Filho de Bobby McFerrin, que esteve no passado ano em Guimarães, Taylor provou que o talento pode ser hereditário e é algo que lhe corre nas veias.

Produtor e músico, o McFerrin mais novo mostrou ser um acérrimo desvairado, um beatboxer airoso, um dj elegante. Um artista para analógicos, um génio para digitais. Qual Leno, qual quê… este sim, é um autêntico “one man show”.

Arriscando-se a tornar um dos músicos mais influentes de sempre, Taylor desde cedo viu despertar o seu interesse e afeição pela música. Frequente turista dos palcos portugueses, o nova iorquino traz na bagagem um concerto marcado pelo improviso, do qual fazem parte alguns dos temas do seu primeiro álbum a solo, intitulado Early Riser.

Brindados com temas exclusivos, que só serão lançados mundialmente em abril deste ano, o público do Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor confirmou a competência de Taylor.

A casa cheia, como sempre, deixou-se levar pelas pulsações, pelo ritmo estrondoso, aparatoso e sumptuoso que subsidiou o estímulo e libertação da expressividade pessoal. Elas queriam soltar-se, mas o monstro teimava em não acordar.

Taylor McFerrin quis contrariar as determinações e impôs um ritmo adulto, comprometendo as intenções de muitos que se deixaram surpreender. O ambiente familiar do Café Concerto, com a fogueira a obrigar as pessoas a sentarem-se em honra às tradições chinesas, deu o ímpeto para Taylor: “If you wanna a encore, you should dance with me”. A fogueira apagou e a pista abriu. O monstro enfim acordou.

Temas como Broken Vibes e Georgia partiram, definitivamente, a corrente e a legítima associação que é feita entre pai e filho. O talento é-lhes comum, a capacidade de dissociação um do outro também.

Fotografia: Bruno Carreira