Aclamado pela crítica e acarinhado pelo público, Andrew Bird é um dos mais notáveis aristas de Baroque Pop da sua geração. Prolífico como poucos, o norte-americano, que se estreou nos LP’s em 1996 (com Music of Hair), conta já com nove álbuns na sua discografia, feito notável nos tempos que correm. O seu mais recente álbum, Break It Yourself, data de 5 de Março, e é dele que vamos falar hoje.

Com uma obra vasta e variada, que reflecte uma sede de constante renovação artística, Andrew Bird é um dos poucos artistas dos quais é difícil não se gostar. Tendo começado no Jazz, Bird tem vindo a transitar, desde The Swimming Hour (disco de 2001, lançado ainda com os Bowl of Fire) para uma sonoridade mais próxima da Folk e da Baroque Pop, sem nunca perder, no entanto, uma identidade musical bem própria, e mantendo sempre um nível de qualidade admirável, que lhe granjeia rasgados elogios da crítica.

Admito, por isso mesmo, que estava com algumas expectativas para este nono LP do norte-americano, tendo também em conta o facto de este ser o sucessor de Noble Beast (2009), disco que apreciei bastante. Contudo, se algum receio havia, este dissipou-se após a audição; Break It Yourself não só cumpriu as minhas expectativas, como também as excedeu, suplantando, a meu ver, Noble Beast.

Confirmando a transição musical que Bird tem feito nos últimos anos, Break It Yourself é uma aposta clara no Folk Rock, terreno que o norte-americano tem andado a rondar há já algum tempo. Fresco e inebriante, graças às infusões de Indie Rock e até, por vezes, de Balkan Beat que se conseguem ouvir ao longo do LP, este Break It Yourself consegue, no entanto, encher as medidas dos fãs mais “veteranos” do músico, através dos riffs enérgicos, dos violinos alegres e dos assobios, que conferem uma aura bucólica e campestre ao disco, e que é já característica essencial da música de Bird.

Ao nível das letras, Break It Yourself traz-nos um Andrew Bird em grande forma, que consegue, através dos seus jogos de palavras e das suas descrições certeiras, evocar temas, paisagens e personagens arrebatadoras. No departamento vocal, Bird apresenta-nos igualmente um trabalho de primeira água, com o seu registo tão característico e familiar a complementar de forma brilhante a instrumentação. Na produção, assistimos a uma estética muito despida de artifícios e de overdubs, que faz transparecer uma grande sinceridade que envolve por completo este álbum.

Break It Yourself não é, contudo, um álbum perfeito. A encabeçar a lista de defeitos que, a meu ver, impedem que o disco consiga atingir um patamar mais elevado de qualidade está, sem dúvida, a inconsistência, que se faz sentir sobretudo no final do disco, e que conseguiu fazer com que eu perdesse quase completamente a atenção pelo LP. Isso, aliado à impressão que tive de que algumas das faixas poderiam ter sido mais bem trabalhadas ajuda a que este Break It Yourself não seja uma obra-prima absoluta.

Na hora de apontar as minhas preferidas, a animada e calorosa Danse Caribe, a pujante e frenética Eyeoneye, a doce e hipnotizante Near Death Experience ou a delicada e singela Lusitania (com uma bela participação de St. Vincent) saltam-me logo ao pensamento. Por outro lado, faixas como Sifters, Fatal Shore ou Belles surgem, a meu ver, como as peças mais fracas e desnecessárias de Break It Yourself.

Resumindo, em Break It Yourself imperam a simplicidade, a beleza e a acutilância de um fazedor de canções que conseguiu aperfeiçoar a sua arte de forma sublime. Com um Folk Rock que traz na bagagem toda a identidade musical que Andrew Bird transporta desde 1996, Break It Yourself é um excelente disco, que não só suplanta o seu antecessor como faz crescer água na boca para o próximo LP. Agora só nos resta esperar, ao mesmo tempo que nos voltamos a deliciar com este álbum.

Nota Final: 8,7/10

*Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945