Na 8ª edição, o BES Photo assume-se como o maior prémio de fotografia e de arte contemporânea portuguesa. Uma iniciativa anual do Banco Espírito Santo em parceria com o Museu Coleccção Berardo e a Pinoteca do Estado de São Paulo.

Rosangela Rennó, Duarte Amaral Netto, Mauro Pinto e Cia de Foto foram os artistas seleccionados para participar na edição deste ano do prémio com os seus trabalhos inéditos a concurso. Inaugurada esta quarta-feira, contou com a presença dos fotógrafos a concurso e de Joe Berardo, entre os vários convidados.

Em exposição está um conjunto de fotografias que falam a língua portuguesa. Com ou sem sotaque, a mostra apresenta quatro visões da fotografia, quatro histórias por quatro fotógrafos lusófonos.

Perfil do prémio

Lançado há seis anos, com o objetivo de premiar criadores portugueses ou residentes em Portugal que apresentassem trabalhos no âmbito fotográfico, num determinado período.

Helena Almeida foi a vencedora da 1ª edição, em 2004, seguindo-se José Luís Neto, Daniel Blaufuks, Miguel Soares, Edgar Martins, Filipa César e Manuela Marques.

À semelhança da novidade introduzida na última edição, este ano o prémio conta novamente com o alargamento da participação a artistas de países lusófonos. As três entidades promotoras do BES Photo assumem a internacionalização do prémio com o “intuito de promover a criatividade e integração dos artistas plásticos contemporâneos de língua portuguesa no panorama internacional e com a ambição de construírem aquele que será o maior prémio de arte contemporânea do Atlântico Sul”.

Os finalistas a concurso foram conhecidos em Setembro de 2011, seleccionados por um júri composto por Diógenes Moura, curador de fotografia da Pinoteca do Estado de São Paulo (Brasil), Delfim Sardo, curador, crítico de arte e professor (Portugal) e Bisi Silva, curadora e fundadora/directora do Centro de Arte Contemporânea. A escolha dos artistas para o prémio teve por base o acompanhamento do trabalho destes nos 12 meses anteriores à decisão final.

Cada um dos seleccionados recebeu uma bolsa de produção para a realização dos trabalhos que apresentam agora na exposição BES Photo.

Os trabalhos dos fotógrafos serão avaliados por um Júri de Premiação de composição internacional composto por Dirk Snauwaert (Bruxelas), Dominique Fontaire (Montreal) e Ulrich Loock (Berlim). A decisão final será conhecida a 17 de Abril e o vencedor da 8ª edição do BES Photo receberá um prémio monetário no valor de 40.00 €.

Cia de Foto (Brasil)

Cia de Foto é o nome do colectivo formado pelos fotógrafos Pio Figueiroa, Rafael Jacinto, João Kehl e Carol Lopes. Nascido em 2003, na cidade de São Paulo, o conjunto descreve a CIA como um “ambiente de produção de imagens, dinâmico, criativo e sustentável”. Nos seus trabalhos, “tudo [aqui] tem um olhar colectivo”.

Para o júri do prémio, a “qualidade da série Carnaval (apresentada no âmbito do New York Photo Fest), num processo de trabalho que revela segurança técnica e, sobretudo poética”, garantiu ao colectivo um lugar nos finalistas.

A concurso está a série de fotografias Agora (2011). É definido pelos artistas como “um trabalho instrospectivo que parte de experiências vividas por nós, mas que ainda responde à vontade de discutir a fotografia de uma maneira ampla”. É, assim, a própria fotografia o tema central da exposição. Da mesma, fazem parte dois vídeos e um conjunto de outros sons que os autores garantem ser, também, fotografias.

Agora_006

Duarte Amaral Netto (Portugal)

Licenciou-se em Comunicação Cultural pela Universidade Católica Portuguesa e completou o Curso Avançado de Fotografia do Programa Gulbenkian da Criatividade e Criação Artística em 2005. Expõe regularmente desde 2000.

O único fotografo português a concurso apresenta Z (2012), um trabalho que começou a ser pensado há cerca de cinco ou seis anos, quando descobriu uns negativos de um familiar que tinha ido fazer um curso de planador à Alemanha no início dos anos 30. Um conjunto de fotografias que, segundo o autor, “carregam um peso histórico e factual que é impossível contornar”.

A sua escolha “resultou do trabalho que tem vindo a desenvolver ao longo de uma década, e especialmente, pela qualidade conceptual da exposição The Polish Club Case, apresentada em Lisboa”.

Uma exposição, um álbum de família, fotografias com histórias dentro – a história de Z, a personagem que vemos e cuja identidade foi ocultada pelo autor.

Z

Mauro Pinto (Moçambique)

Um dos fotógrafos moçambicanos com maior visibilidade internacional expõe regularmente desde 2000. Formado em fotografia na Monitor Internacional School, o seu percurso na fotografia acompanha o de outros fotógrafos como José Machado e Ricardo Range, ambos moçambicanos.

A Lisboa traz o bairro de Mafalala, em Moçambique, congelado num conjunto de fotografias sob o título Dá Licença (2011). O bairro de nomes conhecidos como o do escritor José Craveirinho ou Eusébio é ilustrado num conjunto “de casas de madeira e zinco, de que ouvia falar quando era pequeno e adolescente”, diz o fotógrafo.

Casas e caras desconhecidas são invadidas cada vez que cada fotografia é contemplada. A privacidade do retratado terminou no momento do disparo. “Cada casa tem o seu cheiro, ruído, por vezes com um silêncio ligeiro, e a musicalidade do bairro tem estas misturas de culturas, religiões e luz”.

A forma coerente como tem vindo a efectuar o mapeamento e a representação de Moçambique” foi um dos critérios da escolha do fotógrafo moçambicano. Assim como o seu destaque na exposição Maputo, Luanda, Lubumbashi em Lisboa.

Dá Licença

Rosângela Rennó

Uma referência no mundo da fotografia brasileira, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formou-se em Artes Plásticas pela Escola Guignard e em arquitectura pela Universidade Federal de Minas Gerais.

As suas primeiras obras datam do final da década de 80 e tinham como base fotografias de álbuns de família. Os seus trabalhos caracterizam-se por fotos 3×4, produzidas em estúdios populares, e abordam temas acerca da natureza.

A nomeação de Rosangela Rennó resultou da “complexidade da forma como tem desenvolvido uma maturada reflexão sobre a natureza do fotógrafo, articulada com o papel da memória”.

Lanterna Mágica (2012) é composta por uma série de fotografias trabalhadas em laboratório. “Nunca penso no objecto antigo como um retorno no tempo”, diz. Talvez por isso a maioria dos negativos com que trabalha sejam comprados em segunda mão. Cada negativo serve, depois, como matriz para quatro imagens diferentes. A magia da lanterna é contada pelas fotos e por uma área reservada na exposição a projectores de diapositivos.

Lanterna Mágica

A exposição estará aberta ao público até 27 de Maio no Museu Berardo. A entrada é livre. Depois de Lisboa, a exposição viaja mais uma vez até ao Brasil, inaugurando no dia 16 de Junho na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

O Espalha Factos esteve presente na inauguração. Vejas as fotos.

Fotos por Rita Sousa Vieira

* Este artigo é, por opção do autor, escrito ao abrigo do Antigo Acordo Ortográfico.