Pelo segundo dia a animar a cidade, a Monstra – Festival de Animação de Lisboa – apresentou esta terça-feira curtas e longas-metragens para todos os gostos, desde os filmes em competição, os primeiros especiais de Animação na AlemanhaA Vida das Coisas e Animação em Silhuetas – e ao Japão, com dois filmes no programa: Ghost in the Shell 2 Innocence, de Mamoru Oshii, e Evangelion 1.0, de Hideaki Anno.

 

A Vida das Coisas

A Alemanha abriu a tarde no Cinema São Jorge com a retrospectiva A Vida das Coisas, que reuniu um conjunto de 13 curtas-metragens de cariz experimental, de 1910 até à actualidade, que percorrem temas como a “energia produzida de forma visível, produtos promocionais dançantes, térmites de plástico e aço, encontros surreais”, esta vida “é misteriosa e contudo reveladora de muito acerca das pessoas”. Energy! (2007), The Mysterious Matchbox (1910), The Bottle (1912), Play with Balls (1957), n.n. (2009), Quest (1997), City in Flames (1984), Frühling (1996), Olga Street 18 (2011), Enfant de miel (2002), The Cock (1994) e The Creation (1995) foram os filmes projectados.

Destaque para o vencedor do Óscar para melhor curta de animação, em 1998, Quest, de Thomas Stellmach, cujo personagem – uma espécie de homem de areia – conquista em poucos segundos a simpatia da plateia, ao entrar numa jornada pela procura de água, essencial para que o seu corpo não se desfaça. Olga Street 18 é outra das boas surpresas de A Vida das Coisas, mostrando as mudanças que acontecem na decoração, mobília e objectos de uma casa ao longo de uma vida.

Num aspecto mais comercial e, ao mesmo tempo, histórico, The Mysterious Matchbox, The Bottle ou Play with Balls são bons exemplos de como a animação se pode tão bem aliar à publicidade e de como tal já acontece desde os primórdios do cinema de animação alemã.

Competição de Estudantes 01

Na primeira sessão de Competição de Estudantes, foram muitas e boas as surpresas apresentadas. A concurso estiveram Daphne e Noa (Alemanha), Saída (Israel), No Comando (Republica Checa), Vesúvio (França), Paranóia (Índia), Conto de Fadas (França), 4 5 6 (Taiwan), Heldenkanzler (Alemanha), O Inquilino (EUA), Passado Destruído (Bélgica), Cubolution (Portugal) e Machu & Pichu (Suiça).

Uma das melhores curtas assistidas chegou de França e foi Conto de Fadas, de Jumi Yoon. A história passa-se na Coreia, em 1960, e tem como protagonista uma menina de cinco anos que vive num bordel, mostrando-nos como ela imagina a vida quotidiana numa existência diferente. A criança refugia-se num mundo de fantasia e há neste trabalho toda uma dicotomia de perversidade vs. pureza.

De destacar ainda é Daphne e Noa (realizada por Simon Steinhorst), que nos contam a história da sua família de forma muito original e divertida. Também Helderkanzler, de Benjamin Swiczinsky, que nos conta, com humor, a história verídica de Engelbert Dollfuss, que impôs as suas ideias fascistas na Áustria. Ainda Machu & Pichu merece louvores ao retratar uma caricata e bonita amizade entre um agricultou de batatas nos Andes e uma cobaia.

Depois de um segundo dia de Monstra em grande, esta Quarta-feira trará mais surpresas ao Cinema São Jorge e ao Cinema City Alvalade.

Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.