Este fim-de-semana o Cinema São Jorge continuou a receber as sessões do Panorama. Desde estreias e estreantes a referências como Solveig Nordlund, a oferta foi diversificada e as sessões agrupadas por temática.

Para Além das Montanhas

Primeira obra de Aya Koretzky, uma japonesa que veio morar com os pais para Portugal quando tinha nove anos. Este é um documentário bastante pessoal, onde a realizadora faz uma reflexão sobre a vinda para Portugal e as memórias do passado em Tóquio. Ao longo de praticamente uma hora, Aya interroga os seus pais sobre os motivos que os trouxeram a Portugal, fazendo uma ponte entre o passado e o presente. É-nos apresentada a sua vida rural, perto do Coimbra, bem diferente da vida agitada em Tóquio, um contraste sempre presente, que se manifesta através de práticas e hábitos.

Composta por  vídeos, cartas trocadas com amigos e familiares deixados no Japão, e fotografias, Aya mostra-nos uma boa primeira obra, com um resultado comovente e encantador. A música original da realizadora, assim como toda a mistura de som, é uma mais-valia, tal como as deslumbrantes paisagens perto do Mondego. Conquistou o júri na categoria de medias e longas metragens portuguesas, no DocLisboa 2011.

Wakasa

José Manuel Fernandes traz até nós a história da princesa Wakasa, que tem como missão descobrir o segredo de uma arma mas acaba por se apaixonar pelo português Fernão Mendes Pinto. É trocada pelo segredo da uma arma – é assim que a espingarda chega ao Japão.

As surpresas na narrativa sucedem-se, levando-nos de cenário em cenário, onde se juntam guerreiros japoneses, personagens históricas e anime. História e fantasia misturam-se neste documentário, que ganhou o prémio AIP de melhor imagem para curta metragem no IndieLisboa 2011.

Tio Rui

Em Tio Rui, assistimos a um retrato íntimo das 72 horas em liberdade de Rui Macedo, tio do realizador Mário Macedo. Numa visão muito pessoal, o realizador acompanha Rui durante todo o tempo, até ao momento em que regressa à prisão. Ao longo de todo o filme não percebemos o porquê de estar preso – não é isso que importa mas sim as suas relações com a família e com o tempo.

Monólogos sobre a efemeridade do tempo, sobre a liberdade, visitas a vizinhos, contacto com os animais, a família e a Natureza mas, sobretudo, a liberdade: Mário Macedo filma tudo de perto, num retrato que é o mais pessoal possível. Em 32 minutos, o realizador consegue encaixar todos estes elementos e conjugá-los à volta do tio. Como diria o Tio Rui, “É a vida”.

Hoje, destaque para a sessão das 19 horas na Cinemateca Portuguesa, Pioneiros e caçadores de imagens, a mostrar alguns dos primeiros documentários portugueses, numa sessão musicada por Filipe Raposo.

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.