Mais uma vez, a RTP2 assinala a data que marca a Revolução dos Cravos com a exibição de uma série de documentários portugueses. Entre o dia 24 e 25 de abril, a estação irá oferecer mais de 24 horas de produção nacional. A partir das 22h45 de terça-feira e até às 23h30 do dia 25, serão exibidas estreias e outros documentários produzidos em Portugal, alguns deles premiados em festivais nacionais e internacionais.

Na noite de dia 24, a maratona começa com uma experiência que nos levará ao mundo do silêncio, ao mundo dos surdos. É com a exibição de Gesto, um documentário de António Borges Correia, que tal será possível. Logo depois, Rui Simões leva-nos até à Cova da Moura e Matthieu Bron a Moçambique com De Corpo e Alma. A madrugada do Dia D traz-nos visões assinadas sobre a história do poder económico em Portugal, a situação dos trabalhadores do sexo, regiões e locais muito especiais do país.

O dia 25 de abril começa com a trilogia de João Botelho sobre Trás-os-Montes, do Barroso a Miranda. A tarde é dedicada a olhares sobre populações socialmente estigmatizadas pelo bairro em que habitam, ou pela doença que os afeta. Serão ainda exibidos ainda mais quatro documentários, dois foram premiados no último Doclisboa: Yama No Anata e A Nossa Forma de Vida.

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Gesto
“António tem 18 anos e é surdo profundo. Quer estudar cinema fora de Portugal e tornar-se realizador. E fazer filmes para todos, surdos e ouvintes. Este é o seu sonho que, como todos os sonhos, tem um preço: questionar-se, pôr-se em causa a si mesmo e à comunidade à qual pertence. Ao mesmo tempo, vive o seu primeiro amor com Irina, uma jovem surda que não compreende porque ele tanto quer sair da escola e do país. Pela primeira vez na vida, o mundo de António está a desabar. Mas talvez valha a pena perder o mundo para conquistar o universo onde surdos e ouvintes se descubram num mesmo gesto.
Realizador: António Borges Correia
58 min; 2011

A Ilha da Cova da Moura
No ano de 2005, dois acontecimentos tornaram este bairro dos arredores de Lisboa num caso de interesse mediático: o homicídio de um polícia que patrulhava as ruas locais e o célebre arrastão que nunca existiu, no dia 10 de Junho, cuja autoria foi desde logo imputada a jovens daquele lugar. Televisões, jornais e fotógrafos nacionais e estrangeiros viraram as suas atenções para este bairro que se ergueu clandestinamente nos anos setenta, entre as freguesias da Buraca e da Damaia, fronteira suburbana entre Lisboa e a Amadora, concelho mais populoso de Portugal. Descobriu-se então a verdadeira Cova da Moura, habitada por uma maioria cabo- verdiana, que ali repete os modos e costumes das ilhas de que são oriundos como forma de combater o desenraizamento e estigma social.”
Realizador: Rui Simões
101 min; 2007

De Corpo e Alma
Estórias, passadas em Moçambique, de vários deficientes motores que conseguem ultrapassar a sua deficiência e dar um sentido positivo à vida.
Realizador: Matthieu Bron
57 min; 2010

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Donos de Portugal
“Este é um documentário sobre 100 anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza. Mello,  Champalimaud,  Espírito  Santo  –  as  grandes  famílias  cruzam-se  pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e das relações intestinas com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins – afirmam-se sobre a mesma base.”
Realizador: Jorge Costa
48 min; 2011

Das 9 às 5
“Em Portugal existem centenas de trabalhadores a quem não é reconhecida proteção legal quer a nível laboral quer a nível civil. Esta situação deve-se sobretudo a questões do foro cultural, social e moral. Eles e elas são os trabalhadores do sexo. Embora tenham um grande número de clientes a recorrer aos seus serviços, a sua profissão, ou o negócio em que está inserida, é considerada ilegal. Numa sociedade de serviços, onde tudo pode ser comprado e vendido, reclamam que o seu tipo de trabalho é apenas mais um entre muitos. Por isso, à semelhança do que já aconteceu noutros países, reivindicam o fim da discriminação, requerem mudanças na lei e reclamam o poder social que lhes é negado.”
Realizadores: Rita Alcaire e Rodrigo Lacerda
52 min; 2011

A Olhar o Mar
“Documentário de criação sobre uma pequena vila piscatória situada na margem esquerda do rio Douro, mesmo junto ao Porto. A Afurada em dia de fauna e em dia de festa.”
Realizador: Pedro Neves
100 min;

Cá Dentro
“Por dentro, um olhar exterior sobre as singularidades de uma existência comunitária, remota e particular, numa das ilhas açorianas. O filme articula, sem ordenação cronológica, vários momentos colocados em contraponto com a banda de som, sua voz e  ampliação: a  vida  na fajã,  em  fragmentos  evocativos,  residuais, especificidades do olhar, de fora para dentro.”
Realizador: José Neves
52 min; 2005

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Lisboa Domiciliária
“Lisboa. As casas que olhamos ao passar na rua parecem vazias, mas não estão. Povoados por idosos que vão perdendo o contacto com a rua, estes interiores formam um lado avesso da cidade. Lisboa deixa de ser um mapa feito de edifícios e arruamentos para passar a ser uma cidade cartografada com base em dificuldades, hábitos e memórias.”
Realizadora: Marta Pessoa
95 min; 2009

Entre Marte e Svalbard
“Seguimos um grupo de sete cientistas portugueses até ao Ártico, ao arquipélago de Svalbard, na Noruega, numa expedição de 10 dias no final do Verão Ártico. Durante o dia o grupo estuda o solo em zonas isoladas da ilha, rodeado de extrema beleza natural, num local ainda bastante intocado pelo homem. Durante a noite ficam na vila de Longyearbyen, a comunidade mais setentrional do planeta com estruturas habitacionais  típicas  de  qualquer  cidade  da  Europa.  A expedição revela-se extremamente rica, tanto em termos científicos, como em termos de experiências e aprendizagens pessoais.”
Realizadores: Maarten Roos e Margarida Serote
52min; 2011/2012

Caça ao Polvo
“O filme aborda também algumas características próprias da comunidade, como a emigração para várias localidades de África, os jogos coletivos, a ligação com a Ria Formosa, o papel cada vez mais importante da mulher, os perigos da atividade, as relações comerciais com Espanha. Caça do Polvo é um documento que regista um saber transmitido de geração em geração, saber em risco de desaparecer.”
Realizador: José Meireles
28 mim; 2011

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Para que este mundo não acabe!
“Deus é bom mas o diabo não é nada mau!” – aprendi com esta gente de hábitos comunitários e que é grande, dura e generosa. E também aprendi que não há lugar mais justo para uma demanda da vida e até da fugidia felicidade que ali, garanto- vos, é sempre possível.
[1º episódio da trilogia de João Botelho dedicada a Trás-os-Montes]

Realizador: João Botelho
55 min; 2009

A Terra Antes do Céu
Um encontro de artistas reunidos para celebrar a genialidade de Miguel Torga. Botelho filma a criação da música de alguns compositores contemporâneos que se inspiraram nos textos mágicos e nas passagens do “Reino Maravilhoso” de Torga. Um filme sobre a alma das pedras e das montanhas e sobre o coração e os olhos dos homens e dos animais que habitam o mundo inventado por Torga.
[2º episódio da trilogia de João Botelho dedicada a Trás-os-Montes]
Realizador: João Botelho
63 min; 2007

Anquanto La Lhéngua Fur Cantada
“O planalto de Miranda, único em língua e rico em gente, geografia e tradições que vêm do início dos tempos, tem uma riqueza musical inigualável. Porque não atravessá-lo com a Catarina Wallenstein, com rosto de “Madona”, que canta como ninguém, acompanhada pelo extraordinário acordeão do Gabriel Gomes, com rosto de anjo, e seguido pelo burro “Atenor” de pelo comprido e avermelhado, perfeito exemplar do burro mirandês? Há alguma coisa mais comovente do que a polifonia dos cantantes das Almas de Sendim? Não é verdade senhor Giacometti? O meu amigo Dr. Amadeu Ferreira, ficará contente e com ele todos os mirandeses a quem dedico este pequeno filme” – João Botelho
[3º episódio da trilogia de João Botelho dedicada a Trás-os-Montes]”

Realizador: João Botelho
52 min; 2011/2012

A Macau de Manuel Vicente
“Entre rigorosos objetos intensamente vividos, onde pouco parece ter passado o tempo,    e    muitas    outras    situações    mais    marcadamente   alteradas    ou    já desaparecidas,  Manuel  Vicente  continua  a  falar-nos,  apaixonadamente,  do  seu desejo de Cidade e de Arquitetura.”
Realizadora: Rosa Coutinho Cabral
61 min; 2011/2012

De Angola à Contracosta
“Às 9 horas da manhã do dia 6 de janeiro de 1884, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens embarcam a bordo do vapor S. Tomé e dão início à última das grandes aventuras de Portugal. Como destino, Luanda. Como objetivo, ligar, por terra, as províncias de Angola e Moçambique.
A expedição de Capelo e Ivens vivida e contada, nos dias de hoje, “in loco”, pelo ilustrador João Catarino.”
Realizador: Álvaro Romão
58 min (1º episódio); 59 min (2º episódio); 2011

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Orquestra Geração
“Este é um retrato do impacto da iniciativa homónima, inspirada no projeto internacional Orquestra Simone Bolivar, antes conhecido como El Sistema Nacional de las Orquestras Juveniles e Infantiles de Venezuela, em jovens da escola Miguel Torga, na Amadora. Ana, Daniel, Diogo, Marco e Mónica participam em Orquestra Geração, entregando- se a um projeto que rompe o contexto formatado da escola pública, tornando-se num apoio imprescindível à sua vida. Partindo de aulas de expressão dramática descobrimos os seus sonhos, a sua relação com a música e o seu sentimento de verdadeira pertença a um grupo.”
Realizadores: Filipa Reis e João Miller Guerra
58 min; 2011

Éramos Barracas
“Este documentário pretende dar a conhecer o Bairro da Curraleira, em Lisboa, pela voz de alguns dos seus habitantes, das suas vivências, das suas memórias e das suas expetativas para o futuro.”
Realizador: Edgar Feldman
25 min; 2011

O Contentor
“Numa escola secundária no centro de Lisboa existe uma turma de adolescentes com um regime de ensino especial. Dentro da sala de aulas cruzam-se dois filmes: o de uma equipe de filmagens que pretende realizar um documentário e um outro realizado pelos próprios alunos.”
Realizador: Edgar Feldman
54 min; 2012

Uma Simples Contradição
“O que é a loucura? À luz da ciência pode falar-se hoje num simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, como afirmava Hegel? Podemos dizer loucura ou esta designação não passa de um preciosismo literário e romântico do século XIX? Devemos dizer doença mental ou saúde mental? Desde o colete-de- forças – agora peça de museu – até aos nossos dias, o que mudou e o que terá ainda de mudar para que se dignifique o doente mental?”
Realizadores: Luís Hipólito e Margarida Moura Guedes
55 min; 2011


Yama no Anata
“Submerjo nas paisagens do Mondego para onde vim morar com os meus pais em criança, deixando para trás Tóquio, a cidade onde nasci. Através da leitura de cartas que troquei com os amigos e a família que permaneceram no país, reflito sobre a nossa vinda para Portugal e relembro o passado na tentativa de reter a memória efémera, numa viagem com os espíritos que permanecem comigo.” – Aya Koretzky.
Realizadora: Aya Koretzky
60 min; 2011

Ammaia
“No sopé de Marvão, Ammaia é um dos mais importantes vestígios da civilização romana em Portugal. A cidade, fundada entre o final do séc. I a.C. e início do séc. I d.C., é ocupada até ao séc. VI d.C. As escavações decorrem desde 1995, tendo já sido desenterrados edifícios como fórum, termas, portas da cidade, entre outros. O documentário pretende reconstruir o que foi esta importante cidade romana e responder aos “mistérios” históricos: porque desapareceu? Para onde foi o seu povo? Porque não voltou a ser ocupada?”
Realizador: João Osório
52 min; 2011