Conhecemos esta semana sete novas canções representantes no Festival Eurovisão da Canção, entre as quais as muito aguardadas finais nacionais de Portugal e Suécia. Todas as músicas, e respetivos comentários, bem como uma desistência… já a seguir.

Se mantivermos a tradição do Objetivo: Baku, começamos por ordem alfabética. Mas começamos por ordem alfabética para quebrar a tradição, porque não anunciamos uma nova canção, mas sim uma desistência.

A Arménia desistiu esta semana do Festival Eurovisão. Um cenário já antecipado por vários analistas, tendo em conta a difícil situação de relações externas entre este país e o Azerbaijão, por via da disputa da região de Nagorno-Karabakh. A delegação armena considera que não estavam garantidas todas as condições de segurança para a participação do país. O país participa no evento desde 2006, nunca tendo ficado abaixo do 11.º lugar, resultado que alcançou no último ano, com Boom Boom.

http://www.youtube.com/watch?v=epCcCwHjY9U

A Eslováquia aposta este ano em Max Jason Mai. O jovem cantor é uma estrela no país de origem, apresentando uma canção que nos faz lembrar duas das suas maiores influências: 30 Seconds to Mars e Alter Bridge. As apostas de pop-rock comercial dos outros países já são conhecidas e abundantes na edição deste ano, porém, da Europa Central chega-nos uma aposta ligeiramente mais pesada. Tão pesada que Max foi impedido de apresentar a canção num programa da televisão eslovaca. Por ser tão diferente do habitual estilo eurovisivo, julgamos que pode chegar à final.

http://www.youtube.com/watch?v=Cvb-6SBEeE4

A bancarrota chegou à Grécia e parece que o que também faliu foi a criatividade. Em Atenas, a escolhida foi Eleftheria Eleftheriou, com Aphrodisiac. Uma música com algum sex-appeal, mas que repete, uma vez mais, a bem sucedida fórmula instrumentos tradicionais + batida dance + miúda/rapaz gir@. Quase parece o regresso de Kalomira. Acreditamos que os gregos estejam a tentar não ganhar, devido aos custos elevados de um Festival da Eurovisão. O que nos chateia é que mesmo a tentarem não ganhar conseguem apresentar uma música bastante superior à maioria das do nosso Festival da Canção.

http://www.youtube.com/watch?v=F6Apd0_0CSs

Se a Espanha optou por uma balada, a Roménia faz a sua vez na movida. Mandinga apresenta um dance de praia, que lembra tantas referências diferentes como Michel Teló, Pitbull, Edward Maya ou Inna. Em espanhol e inglês, esta é a bomba latina do ano. Pode não ganhar, mas tem presença assegurada nas noites de Ibiza. O videoclip é paradisíaco, e no meio de tantas baladas, achamos que o resultado também pode ser.

http://www.youtube.com/watch?v=l3ukcxou2xI

Portugal já escolheu. Numa inédita unanimidade entre júri e público, Vida Minha é a canção que Filipa Sousa apresentará em Baku. Carlos Coelho e Andrej Babić são repetentes, e esperemos nós que com um resultado ainda superior ao de Senhora do Mar, representante nacional na edição de 2008. A nova música da dupla é bastante semelhante à que Vânia Fernandes cantou, mas até maio ainda há melhorias a fazer e Filipa até fala em cantá-la em inglês, pelo menos parcialmente. De vez em quando soa a tango, outras vezes lembra as baladas croatas ou sérvias. Um quase-fado, com uma belíssima intérprete e que dependerá totalmente da sua interpretação para conseguir alcançar a final. Mas não será fácil. Nada fácil.

http://www.youtube.com/watch?v=WW2X9kSM3a0

A Rússia de Dima Bilan, T.A.T.U ou Serebro também é capaz de outras ousadias. O vencedor de 2009, Bilan, tentou a sua sorte, num dueto com Julia Volkova, mas foi ultrapassado pelas avós de Buranovskiye. As velhinhas querem Party for Everybody na primeira semi-final da Eurovisão, a 22 de maio. Já são conhecidas como as Mulheres da Luta, mas ninguém se atreve a dizer que a Mãe Rússia se ficará pela semifinal, contrariamente ao que aconteceu aos malogrados representantes nacionais na edição do ano passado. Mais análise para quê? É top 5 e mais nada.

http://www.youtube.com/watch?v=sXuqejF1qZM

A Sérvia aposta numa canção que nos soa a familiar. Lane Moje, representante da ainda Sérvia-Montenegro em 2004, ou ainda Lelja e Rijeka Bez Imena, escolhidas pela Bósnia-Herzegovina em 2006 e 2007, são só as primeiras três deste género que me consigo lembrar. A própria Molitva, primeira participação da Sérvia, e vencedora em 2007, tem semelhanças com esta nova balada de Željko Joksimović. Não é má, longe disso, e continuará a atrair os votos regionais, mas exigia-se um bocadinho mais do que voltar ao mesmo de sempre. O timbre de Željko não ajuda a canção, que ganharia pontos com uma voz mais límpida. Até ao lavar dos cestos é a vindima, e a versão final, a ser apresentada em maio, tem presença garantida na final. Aposta da casa.

http://www.youtube.com/watch?v=pPMNXJifN9Y

A maior final nacional da Europa, o Melodifestivalen, atrai espectadores de todo o velho continente e prolonga-se ao longo de vários meses. A competitividade é altíssima, e o público sueco dá mais importância ao MF do que à própria Eurovisão. Loreen foi a favorita do público e dos júris, mas também da audiência internacional, que não deu espaço a Danny Saucedo, segundo classificado pelo segundo ano consecutivo. O tema ganha pela originalidade da apresentação em palco, que nos deixa esquecer que é só mais um schlager sueco.

http://www.youtube.com/watch?v=PzPzAj6cT58

Ficam a faltar sete países na contagem decrescente para Baku. Até lá, acompanha tudo no Espalha-Factos.