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GfK: medição das audiências televisivas causa polémica

O novo sistema de medição de audiência entrou em vigor no dia 1 de março e o resultado foi uma onda de polémica. A GfK será a empresa que medirá as audiências televisivas nos próximos 5 anos, no entanto, o consenso está longe de ser atingindo. As audiências de quinta-feira foram as únicas a ser reveladas, até este momento, e podem ser consultadas aqui.

A Comissão de Análise de Estudos de Meios, a CAEM, designou a GfK Portugal como a empresa que, a partir de 2012, iria medir as audiências de televisão em Portugal. Após dois adiamentos, é no dia 1 de março que, após semanas de estudos e testes, as audiências são pela primeira vez divulgadas. A estreia da nova tecnologia utilizada, o audio-matching, prometia trazer mais rigor mas a polémica instalou-se em todos os órgãos de comunicação social, principalmente no canal do Estado, a RTP.

A GfK, no primeiro dia de divulgação, atrasou-se e os dados não saíram ao início da manhã, como é habitual. A situação foi justificada por problemas de ordem técnica que surgiram com atualizações de software. No entanto, é de recordar que é a Marktest quem faz a conversão dos dados recolhidos pela GfK. Fernando Cruz, diretor executivo da CAEM, responsabilizou a Marktest pelos atrasos e não a GfK. Nesta guerra GfK vs Marktest, muito mais rolou nestes dias. A Marktest, que deixaria de revelar as suas medições, continuou a divulgar os dados recolhidos pela Kantar Media: quinta-feira, a empresa forneceu no seu site o top15 dos canais mais vistos e os 50 programas mais vistos do dia. O programa mais visto do dia segundo a Marktest teria sido o Telejornal com 12,7% de rating e 31,5% de share, números que contrastam com a medição da GfK. Segundo a GfK, o Telejornal nesse mesmo dia obteve 9,4% de audiência média e 21,3% de share.

O confronto continua quando o Correio da Manhã apresenta os dados comparativos das duas medições. Segundo o jornal, na quarta-feira passada as medições da GfK indicaram que o Cabo e Outros chegaram aos 33,6%, seguido da TVI com 22,3%, da RTP1 com 21,1% e da SIC com 20%. Por outro lado, as medições da Marktest apontavam para uma vitória da RTP1 com 27,2% de share, seguida da Cabo e Outros com 26% da TVI com 22,1% e da SIC com 21,6%.

Em volta dos erros apontados a este novo sistema, emergem problemas como o registo de audiência de canais por cabo em lares sem subscrição de televisão paga, televisões ligadas 24 horas seguidas, o visionamento de canais em simultâneo, a medição de audiência de canais espanhóis na fronteira, a amostra idosa apontada pela RTP1 como insuficiente, o jogo entre o Benfica e o Braga que esteve a 0% de share por 20 minutos, entre outras situações. O acesso ao cabo sem subscrição é reconhecido por Fernando Cruz, diretor executivo da CAEM, que afirmou que esses casos “ficarão sob observação”.

A RTP1 e a TVI mostraram-se, durante a fase de testes, descontentes com as medições feitas pela GfK. Se por um lado a RTP1 manteve a sua posição, a TVI mostrou-se já tranquila, como revelou o diretor-geral do canal ao Meios e Publicidade: “não temos nenhuma razão para desconfiar do sistema”. José Fragoso diz que acredita no painel, afirmando que “a sua prestação tem vindo a melhorar e os resultados estão em linha com a nossa expectativa”.

No entanto, a RTP1 continua a favor do adiamento desta nova medição. A principal afronta ao sistema é feita na amostra idosa que este contém, uma vez que não se encontra de acordo com a realidade portuguesa, segundo os estudos da RTP1. A estação do estado recorreu à consultora Ernst&Young que realizou um relatório de análise ao sistema, onde se verificavam anomalias como esta. Outro dado incoerente foi o do jogo Portugal – Polónia, emitido na quarta-feira, em que os dados da GfK ficaram significativamente abaixo dos dados recolhidos pela Marktest, segundo revelou o jornal SOL.  Na internet, é o jornalista João Fernando Ramos que no seu Facebook mais tem falado desta situação: “Na grande mentira da medição das audiências da televisões, há um dado notável… entre muitos. O Diário da Manhã na SIC em simultâneo com a SICN, às 6 da manhã tem mais audiência que a Praça da Alegria na RTP. Alguém acredita nisto? Mais…a repetição de Os Maias na SIC às 02:36 tem mais audiência que a Praça da Alegria?”. A Praça da Alegria da RTP1 obteve neste dia 1,1% de rating e 9,6% de share, valores muito inferiores ao que normalmente obtém.

Porém, não é só nas generalistas que as polémicas se desenrolam. A SIC Notícias, por exemplo, saiu da liderança dos canais Cabo, que é agora ocupada pelo Disney Channel. No desenrolar de toda a polémica, há ainda a introdução de uma nova categoria: Outros. Este novo item engloba o consumo não televisivo feito através da TV, assim como os vídeo-jogos, o visionamento de gravações, entre outros. Fernando Cruz explica que o novo sistema da GfK “deteta todas estas situações, uma vez que se pretende que esteja o mais próximo possível da realidade”. O maior registo na categoria Outros é entre as 22h e as 3h da madrugada.

Ao que tudo indica, os dados da GfK demonstram ainda a existência de várias ilegalidades, detetando visionamento de canais por cabo em casas que não os têm subscritos. Quanto às classes médias e altas dos centros urbanos são poucos os que consomem televisão generalista, gravando só um ou outro programa do horário nobre, segundo as novas medições. A indicação é ainda a de que as televisões espanholas – as quais televisões da fronteira têm acesso através da TDT espanhola – têm mais audiência que as próprias televisões portuguesas nesses locais.

Esta noite, António Salvador, da GfK, será entrevistado no Hoje, da RTP2.

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