Temos um poster bonito, uma premissa interessante, um realizador de peso e um elenco de luxo. Funciona? Sim, mas não é suficiente.

Um grupo de britânicos reformados tem como destino a exótica Índia, em busca de algo diferente que os faça esquecer os seus problemas e a sua aborrecida rotina. Contrariamente ao que esperavam, o prometido hotel para a terceira idade não apresenta remodelações recentes, pelo contrário, as suas condições não são, de todo, as mais favoráveis.

Evelyn (Judi Dench), uma dona de casa recém-viúva, vê-se obrigada a vender a sua habitação como tentativa de saldar as dívidas do marido e parte em viagem após a insistência do filho. Douglas (Bill Nighy) e Jean (Penelope Wilton) estão casados há 39 anos e, falidos, sem posses para mais, tentam uma nova vida na económica Índia. Muriel (Maggie Smith) é uma velha rabugenta, amarga e racista e encontra-se necessitada de uma operação à anca, que, num curto prazo de tempo, apenas pode ser realizada na Índia. Graham (Tom Wilkinson) é um juiz que há muito tem adiado o seu aposentamento, até que, certo dia, decide regressar ao país onde cresceu até aos 18 anos. Norman (Ronald Pickup) é um eterno mulherengo, com sérias dificuldades em encarar a sua idade, e a Índia é o seu novo rumo. Madge (Celia Imrie) é uma vítima de vários casamentos falhados e, tal como Norman, decide tentar a sua sorte por terras desconhecidas. Todos eles vão parar ao hotel de Sonny, a personagem de Dev Patel – que se tornou mundialmente célebre após Quem Quer Ser Bilionário?. 

O argumento, baseado na obra original de Deborah Moggach, é bastante interessante e sabemos que dali pode resultar algo em grande, mas a sua adaptação leva-nos a crer que John Madden terá sido, até certo ponto, uma escolha desacertada.

O Exótico Hotel Marigold funciona perfeitamente bem no seu início, é conduzido de forma sóbria e conexa e a sua dose de humor é moderada, com classe. A química entre o grupo é extraordinária – ou não fossem colegas de profissão há muito – e isso é um ponto a seu favor.

Numa Índia extremamente barulhenta e colorida, com muito caril à mistura, as personagens vão-se conhecendo, a pouco e pouco, e entre trocas de impressões e confidências apercebem-se de que há muito em comum entre si. Todos vieram em busca de algo ou de alguém, incluindo de si mesmos. Uns vieram para ficar, outros estão de partida.

Enquanto isso, Sonny, gerente do suposto hotel de luxo para a terceira idade, tem em mãos vários problemas. Se, por um lado, se encontra em luta contra a própria mãe que desaprova o seu casamento com uma empregada de call center, por outro, luta também a favor da manutenção do negócio da família a seu cargo, o hotel Marigold, perto de ser demolido.

O seu desenvolvimento é morno e algo lento. É ornamentado com alguns bons momentos de encher o olho, mas não cativa nem convence a longo prazo, sentimos falta de algo mais. O mais lamentável é a sua reta final, ao entrar em piloto automático.

O filme tinha conseguido ser, até ao momento, uma obra extremamente razoável e agradável, balanceada entre o drama e a comédia, mas acaba por escolher o caminho mais fácil. O Exótico Hotel Marigold é mais uma vítima do fatalismo moderno da previsibilidade.

Este último trabalho de Madden é mais uma reunião de velhos amigos com a intenção de figurar um feel-good movie leve e descomprometido do que qualquer outra coisa. Ficamos com pena de algo com potencial, que tinha muito mais para dar, mas vale o visionamento, nem que seja pela belíssima e calorosa Índia ou pela excelente mostra de atuação.

6.5/10

Ficha Técnica:

Título Original: The Best Exotic Marigold Hotel

Realizador: John Madden

Argumento: Ol Parker (argumento), Deborah Moggach (livro)

Elenco: Judi Dench, Bill Nighy, Penelope Wilton, Maggie Smith, Tom Wilkinson, Ronald Pickup, Celia Imrie, Dev Patel

Género: Comédia, Drama

Duração: 124 minutos