Trompetista, compositor e bandleader de jazz norte-americano, no Gira o Disco desta semana, o Espalha-Factos destaca a vida e carreira de Miles Davis.

Desde a II Guerra Mundial, Miles Davis esteve sempre no topo do jazz acompanhando o seu crescimento. Foi aos treze anos de idade que Miles entrou no mundo da música. Tudo começou quando o seu pai, Dr. Miles Davis, lhe ofereceu um trompete e lhe pagou aulas com um trompetista local, Elwood Buchanan. Desviando-se do piano, e consequentemente do sonho da sua mãe, Cleota Mae, o pequeno artista aprendeu a tocar de uma forma única: sem vibrato e num timbre limpo. E essa assinatura musical é uma das características mais fortes da sua música. “Eu prefiro um som agradável sem atitude, como uma voz agradável sem muito vibrato e sem muitas linhas de baixo. No meio termo. Se eu não consigo esse som, então não consigo tocar nada”, afirmou Miles Davis sobre a sua forma de tocar.

Influenciado por diversos artistas jazz como Clark Terry, aos dezasseis anos fazia parte de um círculo de músicos e aos dezassete tocou no grupo de Eddie Randle.

Mas a carreira do jovem Davis não parava de evoluir. Em 1944 mudou-se para Nova Iorque e em 1945 fez as suas primeiras gravações com o cantor de blues “Rubberlegs” Williams e o sax-tenorista Herby Fields. Quatro anos mais tarde, desenvolveu-se como artista a solo e começou a trabalhar num grupo que apresentava uma musicalidade diferente com o recurso à trompa e à tuba. Foi aí que conheceu Gerry Mulligan e Lee Konitz. Após várias apresentações no Royal Roost Club, em Nova Iorque, o grupo assinou com a Capitol Records e, em 1950, vários singles foram lançados fazendo com que a carreira de Davis não parasse de crescer.

Visitou a Europa em 1949 e apresentou-se ao público europeu no Paris Jazz Festival que o aceitou de forma diferente que o americano. Miles Davis não aguentou a pressão e cedeu às drogas acabando por ficar viciado em heroína. Rapidamente, o estrelato ficou esbatido pelas atitudes irresponsáveis que tinha devido às drogas.

httpv://www.youtube.com/watch?v=TATCc-a0LFE

Porém, algum tempo depois, Miles Davis abandona o mundo das drogas, e emerge totalmente na sua carreira. Cresce enquanto pessoa e enquanto músico e surgem os álbuns que o eternizaram no mundo do jazz: Bag’s Groove, Miles Davis and the Modern Jazz Giants e Walkin’.

Em 1955, Miles Davis surge acompanhado por John Coltrane, Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones, num grupo chamado Miles David Quintet. Sob o lema “não toque o que está lá, e sim o que não está”, o músico mostrou ao mundo a sua versatilidade. Mas, em 1957 o grupo acabou.

Foi com Gil Evans que Miles Davis reencontrou o seu caminho quando, nos finais dos anos 50 e inícios dos anos 60, gravou uma série de álbuns como Miles Ahead (1957), Porgy and Bess (1958), Sketches of Spain (1959), Miles Davis at Carnegie Hall (1961) e Quiet Nights (1962).

Miles trabalhou vários temas de outros artistas muito conhecidos pelo público. Time After Time de Cyndi Lauper e Human Nature, de Michael Jackson foram algumas das músicas que o fizeram chegar a outro tipo de público a que não estava habituado.

httpv://www.youtube.com/watch?v=OddHP8_Em7s

E a vida é efémera e deixa muita coisa por fazer. Miles Davis morreu a 28 de Setembro de 1991, com 65 anos, vítima de AVC, pneumonia e insuficiência respiratória. Encontra-se sepultado no Woodlawn Cemetery em Bronx, Nova Iorque.

O trabalho de Miles Davis é, ainda hoje, muito admirado por vários nomes influentes da música e, sobretudo, do jazz. Ao longo da sua carreira, foi premiado nas mais diversas categorias, como por exemplo o Grammy por Melhor Performance de Jazz Instrumental pela música We Want Miles, em 1982, Sonning Award por Conjunto da Obra, em 1984, em 1990, recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award que se destina a premiar a obra de um artista e, mesmo após a sua morte,  o seu trabalho continuou a ser relembrado um pouco por todo o mundo. Hoje em dia possui uma estrela no Passeio da Fama e foi Triplo de Platina pela RIAA por Kind of Blue.

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945