Foi ontem, dia 18 de março, que a canadiana Leslie Feist e a sua banda se propuseram a apresentar o quarto álbum, Metals, num concerto que esgotou a sala do Coliseu dos Recreios, em Lisboa. A boa disposição e a habilidade experimental dos músicos proporcionaram um espetáculo onde a intensidade dos arranjos eletrónicos e da guitarra impregnaram a “doce melancolia” que caracterizou os álbuns anteriores, de um vigor agressivo e catártico.

Após o sucesso do álbum The Reminder, através do qual provou saber criar melodias pop viciantes, Feist optou pelo isolamento e pela crueza brava do rock que distinguem o aclamado álbum Metals, lançado em setembro de 2011.

O tom melancólico e doce da voz da cantora canadiana evoluiu, para se tornar um instrumento que completa na perfeição a sonoridade agreste, mas particularmente envolvente, deste novo disco. Integrado na digressão mundial da banda, o concerto de ontem em Lisboa foi enriquecido pela presença do trio feminino folk Mountain Man, que utiliza exclusivamente a voz como instrumento. A impressionante habilidade vocal destas raparigas uniu-se à voz suave, mas poderosa de Feist, contribuindo para a energia e autenticidade que contagiaram o público do Coliseu.

Sob o signo da catarse, palavra utilizada por Feist e sobejamente apropriada para descrever este concerto, a cantora incentivou a audiência a dançar ao som das frenéticas e contagiantes I Fell It All e My Moon My Man, a acompanhá-la nas palavras de How Come you Never Go There e de The Circle Married the Line, bem como a suster a respiração face ao intimismo e de So Sorry, Comfort Me, The Limit to your Love e Let it Die. Contudo, o apogeu catártico deu-se com Graveyard, The Bad in Each Other e A Commotion.

Hoje, o Coliseu do Porto será inundado pela experiência que Feist proporcionou ao público lisboeta: íntima e cativante, intrigante e libertadora.