Alex Jasen contribuiu para que o sentido militarista de uma máquina fotográfica alcançasse outro sentido. Não existem metáforas escondidas, não existe uma mensagem política subentendida, não são denunciadas violações, não existe sequer uma fotografia. Jansen não é sequer fotógrafo de profissão. A sua profissão nem está ligada ao mundo das artes – isto se esquecermos a ideia que pressupõe a obra mais conhecida de Sun Tzu, A Arte da Guerra.

Jasen é um oficial do Exército norte-americano que deixou de lado a arma e pegou na máquina fotográfica. A missão do fotógrafo guerreiro é uma batalha. Não é simples. O conflito homem-máquina fotográfica / meio-fotografia ao enfrentar a ausência de tripé em cenários de noite ou em ambientes com limitações e obstáculos.

O guia é baseado nos quatro fundamentos da estratégia de tiro utilizada pelo Exército dos EUA (marksmanship): posição, pontaria, controlo da respiração e controlo do disparo. O autor é um utizador registado do site DPReview Pentax SLR Forum, local onde o tutorial foi publicado. Não se assume como um “pro” na área, mas reconhece entender os fundamentos da fotografia e do disparo. Nunca antes o significo de “shoot” (disparo) fez tanto sentido para a gíria fotográfica.

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Às suas posições fotógrafos. Preparar, apontar e… disparar. Perdão, fotografar.

As técnicas que o manual propõe não procuram facilitar a vida ao fotógrafo. Seguem a máxima militar, o objectivo é a qualidade da fotografia final. Jasen enfatiza a ideia de que adquirir estas técnicas requer prática e a repetição exaustiva até ser atingida a perfeição e um estado onde estes “fundamentos se tornem numa segunda natureza”. Sugere a quem queira seguir este plano de treino que o faça por etapas e sem pressas.

Making the Most of Long Exposure Handhelds” está dividido em oito pontos e está disponível para consulta online aqui.

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A primeira lição a tirar é bastante simples e genérica: a posição corporal e de cada parte que o compõe é importante. Cada membro tem uma função e uma posição mais correcta para o disparo certeiro e focado. O centro de equilíbrio entre a máquina e o sistema de lentes é desigual devido ao peso e ao comprimento da própria lente. A posição das mãos, ombros e a postura física garantem menor ou maior estabilidade e influenciam os resultados, determinando uma melhor ou pior fotografia.

O ambiente e o local também têm influência na fotografia desejada. A pensar nisso, Jasen dedica um capítulo onde indica diferentes técnicas para preparar a câmera e o fotógrafo às características do terreno. Na ausência de tripé, o meio envolvente e o próprio corpo podem ser boas e rápidas soluções para a sua substituição.

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A respiração é outro elemento importante a ter em conta no momento em que o botão de disparo é accionado. Aqui, o fotógrafo tem de adaptar as suas condições físicas aos resultados que consegue obter. Jasen sugere duas técnicas: expirar, inspirar e conter a respiração ou inspirar, expirar e suster.

A última dica parece um pouco descabida, mas é vital para garantir a plena simbiose entre a cara e a máquina. O que fazer com o nariz? O militar ilustra com imagens de treino militar e sugere conceder ao nariz um lugar cativo, um sítio onde este seja automaticamente e instintivamente encaminhado a cada momento de disparo.

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“Se a sua câmera é uma arma, então o botão do obturador é o seu gatilho”. Há que ser firme no momento do disparo. Jansen descreve como o fazer, “aperte-o lentamente” ou “use um temporizador de mão”.

Aos mais curiosos, todas as fotografias apresentadas no artigo foram feitas com uma Pentax K-5, utilizado as objectivas DA 12-24mm f/4, DA 18-55mm f/3.5-5.6 WR e DA 55-300mm f/4-5.8. O autor recorreu a alguns manuais de técnica de pontaria e disparo na sua pesquisa e recolha de informações, tais como Basic Rifle Marksmanship ou Field Manual (FM) 3-22.9.

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No mesmo fórum podem, ainda, ser lidos outros contributos deixados pelos utilizadores como “Old School Ideas for Digital Photography” ou “Star Trail Photograph: an introduction”.

Roubando algumas palavras a José Mário Branco, a máquina fotográfica “é uma arma, eu não sabia; tudo depende da bala e da pontaria”.

* Este artigo é, por opção do autor, escrito ao abrigo do Antigo Acordo Ortográfico.