“If the doors of perception were cleansed, every thing would appear to man as it is: infinite” (Se as portas da perceção fossem abertas, tudo apareceria como realmente é: infinito). É desta frase que surgiu o nome da banda que se viria a tornar eterna e da qual o Gira o Disco fala hoje.

The Doors, iniciaram a sua carreira em 1965 quando Ray Manzarek, que viria a ser o teclista, propôs a Jim Morrison que criassem uma banda. Jim Morrison, Ray Manzarek, Roby Krieger e Jonh Densmore foram os pilares do sucesso e da fama ainda hoje reconhecidos. Musicalmente, as melodias distinguiam-se pelo uso da famosa Fender Rhodes e harmónicas que davam ritmo às letras, da autoria de Morrison na sua grande maioria.

Começaram com atuações em 1966, no clube The London Fog. Daí seguiram para o Whisky Go Go e foi aí que lançaram o seu caminho em direção ao infinito, assinando contrato com a editora Elektra Records após o presidente da empresa, Jac Holzman, ter assistido a uma atuação. O primeiro álbum, que tinha como título o nome da banda, é gravado nesse mesmo ano e lançado em janeiro do ano seguinte, incluindo as músicas das suas atuações nos clubes por onde passaram. A banda começa a ganhar fama, não só pelas suas músicas gravadas num primeiro demo de 6 originais, como pelas atuações invulgares em que o vocalista transmitia sem qualquer rodeio ou limitação nas suas ações todos os seus pensamentos.

Light my Fire foi a música do verão de 1967 e Break on Trought  teve um vídeo promocional conduzido por Jim e Ray. Doors eram agora uma das principais bandas de mobilização e contestação social da América. As polémicas atuações encabeçadas por Morrison davam fama à banda e o seu ar de sex symbol indisciplinado levou-o a ser considerado uma estrela, estatuto que ele não recusava.

httpv://www.youtube.com/watch?v=M_yWyBjDEaU

Em outubro de 1967 acontece o lançamento do segundo álbum, Strange Days, que apesar de considerado menos espontâneo e genuíno que o primeiro, não deixou os Doors perder o seu lugar na ribalta. É com o segundo álbum que surgem canções como People are Strange ou Love me Two Times.

httpv://www.youtube.com/watch?v=K3CHi_9sxj0

Com o terceiro álbum, Waiting for The Sun, os Doors deixa escapar um pouco da sonoridade característica que os identificava. Período agitado e marcado pela entrega de Morrison à completa dependência ao álcool trazem consigo um conjunto de episódios de descontrolo entre fãs, a polícia e a própria banda. Waiting for The Sun foi o seu único LP a atingir o primeiro lugar na lista dos 200 álbuns mais vendidos nos Estados Unidos da Améria.

Depois da época de ouro, as críticas caem sobre a banda, questionando a sua naturalidade, originalidade e a possibilidade do grupo apenas existir pela ganância do dinheiro fácil com a venda dos seus álbuns. O single Hello, I love you é apontado como uma possível cópia da música All Day and All of the Night, dos Kinks, porém o boato não se mostra com grande relevância para os fãs.

httpv://www.youtube.com/watch?v=hzM71scYw0M

Viajam para o Reino Unido em 1968, para se estrearem longe dos palcos norte-americanos, numa digressão intitulada de ‘The Doors Are Open’ que passa por vários pontos da Europa. Em Amsterdão, Jim Morrison não aparece no concerto, por ter perdido os sentidos devido ao abuso de drogas, marcando mais uma vez pelos seus comportamentos insólitos.

Os problemas de relacionamento entre os elementos da banda, a toxicodependência de Jim, bem como as traições à sua companheira Pamela tornavam-se cada vez mais notórios, mas mesmo assim a banda começa a trabalhar no seu quarto LP.

O single Touch Me é lançado nesse ano e chega ao terceiro lugar nos tops americanos. Depois de quatro anos de atuações recheadas de momentos peculiares, Jim é preso em Miami, acusado de obscenidade depois de ter exposto ao público as suas partes íntimas. Os membros da banda garantem que tal nunca aconteceu e que “havia uma hipnotização geral”. O sucedido levou ao cancelamento de concertos por todo o país.

Confrontado pela banda, Jim reduz o consumo de drogas, mas o problema com o álcool torna-se cada vez maior. A sua aparência de sex symbol vai deixando de existir, à medida que ganha peso, deixa crescer a barba e opta por roupas mais largas. A banda segue por um estilo mais blues e é nesta altura que surgem músicas como Build Me A WomanI Will Never Be Untrue e Who Do You Love.

A gravação do álbum The Soft Parade levou à quase separação da banda, uma vez que os problemas de Jim Morrisson com as bebidas alcoólicas o tornavam completamente instável. O seu lado mais pop levou à dispersão para um público-alvo mais abrangente.

Em fevereiro de 1970 Morrison Hotel traz os Doors de volta ao sucesso, com single Roadhouse Blues a atingir o quarto lugar dos top nos Estados Unidos. Absolutely Live é o álbum lançado em julho do mesmo ano incluindo atuações ao vivo dos dois anos anteriores ao seu lançamento. A banda atua no Isle of Wight Festival, juntamente com artistas como Jimi Hendrix, The Who, Joni Mitchell e Miles Davis. Jim Morrison vai a julgamento pela  exposição da sua intimidade no concerto de Miami, sendo condenado a 8 meses de prisão, depois convertidos  no pagamento de uma caução.

httpv://www.youtube.com/watch?v=Sf9soeYILDQ

L.A. Woman, datado de 1971, foi o último álbum gravado com Jim e com ele o sucesso está de novo garantido, após a decadência dos álbuns anteriores. O regresso às origens da banda traz consigo os novos sucessos das rádios Love Her Madly e Riders on the Storm.

httpv://www.youtube.com/watch?v=i_eQGsbHhDo

Jim Morrisson parte para Paris com Pamela, a sua companheira, com o objetivo de tirar algum tempo para descansar e escrever enquanto explorava a cidade. Os problemas com o álcool regressam e por circunstâncias ainda desconhecidas, apesar da hipótese de ataque cardíaco, o vocalista foi encontrado morto na banheira do seu apartamento no dia 3 de julho, aos 27 anos de idade. O corpo foi enterrado no Cemitério de Père Lachaise, em Paris.

Até aos finais de 1972, Kreig e Manzarek ocuparam o lugar de vozes da banda, continuando com as atuações e lançando os álbuns Other Voice e Full Circle que, com baixas vendas, levam os três restantes Doors a terminar gravações e atuações. Em 1978 os membros da banda lançaram para o mercado uma inovação que consistia na junção de música às gravações de poesia recitada pelo falecido Jim Morrison. An American Prayer foi um sucesso comercial.

Mais de 25 anos depois da separação, Krieger, Densmore e Manzarek voltam a reunir-se para tocar váras músicas dos Doors com o apoio de vários vocalistas convidados como Ian Astbury, Scott Stapp, Scott Weiland, Perry Farrell e Travis Meeks no espetáculo que foi lançado com o nome de Storytellers – The Doors (A Celebration). Entre 2002 e 2007 foram várias as tentativas de prosseguir com o que da banda restou, porém, um processo judicial não permitiu que a banda continuasse com o mesmo nome.

O reconhecimento das músicas, dos álbuns e da irreverência da banda continua atualmente a ser reconhecida em rankings das melhores músicas e das melhores bandas, em livros ou em longas-metragens. O reconhecimento musical ao longo de mais de 40 anos tende a perdurar e faz com que os Doors alcancem o que Morrison previu: o infinito.