Há quem diga que no amor a diferença de idade não importa, mas será isso verdade? O novo filme de Bart Freundlich, Amor ao Acaso, que estreia hoje em Portugal, prova que nem sempre se acredita no amor que nasce entre duas pessoas de gerações distintas. É necessário tempo e, por vezes, uma longa separação para dar valor ao que realmente se tem, deixando de lado os preconceitos.

Protagonizado por Catherine Zeta-Jones, Amor ao Acaso relata a história de Sandy, uma mulher igual a muitas outras que, de repente, se vê  num beco sem saída. Ao saber da traição do seu marido, decide ir para Nova Iorque com a família, para se afastar do homem que a fez sofrer. Sem trabalho e com dois filhos para sustentar, a quarentona tenta recomeçar a sua vida, não sabendo que o destino iria colocar um jovem rapaz no seu caminho. Por um acaso ou destino, esse jovem chamado Aram e é o baby-sitter dos seus filhos.

O filme ganha pontos por cativar maravilhosamente a atenção do público feminino. Não só pela facilidade que as espectadoras têm em identificar-se com a protagonista, mas também pela história romântica entre a mulher de quarenta anos e o jovem na casa dos 20. Sandy vê em Aram uma oportunidade de voltar a ser jovem, como se o romance  recuperasse a juventude perdida e a salvasse do processo destrutivo do divórcio. Apesar da história previsível, o tema não deixa de ser uma aposta bem sucedida.

Catherine Zeta-Jones consegue interpretar o seu papel de um modo fantástico, transmitindo naturalidade no seu comportamento. O empenho da actriz na sua personagem ajuda a que o filme ganhe interesse. De outra forma, uma história tão comum não teria o mesmo encanto e dinâmica.

Em contrapartida, o filme peca pelo humor pouco refinado e por vezes sexista, que não leva a nenhum propósito, nem acrescenta conteúdo à história. Outro aspecto negativo a relevar é o exagero de certas cenas, que retiram credibilidade ao enredo. O realizador quis mostrar que todos os homens que Sandy encontrava possuíam muitos defeitos comparativamente a Aram, que foi construído para ser o rapaz perfeito. Essa ideia foi enfatizada de forma tão exacerbada, que, por vezes, os homens pareciam ter atitudes irrealistas e pouco convincentes, só para não superarem a personalidade genuína do jovem Aram.

Embora haja pequenos pormenores que poderiam ser limados, a história é interessante e comove a audiência. É um bom filme para se ver em família, com uma moral bem explícita e um final aberto, que denuncia um futuro risonho, como requerem a maioria dos filmes românticos. Fica-se com esta simples conclusão: Por vezes é necessária uma separação, para se perceber o que é importante na vida e ganhar maturidade para encarar as responsabilidades. A vida não tem hora marcada.

7/10

Ficha Técnica:

Título original: The Rebound

Realizador: Bart Freundlich

Argumento: Bart Freundlich

Elenco: Catherine Zeta-Jones, Justin Bartha, Kelly Gould, Lynn Whitfield

Género: Comédia

97 minutos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.