados e originais e pela naturalidade de uma criança que está a crescer e a adquirir as suas bases enquanto pessoa. O que surpreende em Nana é a subtileza como a temática da perda humana é inserida. Um filme sobre a beleza da ingenuidade própria da idade face a um mundo recheado de complicações bem como sobre a capacidade de adaptação humana às adversidades.

*Informação: O Espalha-Factos desenvolverá críticas desenvolvidas aos filmes marcados com * aquando da sua estreia no circuito comercial, próximo das datas acima indicadas.