No quinto dia do 8 1/2 Festa do Cinema Italiano destacam-se cinco curtas-metragens, que fazem parte da sessão Il Corto. A maioria das curtas exibidas retratam acontecimentos marcantes no Sul de Itália, como as manifestações de racismo contra os imigrantes, as revoltas de 1971 na região de Calabria e o terramoto na cidade de Aquila.

IL CORTO 4/10

Na sessão Il Corto foram seleccionadas cinco curtas que representam um laboratório de jovens realizadores com um futuro promissor no cinema italiano.

A primeira curta de Pasquale Marino, L’estate che non viene, narra a história de três jovens que anseiam por passar o Verão juntos. Porém um deles está na iminência de chumbar, o que arruina as férias planeadas pelo trio. Quando decidem convencer a professora a passar o amigo, usando uma história comovente, o estratagema é desmascarado. A situação complica-se para os rapazes que, num acto de desespero, raptam a professora. Infelizmente o final em aberto do filme foi pouco convincente e esclarecedor em relação ao rumo da história.

Chjàna, que significa planície, do realizador Jonas Carpignano foi a segunda curta exibida nesta sessão. O filme, baseado em factos reais, aborda a revolta dos imigrantes africanos contra as manifestações racistas por parte dos habitantes do sul de Itália. Construída segundo o ponto de vista do imigrante, Chjàna capta o medo e a raiva destas pessoas que deixaram o seu país de origem para ter uma vida melhor em Itália. Escorraçados do país, os imigrantes tentam fugir na esperança que talvez um dia possam regressar, rezando que o amanhã seja melhor do que o hoje.

A curta In Attesa dell’ Advento dá uma nova interpretação aos acontecimentos que sucederam em duas datas distintas na História italiana: 1861, ano da Unificação de Itália e 1971, ano em que ocorreu a revolta de Calabria, capital da região. Apesar do tema forte e historicamente importante, o realizador não conseguiu com sucesso transmitir a sua visão contemporânea dos eventos. Os frames eletrizantes e as cenas imensamente paradas e isentas de sentido, fizeram com que o filme perde-se o seu potencial, que à partida dava expectativas.

Por fim foram exibidas as curtas Il Capo e Della mutevolezza di tutte le cose e la possibilità di cambiarne alcune. A primeira de Yuri Ancarni reproduz uma multiplicidade de sons, criando uma sensação de inferno ruidoso. Já a última curta da realizadora Anna Marziano, documenta o terramoto de Aquila através dos depoimentos das testemunhas e familiares que sofreram com essa tragédia natural.

Para amanhã, dia 18 de Abril, a programação da Festa do Cinema Italiano sugere um filme de grande qualidade, Là-Bas, realizado por Guido Lombardi, um dos realizadores que participou no filme Napoli 24. O título do filme é o nome dado à palavra que os africanos usam para identificar o sonho de uma Europa que não coincide com a realidade. E com esta sugestão concluímos mais um dia de cinema italiano, voltando amanhã com mais novidades.