When tool met wood, de Wim Mertens é o nome da encomenda Guimarães 2012, que teve estreia mundial na passada noite na cidade-berço.

Integrado num programa de obras estreadas na Capital Europeia da Cultura 2012 e explorando a teatralidade da música, este concerto juntou Wim Mertens à Fundação Orquestra Estúdio, projeto liderado pelo maestro Rui Massena.

O domínio do piano e da guitarra clássica do belga, bem como a boa colocação da sua voz aguda, tornaram-no reconhecido internacionalmente, pela diversificação de composições e pelos mais de 50 álbuns já lançados. Quer a solo, quer com o seu ensemble, Mertens já percorreu o globo. Inspiração e transpiração, um feliz casamento testemunhado por mais de 800 pessoas.

A obra de Wim Mertens é muitas vezes integrada nas correntes do minimalismo musical, mas ao longo de mais de 30 anos de carreira já são inúmeras as suas colaborações com outros criadores, nomeadamente de outras linguagens artísticas e cénicas, do teatro à dança e ao cinema. O seu trabalho abre-se a um público abrangente e aproxima-se regularmente do registo pop, o que abre o caminho a um público mais alargado.

Num ambiente encantador, Mertens conseguiu colocar as mentes da assistência a deambular. Grande Auditório cheio, como tem sido habitual. Mais uma prova do sucesso da Fundação Orquestra Estúdio, projeto multicultural liderado pelo maestro Rui Massena.

Artistas são aqueles que demonstram a sua grandeza pelo que fazem e pela reação que conseguem obter do grande público. Mertens foi exímio nesse ponto. A assistência ontem presente em Guimarães foi arrebatada pela simpatia e brilhantismo do experiente compositor belga. Uma experiência de emoções fortes, em que Mertens demonstrou que, para si, compor para uma orquestra sinfónica envolve uma mistura da teoria e prática performativas. O espaço de encontro entre o piano de Mertens e a Orquestra foi fechado. Construíram um mundo de transformação vagabunda, cerrada, mas simultaneamente brilhante e mágica.

When tool met wood dilui a homogeneidade, numa incorporação variada de cortes e descontinuidades, naquilo que constitui uma interpenetração fascinante. A peça revela muita da realidade musical destes dias e uma complexidade incrível que espreita a fusão com outras realidades.

Um espetáculo comovente conseguiu ofuscar o cansaço de uma habitual quarta-feira de trabalho. Objetivo alcançado: era o que se pretendia.