Com um ritmo de trabalho estoicamente inquebrável (6 EP’s 4 LP’s discos desde 2007, numa média de dois por ano) e com uma renovação artística constante que tem deixado fãs e críticos surpreendidos a cada lançamento, B Fachada conseguiu, nos últimos anos, cimentar o estatuto de figura incontornável da Pop portuguesa contemporânea, vindo na senda de uma linhagem de cantautores e artistas que inclui Sérgio Godinho, Jorge Palma ou António Variações

Espalha Factos: És visto por muitos como uma espécie de “guru” da “nova música portuguesa”. Qual é a tua opinião acerca desse estatuto que te é atribuído?

B Fachada: Não sou guru de nada. Nunca fui um tipo fixe e isso não vai mudar. A face destrutiva do meu trabalho vai sempre afastar muita gente. O pouco que eu possa ter para ensinar não é, certamente, para mais que meia dúzia de amigos.

EF: Produziste recentemente o LP de estreia das Pega Monstro [crítica aqui]; tendo em conta o método de trabalho meticuloso e perfeccionista que te é conhecido, como foi gravar um disco com uma banda que tem um som tão “despido” e minimalista?

B: O trabalho de Pega é tão meticuloso e perfeccionista como o meu. Às vezes temos a ilusão do perfeccionismo quando ouvimos os discos bem-soantes que vão saindo por aí; no entanto, são mais perfeitas as falhas de uma música tocada, que as aldrabices de um estúdio moderno onde tudo se pode afinar e corrigir na pós-produção.

EF: Por vezes as tuas letras abordam temas polémicos e criam personagens com pontos de vista provocadores e controversos. Não tens medo de gerar reacções mais adversas por parte de um público que te interprete mal?

B: Não existem interpretações mais certas que outras. Nem reacções. Sou grato a quem gosta e de certa maneira me defende o ofício, mas é a adversidade que me justifica.

EF: Ainda na “polémica”: lançaste, em Junho do ano passado, Deus, Pátria e Família, tema com letras duras sobre a actual situação do país, e com sentimentos contraditórios em relação a Portugal. Até que ponto essas letras espelham a tua própria opinião acerca do estado político, económico e cultural do nosso país?

B: Eu é que sou o espelho das canções não são as canções que me espelham a mim. Uma canção tem sempre uma capacidade pequenina para a quantidade de opiniões que uma cabeça pode inventar.

EF: O teu último disco, o homónimo do ano passado [crítica aqui], ainda “paira” no ar, mas já existe alguma curiosidade para saber o que virá a seguir. O próximo lançamento seguirá a linha intimista de B Fachada, ou podemos esperar algo totalmente diferente?

B: Se se pudesse adivinhar o disco que vem a seguir, eu seria o Palma. Não o Fachada.

EF: É sabido que para o ano não vais lançar nenhum disco, pois vais tirar um ano de “sabática”. No entanto, essa pausa na música vai ser total, ou vamos poder contar com algumas actuações ao vivo de B Fachada em 2013?

B: Vou tirar férias, que não as tenho desde 2007.

Créditos fotográficos: Luis Martins e Rita Carmo

*Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945

** A entrevista acima apresentada foi realizada via e-mail;