A entrada do Cinema S. Jorge na Avenida da Liberdade, pelas 21 horas, fazia já prever que a Sala Manoel de Oliveira estivesse completamente cheia para a sessão de abertura da edição de 2012 do MONSTRA– Festival de Animação de Lisboa.

É Fernando Galrito quem abre as hostes do festival, falando alemão, a língua do país em destaque no MONSTRA 2012. O diretor artístico vai percorrendo outras línguas e conseguindo despertar alguns risos na plateia, aumentando o clima de familiaridade do próprio festival, ao mesmo tempo que destaca alguns dos atrativos da edição de 2012.

Entre os convidados para discursar na sessão de abertura contaram-se também Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura de Lisboa, Joachim Bernauer, presidente do Goethe-Institut Portugal, e o criador Raimund Krumme.

COMPOSITIO III

O “espaço de descoberta” do cinema do MONSTRA teve início com a estreia mundial de Compositio III, um filme experimental baseado no expressionismo, no construtivismo e no minimalismo – a trilogia estética Bauhaus que inspirou os criadores portugueses nele envolvidos.

Uma exploração das cores primárias e das várias formas geométricas aliadas a uma música forte é o que nos traz esta proposta sui generis, que prima pela originalidade e que nos consegue prender ao ecrã pela estranheza que é capaz de provocar em nós.

A FÁBRICA

Outra das encomendas que o MONSTRA trouxe em estreia absoluta na edição deste ano foi A Fábrica, uma performance coreografada por Marina Frangioia e com animação de Tiago Albuquerque, que conta com um elenco com cerca de 20 bailarinos.

Fruto de um “espaço de workshop” aberto a todos, este trabalho vem provar-nos que “todos nós podemos ser frutos de uma fábrica”, segundo as palavras de Marina Frangioia, abordando ainda questões relacionadas com a Mulher Contemporânea na sociedade de consumo actual.

O movimento dos corpos alia-se à imagem animada e ao som, criando um resultado à partida estranho para um festival de animação. A verdade é que a performance consegue prender e transmitir bem a sua mensagem, transformando a estranheza num elemento a favor da estética do mesmo.

RETROSPECTIVA RAIMUND KRUMME

A sessão de abertura apresentou ainda uma retrospectiva sobre o criador Raimund Krumme, que marcou presença no evento. Trabalhos como Die Kreuzung e The Message puderam ser vistos pelo público no Cinema S. Jorge.

Do trabalho do realizador fica um conjunto de referências que tornam inconfundíveis os seus projetos. Homens desenhados quase de modo infantil, apenas cabeça-tronco-e-membros, vestidos por uma peça de roupa preta, aliados à simplicidade do preto e branco. As mensagens que consegue passar com o seu trabalho são poderosas e não deixam de aliar uma pitada de humor – que fez soltar alguns sorrisos na sala.

A segunda-feira que marcava a abertura do MONSTRA 2012 terminava com o som da festa de abertura com DJ e VJ, que teve lugar no foyer do Cinema S. Jorge. Um balanço positivo marca o primeiro dia do Festival de Animação de Lisboa.