Nasceram em 25 de maio de 1962 e comemoram este ano o seu 50º aniversário. Personificam a irreverência, a rebeldia e o rock and roll na sua mais pura essência. O Espalha-Factos dedica o Gira o Disco de hoje aos lendários ingleses Rolling Stones.

Este meio século de história começa com o reencontro dos amigos Mick Jagger e Keith Richards, onde descobrem que partilhavam muito mais do que uma infância em comum: a paixão por blues e rock n’ roll. A oportunidade de formar a banda surge com o aparecimento do guitarrista Brian Jones, em 1962. O grupo apresenta-se ao mundo no Marquee Club de Londres, a 12 de Julho, como The Rolling Stones, nome inspirado na música Rollin’ Stone, de Muddy Waters. Bill Wyman entra a bordo, simplesmente porque possuía mais do que um amplificador e, em janeiro do ano seguinte, Charlie Watts toma o seu lugar na bateria.

Deste modo, com três guitarristas, um baixista e um baterista, a banda lança-se ao estrelato e assina o seu primeiro contrato, com a Decca Records. A sua jovialidade e espírito indomável tão característicos marcaram a diferença logo nos primeiros concertos ao vivo e, desde cedo, os Stones ficam conhecidos pelo seu caracter de bad boys caucasianos. Toda esta imagem de rebelião que associamos inequivocamente ao grupo reflete-se na frase criada pelo seu empresário: «Deixaria a sua filha casar-se com um Rolling Stone?». Provavelmente, muitos pais de família dos anos 60 não o permitiriam, mas é precisamente aí que reside a magia e o sucesso dos britânicos.

O alinhamento dos concertos contemplava covers de artistas como Chuck Berry e Muddy Waters, nos primeiros tempos. Contudo, as músicas originais começam a ganhar protagonismo, principalmente com o álbum Out Of Our Heads (1965), o primeiro de muitos discos constituídos maioritariamente por composições da dupla Jagger-Richards. (I Can’t Get No) Satisfaction é lançado nesse ano e transforma-se no maior hit de sempre dos Rolling Stones.

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A partir daí, a banda começa a criar músicas mais longas e arranjos mais elaborados, distanciando-se um pouco do registo rythm and blues pelo qual era conhecida e experimenta, essencialmente em Their Satanic Majesties Request (1967), o rock psicadélico. No ano seguinte, lançam Beggar’s Banquet, álbum que integra Jumpin’ Jack Flash , uma das músicas mais glorificadas de toda a sua carreira, e Sympathy For The Devil, a responsável pelas acusações de satanismo que os Stones sofreriam desde então.

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No ano do Woodstock, Brian Jones abandona oficialmente a banda, afirmando que não assimilara as mudanças musicais experimentadas, e é substituído por Mick Taylor. Passados poucos dias da sua saída, o guitarrista é encontrado morto na piscina da sua casa em Sussex, em circunstâncias até hoje por esclarecer. Em memória do ex-Rolling Stone, o concerto de apresentação do novo membro do grupo adquiriu um significado especial e tornou-se uma homenagem memorável a Jones, diante de um público de 300 mil pessoas, em Hyde Park.

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Ainda em 1969, os Stones lançam o disco Let It Bleed, popularmente visto como sátira a Let It Be, dos Beatles. Em 1970, sai Get Your Ya-Ya’s Out, o primeiro disco ao vivo e é também no virar da década que nasce o logotipo dos Rolling Stones, produzido por John Pasche, a tão afamada boca vermelha com a língua de fora, que é indissociável do grupo.

Em 1971, a banda assina contrato com a Atlantic Records, que lhes permite estrear o selo próprio, Rolling Stones Records. Lançam nesse mesmo ano Sticky Fingers, um dos álbuns mais aclamados pela crítica, que ficou extremamente conhecido pela sua capa, idealizada por Andy Warhol.

Apesar das inúmeras situações que abalaram os Rolling Stones nos primeiros tempos dos anos 70, como os problemas relacionados com a toxicodependência de Keith Richards, a consequente reabilitação do guitarrista na Suíça e as dificuldades financeiras de toda a banda, sai em 1972 o disco duplo Exile on Main Street, considerado pelo próprio Jagger como o «melhor álbum da banda pela sua consistência, plasticidade e versatilidade dos músicos».

Em 1974, Ronnie Wood substitui Taylor na guitarra. E assim permaneceria intocado o grupo, até 1993, com a saída de Bill Wyman. Depois de mais quatro trabalhos, de entre os quais Emotional Rescue (1980), os Rolling Stones assinam com a EMI, onde se estreiam com Tattoo You (1981). Considerado o único sucesso na gravadora até aos dias de hoje, o álbum presenteia os Stones’ lovers com o hit Start Me Up e a balada Waiting On A Friend, originalmente composta em 1973.

Durante a década de 80, os rumores de separação da banda saíram à rua. Os desentendimentos frequentes dos Glimmer Twins (alcunha da dupla de ícones fundadores – Jagger e Richards) deterioraram o ambiente do grupo e todos os membros tomaram distintos rumos, sem nunca ser anunciada a efetiva ruptura dos Stones. Ouvia-se nos meios de comunicação social que os vocalistas não podiam sequer encontrar-se numa sala juntos sem discutirem, mas mesmo assim são publicados dois discos: Undercover (1983) e Dirty Work (1985). Todos lançam trabalhos a solo, enquanto os Rolling Stones se encontram adormecidos, até que, depois de sete anos afastados dos palcos, a banda encosta os problemas pessoais a um canto e regressa às digressões, com Flashpoint, em 1990. Desde então, produziram música continuamente e a fazem periódicas digressões mundiais. A Bigger Bang é o mais recente álbum, tendo sido lançado em 2005.

A melodia áspera dos Rolling Stones é a estrutura base na edificação do seu estilo vincado. Porém, por detrás do som da guitarra elétrica, o público rende-se às letras delatoras de uma sociedade em crise, reivindicadoras da revolta, aos movimentos de Mick Jagger, e adota o cabelo desmazelado e comprido dos Stones. O fascínio que a banda cria ao seu redor apaixona qualquer público.

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Hoje, os Stones são a banda mais antiga da história do rock, com 50 anos de carreira. Em grande parte responsáveis pelo fenómeno da «Invasão Britânica», revolucionaram o cenário musical nos seus tempos primórdios. Nos dias correntes, os Rolling Stones são considerados pelo Hall of Fame como os principais candidatos a “Maior Banda Rock do Mundo”, categoria na qual se encontram apenas os Beatles e os The Who. De facto, é inegável a magnitude que os circunda: nascemos a cantar a Angie, tocamos a Paint It Black no Guittar Hero e desenhámos o logotipo nos cadernos da escola… Os Rolling Stones nasceram para nunca partirem.