O Festival dos 5 elementos no Jardim de Oeiras decorreu durante 3 dias (23, 24 e 25 de março), celebrando o início da primavera, e o Espalha-Factos esteve presente neste evento em torno da ecologia e etnicidade.

O que distingue este festival dos outros restantes é a interação próxima entre os artistas que atuam nos dois palcos do recinto e o público que se entrega às sonoridades da world music. A química entre os dois elementos é inconfundível e este ano notou-se ainda mais essa energia, visto que a audiência foi muito reduzida. Devido ao custo dos bilhetes em relação ao ano passado, em que a entrada era gratuita,  a adesão foi substancialmente inferior. Em 2012, só quem amasse mesmo este estilo de música e o ambiente reggae/hippie envolvente é que pagaria os 5 euros diários ou 10 euros pelo passe de três dias.

No primeiro dia, pouco público assistiu às bandas não muito conhecidas, Tora Tora Big Band, Sebastião Antunes e Quadrilha, Kussondulola, que atuaram no palco principal. Talvez pela falta de divulgação ou pelo preço dos bilhetes, o recinto estava praticamente vazio. Já no segundo e terceiro dias, a audiência foi alargando o seu número e tornando-se mais composta.

Entre a panóplia de artistas que passaram pelo evento, destacam-se os Orquestra Voadora. Oriundos do Brasil, o grupo musical teve grande aceitação do público e conseguiu pôr a mexer toda a plateia, reproduzindo essencialmente covers com os seus instrumentos de sopro e percussão muito peculiares. A banda andante no final do concerto saltou para fora do palco e tocou mais uns minutos ao lado da multidão, que vibrava ao som dos tambores, trompetes e trombones, sempre com uma “tonadita” brasileira à mistura. Os Orquestra Voadora vão atuar hoje no Miradouro de S.Pedro de Alcântara ao fim da tarde e seguirão para a cidade do Porto.

Já a banda portuguesa de Oeiras, Katharsis, volta ao festival pela segunda vez, trazendo uma fusão de sons de várias partes do mundo, desde Espanha a África. Uma música, que mistura uma grande diversidade de culturas, interpretada por duas vozes, uma feminina e uma outra masculina.

Para além da música, a área desportiva também trouxe novidades. O ginásio Solinca patrocinou vários workshops durante os três dias do festival, sem qualquer pagamento adicional. Falamos de actividades como o body combat, body vive e body balance. Também a dança fez parte do evento, trazendo a sensualidade árabe e indiana com os workshops de Saidi e Bollywood e os ritmos quentes e latinos com o Mega Latino da Radical Fitness.

Apesar das grandes bandas que atuaram e do propósito ambiental que marcou a diferença, o evento não acabou da maneira mais desejada. Por ser domingo, o festival só se poderia estender até às 23h, contrariamente aos outros dias em que a música reinou a noite até às 2h. Devido a problemas na gestão do tempo, a banda Canteca de Macau, que veio diretamente de Espanha, não pôde concluir o seu espetáculo, tendo estado em palco apenas 20 minutos, fora do limite do horário estipulado (23h).

A indignação do público foi notória. Por meio de gritos de descontentamento, a organização tentou explicar a situação e demonstrar que as autoridades já tinham decidido finalizar o festival, mais cedo do que a hora confirmada.

Embora tenha acabado de uma forma inesperada, com um sabor de revolta, o festival recebeu bandas de vários pontos do mundo, dando o seu espaço para recolhas solidárias e workshops interessantes, que transportaram o público para outras culturas. O objetivo do evento foi cumprido e de certeza que na próxima primavera haverá mais. Fica sintonizado nos 5 elementos.

Reportagem: Sara Alves

Fotografia: Inês Jorge