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A Recordar: Julie Andrews

Desde 22 de Janeiro, todos os Domingos até meados de Março, o Espalha-Factos vai recordar um actor ou uma actriz, que tenha marcado a sua época, mas que caiu em esquecimento ou não foi suficientemente reconhecido. Percorreremos actores de diversas décadas, até à actualidade. Falaremos da sua vida, carreira, papéis mais icónicos e do legado que deixaram.

Será para sempre lembrada como Maria, a noviça de Música no Coração, mas a sua carreira conta com outros papéis marcantes como Mary Poppins ou Victoria Grant. Foi uma das actrizes mais famosas de Hollywood, mas houve momentos menos bons para Julie Andrews, que hoje recordamos.

A 1 de Outubro de 1935,  Julia Elizabeth Wells nascia em Walton-On-Thames, em Surrey, na Inglaterra. Muito jovem iniciou o seu percurso artístico nos palcos de Londres, em 1947, com a peça Starlight Roof Revue.

Em 1959, Julie casou com Tony Walton, de quem teve uma filha, Emma Katherine Walton, em 1962. O divórcio aconteceu em 1967. Dois anos depois, em 1969, casou com o realizador Blake Edwards, cujo casamento durou 41 anos até à data da sua morte, em 2010, e com quem adoptou duas filhas.

Em 2000, Julie Andrews foi homenageada pela Rainha Isabel II com a ordem do Império Britânico como Dame Commander of the British Empire. A actriz é também autora de livros infantis, e, em 2008, publicou a sua autobiografia intitulada Home: A Memoir of My Early Years.

Da Broadway para Hollywood

De Londres, Julie Andrews salta para os palcos da Broadway aos 19 anos, em 1954, numa produção intitulada The Boyfriend, a que se seguiram muitos sucessos em várias comédias musicais. Em 1956, Andrews foi a escolhida para o papel de Eliza Doolitle na peça My Fair Lady. Seis anos em cena, foi um grande sucesso, contudo, para a adaptação cinematográfica, Audrey Hepburn foi a escolhida.

Na televisão, o primeiro papel de Julie Andrews foi como Cinderella, em 1957. A sua estreia no cinema deu-se em 1964 no filme da Walt Disney Mary Poppins, tendo recebido o Óscar de Melhor Actriz pelo seu desempenho como protagonista. A inesquecível magia de Poppins e do seu guarda-chuva voador deram a conhecer a Hollywood aquela que seria uma das suas mais famosas actrizes de todos os tempos.

http://www.youtube.com/watch?v=Rg6vc66foXE

Ainda em 1964, Julie Andrews também pôde ser vista em The Americanization of Emily, que a actriz considerou o seu filme favorito. No entanto, foi no ano seguinte que o verdadeiro reconhecimento chegou com Música no Coração, onde a actriz contracenou com Christopher Plummer, e encarnou Maria, a noviça que vai trabalhar como preceptora dos filhos do rigoroso Capitão Von Trapp. Mais uma vez a cantar no cinema, Julie Andrews eternizou canções como The Hills Are Alive ou Do-Re-Mi. O filme recebeu diversas nomeações e ganhou cinco Óscares (Melhor Realizador, Melhor Filme, Melhor Montagem, Melhor Canção, Melhor Banda Sonora Adaptada) e valeu a Andrews a nomeação para Melhor Actriz.

http://www.youtube.com/watch?v=xIjobdArtiA

Um pouco cansada dos estereótipos associados aos seus papéis até então, Julie Andrews começa a encarnar personagens mais dramáticas. Entrou em filmes como Hawaii (1966) e Torn Curtain (1966), de Hitchcock. Por volta dos anos 70, Andrews era uma actriz em declínio, também devido à menor importância que os musicais estavam a ter na Sétima Arte, entrando filmes como A Estrela! (1968), Darling Lili (1970) e A Semente do Tamarino (1974), os dois últimos realizados pelo seu marido Blake Edwards.

Victoria Grant e o declínio nos anos 90

E foi também pela mão do marido que Julie Andrews voltou à ribalta em 1979 com Ten, que abriu caminho para o grande sucesso de 1982 Victor/Victoria, que lhe valeu mais uma nomeação aos Óscares na categoria de Melhor Actriz. Andrews interpreta Victoria Grant, uma cantora que percebe que tem de assumir uma identidade masculina (Victor) para conseguir trabalhar nos cabarets de Paris, nos anos 30. O desempenho da actriz neste filme é fabuloso e esta terá sido a sua última grande interpretação até agora.

http://www.youtube.com/watch?v=qsHVLaNsCSg

Ainda nos anos 80, a actriz entrou em filmes como A Vida é Assim (1986) e Duet for One (1986), que lhe valeram nomeações aos Globos de Ouro. Contudo, desde aí e ao longo dos anos 90, Julie Andrews desapareceu do grande ecrã, fazendo algumas participações em telefilmes.

Sempre distinguida pela sua excelente voz, em 1997 a actriz e cantora deparou-se com uma doença nas cordas vocais que a impediu de continuar a cantar. Andrews teve de ser submetida a uma operação para remover nódulos não cancerígenos da garganta e, em 1999, processou os médicos que a operaram, por lhe terem garantido que voltaria a poder cantar passadas poucas semanas, o que não aconteceu, e já lá iam dois anos.

O Regresso ao Cinema

Foi já no novo milénio que Julie Andrews voltou ao cinema e novamente numa produção da Disney, 37 anos depois de Mary Poppins. Em O Diário da Princesa (2001), ao lado de Anne Hathaway, interpretou a rainha Clarisse Renaldi, papel que repetiu na sequela de 2004, O Diário da Princesa: Noivado Real. Em Shrek 2 (2004), Shrek o Terceiro (2007) e Shrek para Sempre (2010), a actriz deu a voz à rainha, mãe de Fiona.

Desde o seu regresso, Andrews tem continuado ligada a filmes para um público diferente daquele para o qual sempre representou. Agora tem-se dedicado a filmes mais direccionados (mas não unicamente) para um público infanto-juvenil. Recentemente deu também voz ao narrador de Uma História de Encantar (2007) e Gru – O Maldisposto (2010), como a mãe do Gru.

A actriz, que continua também ligada ao teatro, marcou a história do cinema. Esperemos continuar a vê-la no grande ecrã por muito tempo, também em outro tipo de papéis para além das vozes na animação.

Inês Moreira Santos

 *Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.

  1. Julie não caiu no esquecimento, voce nao assiste tv? ela ta dando varias entrevistas e aparece em varios programas ela ja lançou varios livros e eu acho que voces estao errados, me desculpem a ignorancia mas pra uma fã nao é aceitavel que se fale assim de seu idolo e pelo amor de Deus procurem saber mais se querem criar um blog de “sucesso” procurem informaçoes e se aprofundem mais do assunto pois isto esta errado… essa nova geração pode nao saber quem ela é mas outras pessoas sabem e isso é o que importa voces vao procurar algo de melhor pra fazer por que isso ta totalmente errado. E ela nao fez só Mary Poppins e A noviça Rebelde, ela fez tantos outros filmes, por que só lembram dela por causa deles ? ela faz tantos outros trabalhos, ela escreve,ela dirigi peças teatrais entao eu peço denovo por favor antes de falar qualquer coisa procurem saber mais das coisas atuais e nao se baseiem só no que passou

  2. Acho muito piada quando se escreve algo acerca de JULIE ANDREWS, diz-se muita coisa, mas acaba sempre ou Maria de “Música no Coração” ou na “Mary Poppins”, pois tudo o resto não passam de meros filmes,desculpem ,mas estão severamente errados, pois os últimos filmes que fez em que o seu marido foi realizador são algum de fabuloso começando pela “Mulher 10”, “SOB” “A Vida é Assim” que simplesmente passaram por nós, além disso,temos ainda muito mais fabuloso a sua própria vida, como você diz nunca chegou a ser uma estrela como Elizabeth Taylor, mas alguém disse uma referindo-se a JULIE ANDREWS ela nunca foi uma estrela, mas uma “constelação de estrelas”. Gostaria que refletissem só um pouco nisto, quantas artistas do ontem ou do hoje ou do amanhã disseram da boca para fora sem representar “Sou feliz”, é verdade, nenhuma, mas a Grande Senhora JULIE ANDREWS, diz esta frase sempre a sorrir como se a vida se fosse algo de maravilhoso que poucos humanos conseguem atingir tal plenitude…

  3. Bom Artigo!
    Em Portugal, ninguém parece reconhecer solidamente o talento e a importância histórica desta (lendária) actriz britânica que não fez só «Música no Coração». Ela tinha, na verdade, notáveis e variados atributos: cantava, dançava, era brilhante em papéis cómicos, ligeiros e dramáticos, tinha boa presença em palco, uma dicção perfeita e uma estranha voz de incríveis capacidades. Era atraente e luminosa. Ganhou um óscar, emmys, globos de ouro, baftas, nomeações para grammys e para tonys. Não se pode fazer ideia de quantos milhões de cópias venderam os discos dos seus «My Fair Lady» (da Broadway e de Londres), «Mary Poppins» e «Música no Coração». Conheceu sucesso na Rádio, no Teatro, na Televisão (fez uma série de 24 programas com o seu nome e dezenas de aparições em programas dos anos 50, 60, 70 e 80) e no Cinema…
    A imagem de excessiva candura que lhe ficou associada irritou críticos e muitos cinéfilos mas na verdade, ela era uma artista completa. Ela tentou revelar isso mas deficientes meios de distribuição impediram a difusão de trabalhos notáveis como «Dueto Só Para Um» do Andrei Konchalovski – que é um exemplo impressionante do que ela poderia ter mostrado ao mundo se reparassem que era tão convincente como Vanessa Redgrave ou Helen Mirren. «Americanization of Emily» de Arthur Hiller em Portugal não foi levado às salas antes do 25 de Abril. E depois só passou uma vez na televisão portuguesa. «Valores Familiares» (de algum interesse mas de menor valor geral) também não passou pelos circuitos comerciais portugueses.
    O seu casamento com o realizador Blake Edwards acabou cingindo a carreira dela ao trabalho dele. «Victor Victoria» é um bom resultado. «Darling Lili», também. Mas vários outros filmes de Edwards não a enaltecem nem aos seus talentos interpretativos. Se eu fosse casado com ela e um bom cineasta, nunca a convidaria para um filme meu onde iria destacar sobranceiramente outra actriz («10 – Uma Mulher de Sonho».) Não entenderia o propósito. Nem lhe ofereceria papeis mediocres («The Man Who Loved Women», «SOB» ou mesmo «Semente de Tamarindo»). Mas enfim…
    Não tendo aprimorado as suas escolhas cinematográficas numa carreira continuada – como uma Meryl Streep ou uma Ingrid Bergman – Julie Andrews acabou perdendo credibilidade junto dos produtores dispostos a apostar dinheiro nela. Não tendo morrido nova, não se estabeleceu como um mito. Ainda bem que não morreu nova, ainda assim…
    Não entendo bem, no entanto, que Elizabeth Taylor (da mesma geração e nacionalidade) tenha maior estatuto que ela. Ou que Audrey Hepburn venda tantos posters e merchandising, quando de Andrews apenas se diz «aquela da “Música no Coração”»…
    Em termos cinematográficos ela poderia ter sido uma Shirley Maclaine – com atributos complementares. Como a realidade é o que é e não o que podia ter sido, ela permanece para a maioria das pessoas como a Maria von Trapp ou a Mary Poppins. O que não é pouco. Mas não diz tudo!
    Estes videos do Youtube são emblematicos.
    Vou continuar atento aos vossos textos.
    Os meus cumprimentos! Saudações cinéfilas!

  4. É uma actriz por quem tenho especial carinho, e de natureza quase inexplicável: embora não a considere extremamente talentosa, encarnou um conjunto perfeito e irresistível de personagens que a tornam num nome impossível de referir quando se traça a História do Cinema.

    Da carreira dela, destaco MARY POPPINS e VICTOR/VICTORIA. Penso que são os meus favoritos.

    Bem recordado, Inês! 🙂

    Cumps cinéfilos.

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