Igrejas Caeiro, um dos lendários ícones da rádio em Portugal faleceu hoje aos 94 anos de idade. A informação chega através de um comunicado da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). 

Actor, encenador e locutor, é desde sempre indicado como um dos «nomes mais marcantes» da produção cultural portuguesa. Estreou como ator em 1940, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, e em 1946 estrelou o filme Camões, de Leitão de Barros.

Como autor e apresentador, concebeu e difundiu programas de rádio como Os Companheiros da Alegria e O Comboio das Seis e Meia, o primeiro foi um programa itinerante bastante popular nos anos 50. Igrejas Caeiro esteve afastado das lides radiofónicas durante o Estado Novo, devido à sua oposição à ocupação militar portuguesa dos territórios da Índia. Referiu Nehru como «o maior estadista do seu tempo». Só voltou às emissões depois do 25 de abril de 1974.

Foi ainda militante do Partido Socialista, que hoje o recorda como um «homem simples, de uma enorme elegância e de uma afabilidade envolvente», que «nunca deixou de dar o seu contributo cívico à vida do seu país». Igrejas Caeiro exerceu os cargos de deputado à Assembleia da República e vereador na Câmara Municipal de Cascais.

Vítima de doença prolongada, sofria de Alzheimer, a notícia do seu falecimento surge com pouca surpresa junto dos vários amigos, que, na hora da morte, recordam a sua dedicação à cultura e a cidadania ativa que sempre fez questão de exercer.