Fruto da descoberta de uma máquina fotográfica soviética por dois jovens austríacos na década de 1990, a arte da Lomografia tem, desde então, despertado cada vez mais adeptos por todo o mundo.

“A Lomografia não interfere na tua vida. Torna-se parte dela.”

Tudo começa em 1982, quando a Leningradskyoye Optiko Mechanichesckoye Obdyedinenie (LOMO), marca de equipamentos ópticos fundada em 1914, em Petrogrado (actual São Petersburgo), comercializa em massa máquinas fotográficas de pequeno porte e baratas (a Lomo Kompakt Automat) com o fim de documentar o estilo de vida soviético e, dessa maneira, ser um importante objecto de propaganda política. 

Na primavera de 1991, dois jovens austríacos – Mathias Fielg e Wolfgang Stranzinger – ficaram perplexos ao descobrir, na Checoslováquia, uma máquina fotográfica completamente diferente: a Lomo Kompakt, que captava imagens com cores garridas, de grande saturação e com uma luminosidade característica. Estas peculiaridades justificavam-se por a câmara possuir uma lente com uma definição invulgar em que, por exemplo, era possível fotografar à noite sem flash.

A Lomo registava, então, uma crescente popularidade entre a camada jovem da população, dando origem a uma nova cultura urbana: a fotografia não encenada, capturada ao acaso numa espécie de voyeurismo que acompanha a vida quotidiana: a Lomografia.

Após a ultrapassagem das burocracias para que se pudesse comercializar mundialmente a Lomo Kompakt, os dois amigos, Mathias e Wolfgang, no ano de 1995, agem finalmente: em Viena é criada a Sociedade Lomográfica e a primeira Embaixada Lomográfica, com o intuito de impedir o desaparecimento das pequenas máquinas soviéticas, através de eventos culturais, festas, exposições, para que fosse disseminada a arte da Lomografia.

Em Portugal existem duas Embaixadas Lomográficas: uma em Lisboa e outra no Porto. Nestes locais pode encontrar-se de tudo: câmaras lomográficas (aqui vendem-se as famosas máquinas com nomes de menina, a Diana F+ e a Holga), rolos de fotografia específicos para estas máquinas, livros, acessórios… Um mundo de experimentalismo e de sonho, sempre aliados à criatividade.

Eis as 10 regras de ouro segundo as quais os amantes desta arte se regem:

“01 . Leva a tua Lomo onde quer que vás.
02 . Usa-a a qualquer hora do dia ou da noite.
03 . A Lomografia não interfere na tua vida, torna-se parte dela.
04 . Aproxima-te o mais possível do objecto a fotografar, se assim o desejares.
05 . Não penses …… lomografa.
06 . Sê rápido.
07. Não precisas de saber antecipadamente o que fotografaste.
08 . Nem depois.
09 . Fotografa a qualquer ângulo.
10 . Não te preocupes com quaisquer regras.”

Hoje em dia, a “Lomomania” estende-se um pouco por todo o lado. Graças a um fortuito encontro entre uma “patusca” máquina fotográfica e dois amigos, que originou uma enorme paixão, a Lomografia passou a ser o modo de vida para milhares de pessoas.

*Por escolha da autora,  o artigo foi redigido segundo o Acordo Ortográfico de 1945.*