O primeiro triplic’ARTE mini-fest teve lugar no dia 16 de Fevereiro no Musicbox em Lisboa, e o Espalha-Factos não podia deixar de marcar presença neste evento, palco de variadas manifestações artísticas.

A associação triplic’ARTE, nascida em Março de 2011 da necessidade de “mostrar o que se faz por cá”, e funcionando como “um ponto de encontro, obrigatório, para quem não olha a estilos nem géneros, mas sim à Arte de criar”, organizou no passado dia 16, um festival no Musicbox, com o entuito de apoiar e divulgar novos artistas. O evento centrou-se na apresentação de três curtas-metragens, finalistas de um concurso promovido pela mesma associação.

Ainda que retardada pela fraca afluência inicialmente registada, a festa dedicada à cultura nacional arrancou energicamente com Gestures of Love, curta realizada por Diogo Pessoa. Explorando a temática amorosa e a sua inata capacidade de curar a mais asfixiante dor, Diogo justificou a escolha do júri da competição – Rodrigo Saraiva (realizador/ator) e Afonso Pimentel (guionista/ator), integrantes do projeto Núcleo Casúlo – e a incontornável oportunidade de divulgar o seu trabalho.

 À medida que o tempo passava, a sala compunha-se e o público aconchegava-se. Até porqueoutras surpresas estavam reservadas. Para além das apresentações cinematográficas, os presentes foram brindados com três momentos musicais, protagonizados por três artistas portugueses: The Antic Groove, Nuno Prata e The Vanish Affair. Uma agradável forma de diversificar o leque de opções culturais da noite, conferindo-lhe, em todas as ocasiões, o selo lusitano.

Logo após Gestures of Love, sobem ao palco The Antic Groove. A banda lisboeta inicia a atuação num registo ligeiro, com um rock galvanizante e, simultaneamente, relaxante. Mas a intensidade sonora aumenta, paulatinamente, até atingir o verdadeiro climax. O grupo, composto apenas por três elementos, bebe influências na vertente de metal underground, apoderando-se das suas tradicionais características para produzir um som acelerado, despido de pre(con)ceitos. A energia da sua música fez vibrar o Musicbox. Duas vozes, baixo, bateria e guitarra foram os ingredientes para cozinhar uma hora de fabuloso espetáculo. O ritmo contagiante dos The Antic Groove culminou com Lies, uma das músicas mais conhecidas do seu repertório, e coincidiu com a participação de uma fã, que subiu ao palco para acompanhar, com voz, os três magníficos.

Alternando o tipo de manifestação artística, chega a hora de assistir à segunda curta-metragem selecionada pelo júri, baseada em fatos reais. Confiança Cega, de Ricardo Pinto, é o título deste sentimental filme. Retratando a história de dois desconhecidos, oriundos de países distintos, que se apaixonam e trocam números de telemóvel, a curta termina com o reencontro de ambos, após uma série de atribuladas tentativas.

Ainda digerindo o trabalho de Ricardo Pinto, eis que se aproxima de palco um dos artistas mais aguardados da noite. Falamos de Nuno Prata, ex-membro da banda Ornatos Violeta, e reputado músico do panorama português. “Cortei um dedo no início da semana, e estive às portas da morte. Por pouco não me tinham aqui”, adverte prontamente. Tocando um pop/rock ligeiro acompanhado pela sua viola, Nuno mantém-se sentado enquanto revisita uma série de originais, calmos e envolventes. Essa dor não existe, Um dia não são dias não ou Já não me importo são o reflexo dessa envolvência a que condena a plateia. Mas o artista vai mais longe e, como é seu apanágio, introduz temas de carácter social, de carácter interventivo, reivindicativo. Pobre de mim e Cala-te e come materializam essa tendência, despertando fortes aplausos entre os presentes. Prata sai, mas a festa continua. A música dá lugar à última manifestação cinematográfica da noite, desta feita realizada por José Pedro Lopes. O Risco, abordando o perigo associado ao extravasar de fronteiras, centra-se num grupo de ciclistas que sofre na pele as consequências dessa situação, quando ignora os limites estabelecidos.

Mas o evento reservava ainda dois momentos cruciais. O primeiro? O anúncio da curta-metragem vencedora do concurso. O contemplado foi Diogo Pessoa, por Gestures of Love. O realizador agradeceu entusiasticamente a condecoração, afirmando que “o país precisa de mais iniciativas deste género”.

O festival não podia terminar sem a atuação de outra banda alfacinha. Os Vanish Affair, rockeiros foliões, entram em palco com a atitude de Joy Division dos anos 70. Duas guitarras, um baixo e uma bateria. Sintetizadores e presença de palco. Um grupo versátil e inquietante, ora aproximando-se de Kasabian, com o tema Confessions, ora assumindo os caminhos da electrónica, em When The Fire Comes. E o fogo veio mesmo. Um memorável espetáculo, e uma inolvidável noite artística de homenagem à criatividade cultural portuguesa.

Reportagem: Daniel Veloso e Sara Alves

Fotografia: Sara Alves