Nuno Marinho é músico e compositor. Tirou o curso de Direito em Coimbra mas cedo se apercebeu que não era aquilo que o fazia feliz. Em 2009, juntou-se a uns amigos e formaram o quarteto de jazz Drop da Bop. Nuno toca guitarra e é o compositor dos originais da banda. O Espalha-Factos esteve à conversa com o músico antes do concerto dos Drop da Bop no Roterdão Club, a semana passada.

Espalha-Factos [E.F] : Como se juntaram os Drop da Bop?

Nuno Marinho [N.M]: É recuar dois ou três anos. Fomos quase todos alunos da escola do Hot Cub de Portugal, fomos convidados para representar a escola num evento de Natal no Museu da Água e começámos a tocar uns temas para fazer esse concerto. E aquilo correu muito bem, divertimo-nos imenso, boa onda entre os quatro. Decidimos juntar-nos e fazer algo mais. Passados uns meses, o Augusto e o André, baixista e baterista, desafiaram-me a apresentar os meus temas. O André em particular já conhecia alguns, porque já tinha tocado comigo há mais tempo, o Augusto já conhecia um ou outro. E disseram-me: “traz os teus temas, vamos começar a tocar outras coisas”, e de repente só tocamos originais, temas que eu componho. Foi assim que a coisa despertou.

E.F : De onde vêm as inspirações?

N.M: Na verdade, quando comecei a tocar guitarra, comecei a escrever música. Foi assim que comecei a aprender realmente a escrever. Eu tenho o curso de Direito, fui advogado durante uns anos. Sempre gostei de escrever, sempre escrevi. E o que eu faço normalmente e naturalmente é ter uma certa ideia do ponto de vista emocional, sentimental, qualquer lembrança que tenha, e escrevo um texto e o texto desenvolve-se para uma música. Ou ao contrário: eu tenho uma ideia musical que depois associo a um texto que já escrevi. Mas passa tudo por coisas que tenho cá dentro, bem ou mal resolvidas. São experiências de vida que “vêm cá a cima”.

E.F: Como surge o nome Drop da Bop?

N.M: Nós em 2010 participámos no Cool Jazz Talent, um festival em Cascais. Ficámos em segundo lugar, quase quase em primeiro, e houve malta do júri que veio ter connosco: “vocês mereciam ter ganho” [risos]. Nós, na verdade, até essa altura andávamos a apresentar-nos como Marinho Quarteto ou qualquer coisa do género, porque eu era o compositor e no jazz há essa formalidade do líder da banda apresentar o nome. Mas como era um concurso, queríamos transmitir uma certa imagem e pensámos num nome. O André lembrou-se que há uma música do Roy Hargrove que é Bop Drop e eu lembrei-me de inverter. Porque não Drop da Bop e fazer o trocadilho do D-A em vez do THE? Drop da Bop, até porque isso tem a ver com a nossa identidade musical. Tem a ver com o facto de o jazz, na sua raiz, ter uma vertente do be bop, que é aquele swing muito rápido e enérgico, mas isso tem 60 anos e nós já não fazemos isso. Misturamos um bocadinho com o funk e com o rock até. Acho que era o nome ideal, drop da bop, mete um bocadinho o be bop, aquele swing muito rápido, um bocadinho de lado e fazemos outras coisas… mais vanguardistas.

E.F : Para além da música, têm outra atividade profissional?

N.M: Eu agora sou músico profissional, deixei a advocacia. O Diogo, o pianista, é músico profissional desde que… desde que nasceu, quase. O André está a acabar o mestrado de arquitetura mas também ganha a vida como músico e o Augusto trabalha numa empresa e é baixista nas horas vagas.

E.F: E onde costumam atuar, em que tipo de locais?

N.M: Já tocámos em quase todo o tipo de contextos: em festas particulares, em clubs de jazz, em festivais ao ar livre, em concursos como o Cool Jazz. Já passámos por algumas salas do jazz. Em Olhão, o Cantalupe Bar, pelo Contrabaixo Bar na Praia de Mira, o Chapitô aqui em Lisboa, o Roterdão, o WindSurf em Carcavelos, o Vynil, que é um bar no edifício da orquestra metropolitana.

E.F :  Um momento ou um concerto que te tenha marcado…

N.M: O primeiro foi um marco, no Museu da Água, também porque o Museu da Água é um sitio mítico. Também tocámos no Museu da Música, no dia Mundial da Música  – também foi bastante simbóico. O Cooljazz, pela participação e pela conquista 2º lugar. Destaco estes três, foram os mais imponentes.

E.F :  Quais são os planos para o futuro?

N.M: Os originais vão surgindo. Como sou eu o compositor não tenho nada programado, quando acontece escrevo. Os concertos também vão surgindo e vamos cada vez mais decorando os bons concertos e aqueles em que podemos chamar público e cativar as pessoas. Decididamente, o passo que queremos e vamos dar é gravar. Já andamos a pensar nisso há algum tempo. As condições musicais estão todas reunidas e é só fazer.

E.F: Ainda este ano?

N.M: Provavelmente ainda este ano, provavelmente sim.

Fotos de: Hugo Bastos