Falta menos de uma semana para a 84ª edição dos Óscares da Academia, os maiores prémios da indústria do cinema, cuja cerimónia se realiza no próximo dia 26 de fevereiro. A entrega dos prémios, este ano apresentada pelo ator Billy Crystal, será emitida nas televisões de todo o mundo, em direto do Kodak Theatre, em Los Angeles, ao longo da madrugada de segunda-feira. O Espalha-Factos apresenta aqui os nove nomeados para a categoria de Melhor Filme, dando a conhecer melhor os possíveis vencedores da principal categoria dos Óscares.

A Árvore da Vida/ The Tree of Life

Um dos mais justos e inesperados nomeados: A Árvore da Vida, a mais recente obra de Terrence Malick. Amado por uns e odiado por outros, este filme conta com Brad Pitt, Jessica Chastain e Sean Penn no elenco. A Árvore da Vida conta a história impressionista de uma família americana nos anos 50. Acompanha o crescimento de Jack, interpretado em criança por Hunter McCracken e em adulto por Sean Penn, o mais velho de três irmãos, da inocência da infância até à desilusão da vida adulta. O jovem mantém uma relação complicada com o seu pai, tão diferente da sua mãe. Jack vê-se como uma alma perdida no mundo moderno, procurando respostas para as origens e sentido da vida, questionando sempre a existência da fé e de Deus. Através da imagem de marca deste realizador, pode ver-se o quanto, tanto a natureza em bruto, como a graça espiritual, dão forma à Vida.

Crítica de Inês Moreira Santos: Sensações em Bruto

A Invenção de Hugo/ Hugo

Hugo é um órfão que, desde a morte do pai, vive em segredo nas paredes de uma estação de comboios de Paris, onde faz a manutenção de todos os relógios. Ao conhecer Isabelle e com a sua ajuda, ele procura a resposta para uma misteriosa ligação entre o pai, o autómato que este lhe deixou e o mal-humorado dono da loja de brinquedos da estação. A Invenção de Hugo tem por base o bestseller de Brian Selznick, A Invenção de Hugo Cabret, e é o primeiro filme em 3D do conceituado realizador Martin Scorsese. Muito mais do que um filme para todos, A Invenção de Hugo é uma bela e grandiosa homenagem ao cinema e a George Méliès.

Crítica de Wilson Ledo: O Tempo do Cinema

As Serviçais/ The Help

Um filme sobre mulheres, mulheres corajosas. As Serviçais retrata a crua realidade vivida no Mississippi nos anos 60 e conta como três mulheres extraordinárias e muito diferentes constróem uma amizade quase improvável, em torno de um projeto secreto que quebra todas as regras sociais da época, colocando-as em risco. Skeeter, que quer ser escritora, alia-se a Aibileen e a Minny e, juntas, iniciam um livro onde contam, na primeira pessoa, as histórias das mulheres negras que criam as crianças das famílias brancas, mas que são alvo de grandes preconceitos devido à cor de pele. Esta corajosa irmandade quer consciencializar a sociedade de que há limites que têm de ser ultrapassados. Trata-se de uma adaptação ao cinema do livro de Kathryn Stockett. Para além de ser um grande filme, As Serviçais reúne em si um elenco recheado de excelentes interpretações como Viola Davis, nomeada ao Óscar de Melhor Atriz, Octavia Spencer e Jessica Chastain, ambas nomeadas na categoria de Melhor Atriz Secundária.

Crítica de Inês Moreira Santos: A Luta das Serviçais

Cavalo de Guerra/ War Horse

Do aclamado realizador Steven Spielberg chega-nos Cavalo de Guerra, a história comovente da amizade entre Joey, um cavalo, e o seu dono Albert, que o treina. Com a chegada da Primeira Guerra Mundial os dois são forçados a separar-se e, a partir daí, o filme segue a extraordinária viagem do cavalo e o seu percurso na guerra, mudando e inspirando as vidas daqueles com quem se cruza, desde a cavalaria britânica, aos soldados alemães e a um agricultor francês e a sua neta. A guerra é-nos apresentada aos olhos de Joey.

Crítica de Tiago Mota: Cavalo sem rédea

Extremamente Alto, Incrivelmente Perto/ Extremely Loud & Incredibly Close

E a maior surpresa de entre os nomeados deste ano é Extremamente Alto, Incrivelmente Perto. Oskar Schell tem 11 anos e é uma criança excecional: inventor amador, francófilo, pacifista. Quando encontra uma misteriosa chave que pertencia ao seu pai, que morreu no 11 de setembro, no Wall Trade Center, Oskar embarca numa grande viagem: uma urgente e secreta pesquisa através dos cinco distritos de Nova Iorque. Ao vaguear pela cidade, encontra muitas pessoas diferentes, cada uma sobrevivente à sua maneira. De Stephen Daldry, realizador de As Horas e O Leitor, o filme conta com Tom Hanks e Sandra Bullock no elenco.

Crítica em breve

Meia-noite em Paris/ Midnight in Paris

Desta vez foi Paris a cidade de eleição para Woddy Allen nos fazer sonhar. Meia-noite em Paris apresenta-nos um casal, Inez e Gil, prestes a casar, que estão a passar alguns dias na capital francesa. Durante a sua estadia os dois irão viver um conjunto de experiências que lhes muda a vida. O protagonista Gil irá levar-nos numa viagem da Paris atual à dos anos 20 e partilhará com todos os espectadores o seu amor pela cidade. Meia-noite em Paris trouxe de novo o “velho” Woddy Allen que nos faz viver o amor e a magia da cidade luz.

Crítica de Francisco Noras: Meia-noite numa Paris dos anos 20

Moneyball – Jogada de Risco/ Moneyball

Moneyball – Jogada de Risco conta a história de Billy Beane, intepretado por Brad Pitt, o diretor-geral da equipa norte-americana de basebol Oakland Athletics, e da sua bem sucedida tentativa de reunir uma equipa com um orçamento diminuto, através da utilização da análise computadorizada para contratar os jogadores. Brad Pitt está ao comando deste filme, somando, de entre os nove nomeados para Melhor Filme este ano, dois que protagoniza.

Crítica de Francisco Noras: A Vontade de Vencer

O Artista/ The Artist

O Artista surge como mais uma homenagem ao cinema, neste caso, aos filmes mudos. Em 1927, em Hollywood, George Valentin (Jean Dujardin) é uma das maiores estrelas do cinema mudo. Ao conhecer Peppy Miller, uma jovem e ambiciosa figurante, fica fascinado. No entanto, a chegada dos filmes sonoros marca o fim da carreira de George, e faz de Peppy a nova grande estrela da indústria cinematográfica. O filme de Michel Hazanavicius tem feito um sucesso estrondoso por todo o mundo e é um dos favoritos ao Óscar.

Crítica de Inês Moreira Santos: Um Artista num filme sobre o Cinema

Os Descendentes/ The Descendants

Os Descendentes é a história de um homem de negócios residente no Hawai que, após um acidente de barco que coloca a sua mulher em coma, vê a sua vida a dar uma grande volta. O dilema da venda ou não das suas terras, a relação com as suas duas filhas, de quem se tenta aproximar, e a descoberta de que a sua mulher tinha um amante vem fazer com que este homem tenha de tomar importantes decisões. Este filme de Alexander Payne já ganhou este ano o Globo de Ouro para Melhor Filme (Drama) e George Clooney o de Melhor Ator (Drama).

Crítica de Francisco Noras: Como Herdar o Paraíso?

Aqui fica também a tabela de classificações* atribuídas aos filmes nomeados, por parte de alguns elementos da nossa equipa de cinema:

Nomeados

Classificação

Francisco
Noras

Inês
Moreira Santos

Marta
Miranda

Marta
Spínola Aguiar

Raquel
Santos Silva

Renata
Curado

Sara
Alves

Tiago Mota

Wilson
Ledo

A
Árvore da Vida

9.5

9

 

4.5

8.5 

7.5

7

9

9

A
Invenção de Hugo

8

9

8.5

7.5

9

 

 

8.5

9

As
Serviçais

8

8

 

9.5

 

 

8

 

Cavalo
de Guerra

5

5

 

 

7

 

5

6.5 

 8.5

Extremamente
Alto, Incrivelmente Perto

 

 6

 

 

 

 

 

 

Meia-noite
em Paris

8

8.5

8

8

8

7.5

9

8

8

Moneyball
– Jogada de Risco

7

7

7

 

 

6

7.5 

6.5

O
Artista

9

7.5

9

9

8.5

8.5

8

9

Os
Descendentes

7.5

7

6

6.5

7.5

7

8

7.5

7.5

*As classificações variam entre 1 e 10.