Uma progressão de gestos, ritmos e sons. Um jogo de movimentos, dança, sombras. Um espetáculo tão simples e tão rico. A frase é da letra de uma música de Tom Jobim e dá o mote para Desafinado, que esteve em cena no Teatro São Luiz, em Lisboa, nos dias 23 e 24 de março.

As luzes apagam-se, apenas uma tela branca se destaca no palco onde, pouco a pouco, aparecem as primeiras pessoas, em jeito de desfile. Todas se fazem acompanhar de muletas, não percebemos se todos realmente precisam delas ou se é apenas um adereço. Pouco a pouco é como se houvesse uma recuperação gradual, traduzida num andar sem aparente dificuldade e num ritmo musical provocado pelas muletas.

Há diferentes momentos representados. Há lutas dançadas. Às muletas, juntam-se agora alguns instrumentos: um reco-reco, um ovo, uma caixa de madeira. Há uma união e desacato entre os intérpretes, que constantemente se intercalam e se traduzem numa expressão lírica dos corpos. Há espaço para solos, duetos e momentos de grupo.

A banda sonora que por vezes acompanha as cenas de palco faz-se de várias versões da música Desafinado, do compositor brasileiro Tom Jobim. Há uma cumplicidade entre os bailarinos que nos faz sentir próximos e entrar numa ambiência difícil de explicar. E há balões. E num momento musical com pequenos e simples instrumentos musicais e a voz de Vânia Fernandes termina o espetáculo.

Tudo isto ganha um sentido ainda mais especial porque é protagonizado pelo Grupo Dançando com Diferença – intérpretes portadores de deficiência. A coreografia é de Paulo Ribeiro em colaboração com Leonor Keil. Vânia Fernandes, vencedora da terceira edição da Operação Triunfo é a intérprete convidada. Desafinado segue agora para o Teatro-Cine Torres Vedras no dia 30 de março, Teatro Virgínia em Torres Novas dia 31 e ainda Teatro Aveirense no dia 5 de abril.

fotos de Diana Teixeira