Magia e romance aliados ao jazz, ao funk e ao rock marcaram o concerto dos Drop da Bop Colletive no Roterdão Club, em Lisboa. Uma sala meio vazia num concerto para amigos e alguns curiosos. Os primeiros acordes despertaram para o concerto que duraria cerca de duas horas.

Drop da Bop são uma banda cuja sonoridade junta influências do jazz, funk e rock. Nuno Marinho (guitarra elétrica), Diogo Santos (piano e teclados), Augusto Macedo (baixo elétrico) e André Mota (bateria) são os quatro músicos que em palco dão expressão aos originais compostos pelo guitarrista.

I can’t remember abriu o concerto de terça-feira no club do Cais do Sodré. Um tema animado cuja batida da bateria vai fazendo adivinhar o ritmo crescente e cada vez mais acelerado numa espécie de “jazz  progressivo” a roçar o rock. Mariana, uma música escrita para a sobrinha de Nuno Marinho é uma balada. Uma melodia que celebra a nostalgia e faz sonhar e que em seguida sobe de tom. É ao mesmo tempo uma música mágica de altos e baixos. O que era melancolia e romance transforma-se em drama e leva a um fim apressado que culmina numa melodia calma e que transmite uma certa paz.

 

As expressões e posturas de cada um dos elementos do grupo são muito próprias e dão a cada uma identidade muito característica e singular. Cada músico, à sua maneira, sente a melodia e ritmo que está a tocar e isso é visível aos olhos de quem assiste ao espetáculo da banda.

Yes! Indeed junta numa só música as principais influências do grupo. Uma composição animada que não deixa ninguém indiferente, convida a marcar o ritmo e até, para os mais corajosos, a um pézinho de dança. Frio justifica o nome da música que tocavam: um dos temas mais recentes dos Drop da Bop que transmite uma sonoridade sombria, embora suave e que lembra as noites frias e de solidão.

As músicas parecem contar uma história através dos acordes e notas dos instrumentos que, tendo os seus tempos específicos, se complementam em harmonia. A cumplicidade entre os quatro músicos é notável em vários momentos do concerto.

Nisha antecipava o final do concerto. Uma das músicas mais antigas da banda. Podemos ouvir uma história em que o baixo assume o papel do rapaz e o teclado a rapariga. A bateria complementa-os. Durante alguns minutos, Nuno o guitarrista senta-se como se admirasse a sua obra, a sua expressão é de satisfação. Levanta-se e toca com igual sentimento e o ritmo acelera como o desenrolar de uma história de amor.

A última música contraria a anterior. É mais um novo original: Sea Scent, interpretá-la-ia em três partes. O início protagonizado por um solo de guitarra, cujo ritmo vai, devagarinho, aumentando e deixando uma sensação de bem-estar. Um momento mais teatral provocado por sons do baixo, guitarra e bateria. Uma terceira e última parte introduzida por teclas, baixo e bateria aos quais se junta guitarra numa sonoridade que lembra a amena cavaqueira entre amigos e na qual se nota bem a cumplicidade entre os quatro elementos do grupo.

Fotografias: Hugo Bastos