De 0 a 20 comemora esta semana 20 edições desde que o ‘novo’ Espalha-Factos surgiu. Com nova imagem e uma estrutura diferente, a 21.ª edição da nossa rubrica traz novidades que procuram ir cada vez mais ao encontro de quem nos lê. Para além do programa em destaque e do melhor e pior na televisão, será a partir de agora escolhida a personalidade da semana.  Análises mais diretas, concisas e que procuram avaliar o que se faz na televisão em Portugal.

A Voz de Portugal (RTP1) | 16/20

https://i0.wp.com/i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/televisao/6220576582_5fab583bea_z.jpg?resize=216%2C164As galas começaram em janeiro e o programa tinha tudo para ser um sucesso. Um formato diferente, interessante, numa grande produção da CBV e da RTP, no maior estúdio da televisão portuguesa e apresentado por Catarina Furtado. A verdade é que as galas da Voz de Portugal revelaram-se um verdadeiro flop. Conseguiram ficar sempre abaixo dos 20% de share, conseguido resultados inferiores às fases da Prova Cega e da Batalha. A que se terá devido estes resultados? Será que o programa que antecedeu as galas, A Voz do Cidadão, que obtém resultados ainda piores, acabou por fazer com que as audiências das galas não fossem melhor?

A verdade é que esse não será o principal motivo para o insucesso do formato. Até porque a gala prolonga-se até perto da meia-noite e o programa do provedor tem apenas 10 minutos. Também podemos ‘culpar’ o futebol da TVI por ser um forte concorrente. Apesar de tudo, o programa não merecia uma rejeição tão grande por parte do público. É verdade que Catarina Furtado continua muito ‘senhora’, sempre a querer manter a compostura e limitada ao teleponto, mas também é verdade que a apresentadora encanta todos com a sua beleza e profissionalismo. E temos um júri que compete entre si, ou melhor, quatro mentores que querem ser, cada um deles, responsáveis pela Voz de Portugal.

Às vezes irrita um bocado o facto de serem tão pacíficos e meigos com os concorrentes. Faltavam mais críticas e faziam menos falta tantos “Uau!” e “Oh my God!” por parte dos mentores. Já todos percebemos que os concorrentes são excelentes, têm talento, mas também não são perfeitos. O menos politicamente correto acaba por trazer piada a um programa que tenta ser, em tudo, certinho. Rui Reininho, na maioria dos seus comentários, nem sequer referia a interpretação em causa. Acabava por divagar, num tom humorístico e sarcástico, tão típico da sua pessoa.

Tirando isso, este consegue ser um dos melhores formatos no panorama musical que já foi emitido em Portugal. Um estúdio grandioso (pela primeira vez em Portugal temos um ao nível do que se faz lá fora) e uma produção cuidada e muito bem conseguida. A realização também está de parabéns, pois toda a estrutura das galas e os planos das interpretações são bem estudados. Fazem falta mais produções destas em Portugal. Até agora apenas tínhamos visto duas galas de concursos do género transmitidas em HD na televisão portuguesa: as finais do Peso Pesado e de À Procura de um Sonho, da SIC. Agora que o formato vai chegar ao fim (a final é no Sábado, dia 28 de fevereiro), espera-se que cada vez mais a TV portuguesa evolua e mais programas sejam emitidos na íntegra com a qualidade que este programa nos presenteou.

João Paulo Rodrigues (TVI) | 16/20

https://i0.wp.com/i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/televisao/ng1740880.jpg?resize=190%2C121João Paulo Rodrigues já tinha conseguido junto do público português um reconhecimento pelo papel como Quim Roscas no programa Telerural da RTP1. Tendo em conta os padrões da estação, o programa obteve sucesso, principalmente no mundo virtual. Para muitos, o programa vivia das piadas fáceis, com um humor brejeiro e trocadilhos atrevidos, porém o ator foi ganhando popularidade, sobretudo a norte do país, de onde é natural.

Apesar de tudo isto, João Paulo Rodrigues tem dado que falar nas últimas semanas e pode dizer-se que foi desta que o ator deu o grande salto para a fama. Tudo graças ao A Tua Cara Não Me É Estranha. No programa da TVI, o ator tem mostrado a todo o país o seu talento, tanto na música como na representação. E graças às extraordinárias audiências do formato (no passado Domingo o programa de Goucha  e Cristina conseguiu uns impressionantes 17.3% de audiência e 53.9% de share), esta visibilidade tem sido cada vez maior.

E a verdade é que o público gosta, pois desde a primeira gala que João Paulo tem sido sempre o favorito do televoto. Agora que toda a gente fala do Quim Roscas, será que a TVI irá aproveitar o talento e popularidade do jovem ator e dar-lhe um novo programa de humor? Ou será que daqui a uns meses a ‘poeira volta a assentar’ e, depois do programa acabar, João Paulo Rodrigues volta aos espetáculos ao vivo com Pedro Alves? Inovação, precisa-se! Que é talentoso já todos sabemos. Tudo depende do tipo de programa para o qual será (ou não) aproveitado.

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O MELHOR

O regresso do Ídolos | 15/20

https://i1.wp.com/i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/televisao/395542_10150708286577028_138766922027_11229675_2251200_n.jpg?resize=197%2C134Foi na semana passada que Portugal ficou a conhecer o júri da quinta edição do Ídolos. Novamente apresentado por Cláudia Vieira e João Manzarra, o programa de talentos aposta sobretudo nas novas caras do leque de jurados. Ao veterano Manuel Moura dos Santos juntam-se Pedro Abrunhosa, Bárbara Guimarães e Tony Carreira. Pela primeira vez, a SIC aposta em caras bem conhecidas pelo público, que prometem dar que falar e trarão, com certeza, audiência ao programa, sobretudo pelo fator novidade.

O melhor deste regresso acaba por ser o formato em si. É verdade que o júri é uma verdadeira surpresa, mas o formato do Ídolos vive também muito dos concorrentes, dos bons cantores, dos ‘cromos’, das emoções dos castings, dos nervos da fase do teatro e das atuações nas galas em direto. Seja como for, só por fazer regressar o formato, a SIC já está de parabéns. Se no passado resultou, agora tem tudo para voltar a ser líder no horário. E neste momento, este parece ser o único programa capaz de destronar A Tua Cara Não Me É Estranha ao domingo à noite.

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O PIOR

Os resultados de Velhos Amigos na RTP1 | 5/20

https://i1.wp.com/i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/televisao/imagesqtbnANd9GcS--ruHvPl0Iw_HRkg_tOAqS8aTFfHAuAB-bOV2ONI4tFcU_DSiTPjLzIaoVw.jpg?resize=163%2C116A série dá ao domingo à noite, mas se perguntarmos aos espetadores se alguma vez a viram, a maioria nem deverá conhecer a série. Velhos Amigos é uma série que à partida viria ao encontro do público da RTP, constituído sobretudo por pessoas idosas. E é disso que se trata a série protagonizada por Luís Alberto, Orlando Costa e João Maria Pinto, um retrato de três idosos e uma criança numa aventura de redescoberta da vontade de viver por várias terras do nosso país.

Apesar disso, este é o maior flop dos últimos tempo na estação pública. Raramente passa dos 10% de share e tal insucesso deve-se, sobretudo aos mega sucessos que dão na concorrência. No final do ano passado, à mesma hora era emitido Secret Story 2 e agora é a vez de A Tua Cara Não Me É Estranha arrasar por completo a concorrência. A série acaba por ganhar mais visibilidade ao sábado à tarde, quando é repetida, e onde consegue obter mais do dobro da audiência do episódio inédito. Este é um claro exemplo de que o horário de um programa faz toda a diferença para os seus resultados a nível audimétrico.