O filme de Jonathan Liebesman faz renascer os mitos em que outrora os antigos gregos acreditaram. Com Sam Worthington no principal papel, A Fúria dos Titãs (e dos deuses), estreou esta quinta-feira nas salas de cinema nacionais. Preparem-se para visualizar a aventura de Perseus e a guerra apocalíptica contra os Titãs do Tártaro em 3D. O filme, sequela do Confronto de Titãs (2010), promete muita ação com os mesmos atores, mas uma história muito diferente.

Conhecem o jogo Age of Mithology: The Titans? Se sim, é curioso constatar que o filme segue uma linha semelhante à história do jogo. Perseus, o famoso semi-deus que matou o Kraken, filho do deus supremo Zeus, vive numa pacata aldeia com o seu filho, realizando o seu humilde ofício de pescador. Afastado das guerras, como prometera à sua falecida mulher, Perseus recusa ajudar o pai Zeus na luta contra Cronos. Contudo quando alguns dos deuses traem Zeus, incluindo Ares, o deus da guerra, Perseus sente o dever de ajudar a sua família divina e salvar a humanidade.

A história retrata a aventura de um herói, que honra a sua família e volta a guerrear, demonstrando a sua coragem e astúcia. Os temas destes filmes de aventura com caráter épico são quase sempre os mesmos, fala-se de honra, de coragem e de esperança. Até aí, nada de novo se destaca no filme, o herói sempre ganha e regressa ao seu dever de guerreiro. A introdução de grandes atores como Liam Neeson, Ralph Fiennes e Danny Huston nos papéis dos deuses fundadores, respetivamente Zeus, Hades e Poseidon, foi uma boa aposta, contudo não conseguiu engrandecer a história, que permaneceu repetitiva e pouco criativa.

O aspeto em que o filme mais pecou foi a interpretação demasiado literal, não só do visual dos deuses, com as típicas barbas longas e vastos mantos, mas também dos diálogos das personagens. Como a maior parte do público não está familiarizado com a mitologia pagã,  houve a necessidade de se explicar em demasia o passado de cada personagem, perdendo, deste modo, a espontaneidade dos acontecimentos e das cenas que poderiam tornar-se mais sugestivas.

O único fator surpreendente do enredo foi a fusão de várias histórias mitológicas numa só. De modo a enfatizar o recurso ao 3D, adicionaram-se criaturas de diferentes mitos, como os ciclopes descritos na Odisseia, o navio semelhante ao Argus, as quimeras e o minotauro do labirinto de Minos. Sem Teseus, nem Ulisses para protagonizar o filme, o realizador elegeu Perseus, muito famoso na Antiguidade pelos seus feitos, com uma constelação no céu em sua homenagem. Infelizmente não tivemos nenhuma medusa para apimentar a narração, mas essa seria outra história.

5/10

Ficha Técnica:

Título original : Wrath of the Titans

Realização: Jonathan Liebesman

Argumento: David Johnson, Dan Mazeau e Greg Berlanti (baseado no argumento de 1981 de Beverley Cross)

Elenco: Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Danny Huston

Género: Acção, Aventura, Fantástico

Duração: 99 minutos