Desde 22 de Janeiro, todos os Domingos até meados de Março, o Espalha-Factos vai recordar um actor ou uma actriz, que tenha marcado a sua época, mas que caiu em esquecimento ou não foi suficientemente reconhecido. Percorreremos actores de diversas décadas, até à actualidade. Falaremos da sua vida, carreira, papéis mais icónicos e do legado que deixaram.

Ninguém poderia imaginar que o menino do Mickey Mouse Club, se viria a tornar num dos melhores jovens actores da actualidade e num dos homens mais desejados do mundo. Hoje recordamos Ryan Gosling, a estrela em que todos já repararam, só a Academia é que não.

Infância problemática e o Mickey Mouse Club

A 12 de Novembro de 1980, Ryan Thomas Gosling nascia em London, Ontário, no Canadá. Após o divórcio dos pais, Gosling ficou a viver com a irmã e a mãe. Problemático na escola, o actor chegou a tentar atirar facas aos colegas, o que lhe valeu uma suspensão. Tinha dificuldade em aprender a ler e foi-lhe diagnosticada hiperactividade, tendo chegado a ser colocado numa turma de alunos com necessidades especiais. Por tudo isto, a sua mãe deixou o trabalho para ela mesma lhe dar aulas em casa, durante um ano.

Em 1993, Ryan Gosling é escolhido para ser uma das caras do Mickey Mouse Club, ao lado de Justin Timberlake, Britney Spears e Christina Aguilera, programa onde participou ao longo de dois anos e que o fez ir viver em Orlando, Florida, nos Estados Unidos da América. Em 1995, regressou ao Canadá onde continuou ligado à televisão, participando em diversas séries.

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Para além do cinema…

Actualmente, para além do cinema, Ryan Gosling tem outras actividades. A música é uma delas, fazendo o actor parte da banda Dead Man’s Bones, que criou em 2008 juntamente com o amigo Zach Shields. O grupo conta com um álbum homónimo que data de 2009. A par disto, é também co-proprietário do restaurante marroquino Tagine, em Beverly Hills, na Califórnia.

O seu charme não deixa ninguém indiferente e Gosling está, actualmente, entre os homens mais desejados do mundo. Muitas revistas e sites apontam-no como um dos homens mais sexy, como por exemplo a recente eleição feita pela revista Heat, onde surge em segundo lugar, sendo apenas ultrapassado por David Beckham. Já o ano passado, esteve no top dos mais sexy da People.

No que toca à vida amorosa do actor canadiano, são três as suas relações mais mediáticas. Em 2002, teve uma relação de cerca de um ano com Sandra Bullock, com quem havia contracenado em Crimes Calculados. De 2005 a 2007, namorou Rachel McAdams, seu par em O Diário da Nossa Paixão, tendo ainda reatado a relação em 2008, por um curto período. A actriz foi, segundo o próprio, um dos grandes amores da sua vida. Actualmente, Ryan Gosling tem uma relação com Eva Mendes, desde meados de 2011.

Dos primeiros filmes a Half Nelson

No cinema, Gosling começa a revelar-se no início dos anos 2000, primeiro com um papel secundário no filme Duelo de Titãs (2000), protagonizado por Denzel Washington. Seguiram-se filmes como The Believer (2001), Crimes Calculados (2002), Os Estados Unidos de Leland (2003). Contudo, foi em 2004, como Noah, em O Diário da Nossa Paixão, que Ryan Gosling começou a ganhar maior destaque. O filme de Nick Cassavetes veio fazer com que se prestasse maior atenção ao seu talento. No ano seguinte, esteve ao lado de Ewan McGregor e Naomi Watts em Stay – Entre a Vida e a Morte, mas foi em 2006 que Gosling provou que tinha muito mais para dar.

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Ao protagonizar Half Nelson, surpreendeu tudo e todos na pele de Dan Dunne, um professor com problemas com drogas, e a sua entrega ao papel valeu-lhe a sua única nomeação para os Óscares. Em Lars e o Verdadeiro Amor (2007), Ryan Gosling continuou a dar provas do que é capaz ao interpretar Lars Lindstrom, um homem introvertido que, certo dia, apresenta à família a sua amiga Bianca – uma boneca que ele trata como uma rapariga real.

Os Grandes Papéis

Mas foi desde 2010 que a carreira de Ryan Gosling se tem realmente consolidado e os filmes não têm parado. Nesse ano, o drama Blue Valentine – Só Tu e Eu deu-lhe um dos grandes papéis da sua carreira, como Dean.  Contracenou com Michelle Williams e o filme exigiu muito de ambos os actores. No mesmo ano, protagonizou também Entre Segredos e Mentiras, com Kirsten Dunst. Se em 2010 já tinha brilhado, 2011 foi, definitivamente, o seu ano, com três filmes a estrear (quatro em Portugal): Amor, Estúpido e Louco, que marcou a sua estreia na comédia, Nos Idos de Março e Drive – Risco Duplo, os três com interpretações incríveis, com especial destaque para o condutor de Drive.

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Prestes a estrear estão mais dois filmes: The Place Beyond the Pines, de Derek Ciafrance (o mesmo realizador de Blue Valentine) e The Gangster Squad, de Ruben Fleischer, têm estreia prevista para este ano nos Estados Unidos. Encontra-se a filmar o novo filme de Nicolas Winding Refn (Only God Forgives) e em pré-produção está o novo filme de Terrence Malick, Lawless, onde irá contracenar com Natalie Portman e Rooney Mara. O seu nome é também o apontado para protagonizar o remake de Logan’s Run.

Apesar de somar excelentes papéis, a Academia insiste em esquecê-lo. Apenas com Half Nelson, Gosling conseguiu ser nomeado para Melhor Actor nos Óscares de 2007. Nos últimos dois anos, o actor canadiano reuniu uma série de interpretações que merecem louvores. Dean, de Blue Valentine – Só Tu e Eu, valeu-lhe a nomeação para o Globo de Ouro do ano passado, mas, e apesar de ter tido uma das melhores interpretações do ano, foi esquecido pela Academia. Este ano o cenário repete-se: duas nomeações nos Globos de Ouro para Melhor Actor de Comédia ou Musical com Jacob, de Amor, Estúpido e Louco, e para Melhor Actor de Drama como Stephen Meyers ,em Nos Idos de Março. A sua fabulosa interpretação do condutor de Drive – Risco Duplo foi, no entanto, deixada de parte também nestas nomeações.

Os projectos sucedem-se e Ryan Gosling já provou a todos que é muito mais do que um homem bonito: é um dos grandes actores da actualidade, sem qualquer sombra de dúvida. Apesar de jovem, o público já está rendido ao seu talento, resta esperar que o restante reconhecimento lhe seja concedido em breve.

Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.