Dois são os projectos portugueses que se juntam esta semana ao filme Florbela, de Vicente Alves do Ó, para o qual as atenções ao nível de estreias nacionais de sétima arte estão viradas.

A curta metragem O Dia Mais Feliz da Tua Vida, de Adriano Luz, e Em Câmara Lenta assinado por Fernando Lopes juntam-se ao inventário do cinema português.

O DIA MAIS FELIZ DA TUA VIDA – 4/10

Se a curta metragem de estreia de Adriano Luz como realizador exemplificar aquilo que o também ator tem para oferecer ao panorama cinematográfico português, não devemos ficar muito expectantes relativamente a futuros projetos.

A película traz a história de um casal marcado pela doença terminal do marido interpretado por Miguel Borges. Os laços de amor são a ligação que permite suster a relação quando a morte é uma inevitabilidade. A partir daí surgem as cedências aos desejos que pretendem tornar mais felizes os últimos minutos de vida.

Apesar da precisão na filmagem e da banda sonora simples (mas bem conseguida), O Dia Mais Feliz da Tua Vida não consegue agarrar nem convencer.

Resta esperar que Adriano Luz consiga surpreender num projeto futuro porque há potencial. A curta-metragem de estreia simplesmente não foi o melhor pontapé de saída.

Ficha Técnica:

Título Original: O Dia Mais Feliz da Tua Vida

Elenco: Miguel Borges, Carla de Sá, Romeu Costa

Realizado por: Adriano Luz

Escrito por: Pedro Lopes

Género: Drama

Duração: 23 minutos

EM CÂMARA LENTA – 5/10

Quem também dificilmente consegue agarrar o público é Em Câmara Lenta, o novo filme de Fernando Lopes. Um mergulho talvez demasiado profundo para conseguir tornar a película, de uma forma contínua, cativante.

Santiago, interpretado por Rui Morrison, mergulha no mar. Um mergulho transformado em retrospetiva, em câmara lenta, da sua vida. A procura de respostas sobre si mesmo no meio de uma vida dupla entre a paixão por Constança (Maria João Pinho) e o casamento com Laurence (Maria João Luís) e marcada pela amizade e companheirismo fortes com Salvador (João Reis).

O grande destaque ao nível de interpretação vai para João Reis, que se diferencia no meio de vários trabalhos de personagens cuja densidade parece não ter sido atingida da melhor das formas. João Reis retrata com excelência um fotógrafo abandonado pela mulher devido aos problemas com o álcool e que escreve no seu diário os anseios de um regresso da relação, aos quais se juntam ainda outros sonhos. A pequena participação de Maria João Bastos traz também ao filme algum ar fresco e bem disposto, no meio de uma ação pesada.

O ritmo é um dos grandes problemas que o filme coloca ao espectador. Demasiado lento, traz ainda algumas lacunas ao nível de organização e encadeamento de ação, deixando alguns “buracos” que poderiam trazer uma dinâmica mais atrativa. À medida que avança, o filme vai-se tornando cada vez mais pesado e melancólico (atingindo talvez um dos objetivos do realizador).

É inevitável dizer que Em Câmara Lenta nos traz beleza nos planos, no jogo de luzes, nos detalhes das cenas e dos diálogos, nas personagens cuja essência é diferente. Contudo, toda esta composição acaba por tornar o filme demasiado pesado.

Não é um trabalho para ver de ânimo leve para que as várias subtilezas presentes consigam ser embarcadas pelo espectador.

Ficha Técnica:

Título Original: Em Câmara Lenta

Elenco: Rui Morrison, João Reis, Maria João Luís, Maria João Pinho, Maria João Bastos

Realizado por: Fernando Lopes

Escrito por: Rui Cardoso Martins a partir do livro homónimo de Pedro Reis

Género: Drama

Duração: 71 min