Hoje, na segunda edição do Gira o Disco, o Espalha-Factos traz-vos um artigo sobre o percurso de vida de um dos mais importantes artistas da música pop e rock de sempre: Chuck Berry.

Nascido no estado norte-americano do Missouri a 16 de Outubro de 1926, Charles Edward Anderson Berry, filho de um diácono da Igreja Baptista e de uma directora escolar, viria a tornar-se, um dia mais tarde, Chuck Berry, considerado por muitos como o “pai do rock ‘n’ roll”.

Quando Chuck Berry começou a tocar guitarra, nos anos 30, certamente estava longe de imaginar que iria ser ele um dos maiores impulsionadores de um género que mudaria para sempre o mundo da música.

httpv://www.youtube.com/watch?v=knwEmbPDa8c

Fundindo o blues, género negro que aprendeu inspirando-se em artistas como T-Bone Walker ou Muddy Waters, com o country branco dos “Hillbilies” sulistas, Berry conseguiu criar um estilo de música que unia duas raças separadas numa América dividida pela segregação racial. Este género, apelidado de rock ‘n’ roll logo à nascença, tinha também um gostinho de rythm & blues e até de jazz, o que fez logo com que Chuck se tornasse um caso raro de popularidade.

Em 1957, depois de assinar contrato com a Chess e de ter lançado Maybellene (1955) e Roll Over Beethoven (1956), dois dos seus maiores êxitos, Chuck Berry lançou seu primeiro disco de estúdio, After School Session, tido, a par da banda-sonora de Rock, Rock, Rock (1956), como um dos momentos pioneiros da história do Rock, e que serviu de “despertador” para uma juventude rebelde.

httpv://www.youtube.com/watch?v=OYl-Aqyneu4&feature=related

Seguiram-se One Dozen Berrys (1958) e Chuck Berry Is on Top (1959), álbuns que solidificaram uma sonoridade que rapidamente começou a espalhar-se pelas ondas do éter, e que facilmente recolheu outros “pregadores”, como Jerry Lee Lewis, Fats Domino, Little Richard ou Elvis Presley. O rock passou a ser a nova linguagem da cultura pop do mundo anglo-saxónico, e Berry estava na linha da frente do movimento.

Contudo, nem tudo é ouro na história de Chuck; uma vida recheada de desavenças com as autoridades e com a lei mancharam, desde cedo, a imagem do guitarrista. Assaltos, fuga ao fisco, posse de drogas ou alegados abusos sexuais são alguns dos “fantasmas” que ensombram a longa vida do artista. Esse seu “lado negro” é tido por muitos como o culpado da sua perda de popularidade no início dos anos 60, e que muito cedo o “roubou” da ribalta.

Porém, a geração da “juventude rebelde” (da qual fazem parte nomes como The Beatles, The Rolling Stones, The Beach Boys, Eric Clapton ou Jimi Hendrix) desde muito cedo reconheceu a influência que Chuck teve para o nascimento e proliferação do rock ‘n’ roll. Homenageando-o com covers, elogios e referências em entrevistas/documentários, os seus “alunos” sempre deixaram bem claro que, em caso de teste de paternidade, o “pai do rock ‘n’ roll” seria certamente Chuck Berry.

Rock It, de 1979, foi o último dos 18 discos que Berry gravou em estúdio. No entanto, não se pense que a percurso de Chuck parou. Incansável, este decano do rock, que hoje conta já com 85 anos de vida e 57 de carreira, continua a actuar ao vivo de forma quase religiosa, mantendo ainda viva a chama do inconformismo musical da sua geração com interpretações de êxitos incontornáveis como Johnny B. Goode, Rock and Roll Music ou Little Sixteen.

httpv://www.youtube.com/watch?v=45V1Q_C2Wpc

Sobre ele, John Lennon disse um dia: “se quiserem dar outro nome ao ‘rock and roll’, mais vale chamarem-lhe Chuck Berry”. Se isso e a entrada directa para o Rock and Roll Hall of Fame em 1984, aquando da sua criação, não chegarem para dizer quão importante Charles Edward Anderson Berry foi para o rock ‘n’ roll, basta ouvirem um dos seus clássicos para saberem do que é feito este género.

*Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945