Cross é o tema da 30.ª edição do Portugal Fashion. Como tal, o evento veio até a Lisboa mostrar um pouco daquilo que poderá ser visto até 24 de março no Porto.

 As tendências para o Outono-Inverno de 2012/2013 de quatro jovens criadores no Espaço BLOOM e as novas coleções do já consagrado Felipe Oliveira Baptista e da dupla Alves/Gonçalves marcam a sessão de abertura na capital.

O Espalha-Factos marcou presença nos desfiles que tiveram lugar no MUDE – Museu da Moda e do Design, em plena baixa lisboeta.

ESTELITA MENDONÇA

Inserida no Espaço BLOOM, uma secção cujo objetivo é o de dar visibilidade ao trabalho experimental e exploratório de jovens saídos das escolas de moda, coube à coleção masculina do jovem estilista abrir oficialmente os desfiles do Portugal Fashion.

 Um melting pot harmonioso de culturas é o que pretende trazer a coleção de Estelita Mendonça. O criador aposta num estilo confortável e natural que mistura cores escuras, com predominância do preto, e tecidos menos leves como as lãs e as fazendas tradicionais. Apontamentos de cores estão também presentes nas peças que acabam por evocar um estilo um tanto ou quanto militar. Especial destaque para os casacos compridos que dão o toque final em alguns dos looks.

ANDREIA LEXIM

No Land’s Man foi a coleção feminina que se seguiu no âmbito do Espaço BLOOM. Tendo a globalização como mote, Andreia Lexim trazia no seu trabalho uma tribo nómada citadina. O preto, o castanho e outros tons terra bem como o azul-escuro ocuparam a passerelle, ocupando uma variedade de peças.

Mais compridos ou mais curtos, partindo dos casacos e passando pelas saias, os cortes impunham-se assimétricos. O jogo com as silhuetas estende-se aos capuzes que integram várias das peças. As malhas e as fazendas em lã ganham especial destaque na coleção.

DANIELA BARROS

Daniela Barros traz-nos uma mulher forte e cheia de personalidade na coleção que apresenta no Espaço BLOOM do Portugal Fashion. Akkadian traz um estilo bastante dark, onde o preto é imagem de marca.

A criadora conjuga tecidos fluidos como transparências, cabedal e peles em peças marcadas por um traço assimétrico. Os looks apresentados como que em camadas destacam-se ainda por um uso recorrente de fechos e de capuzes, bem como de chapéus de feltro enquanto acessório.

HUGO COSTA

A segunda colecção masculina da noite e ao mesmo tempo aquela que encerrou os desfiles do Espaço BLOOM foi  Apache, da responsabilidade de Hugo Costa. O trabalho inspirado nos indígenas nativos americanos traz-nos vestuário wearable, de aparência confortável e descontraída, adaptado ao quotidiano mais movimentado.

O desfile que teve risos e flautas como banda sonora de início trazia com ele propostas diferentes, mas sólidas enquanto todo. O preto, o cinzento, o vermelho, o castanho e o laranja são as cores fortes da coleção assinada pelo jovem estilista. A aposta passa também pelas formas e padrões geométricos, evocando símbolos tribais.

FILIPE OLIVEIRA BAPTISTA

A noite de desfiles terminou no MUDE com o trabalho do jovem e consagrado Felipe Oliveira Baptista, o criador português radicado em Paris e um dos nomes em ascensão na moda internacional.

O também diretor artístico da Lacoste regressa a título individual com a sua sofisticação em Underdive. Uma coleção forte e que mistura várias influências como o imaginário punk/rock ou prints de zebra.

O preto e o branco tornam-se as cores fortes das propostas apresentadas, conjugadas de forma cuidada com apontamentos de cor vermelhos, azuis, verdes-azeitona e cinzentos. Num trabalho apurado, o criador trabalha sobretudo a pele de diferentes formas e conjuga-a com outros tecidos.

A coleção oferece sobretudo macacões e vestidos, muitos deles com decotes acentuados, conjugados com leggins de cabedal, luvas e chapéus. Underdive é um trabalho sólido, criativo e usável que vem confirmar a mestria de Felipe Oliveira Baptista na indústria da moda.