A Sociedade Portuguesa de Autores premeia, este ano, os autores portugueses que mais se destacaram ao longo de 2011, numa gala a decorrer a 27 de fevereiro no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém. A cerimónia tem transmissão em direto na RTP1, parceira da SPA nesta homenagem aos autores culturais, e apresentação de Catarina Furtado.

Sem autores não há cultura”. A expressão é de José Jorge Letria, Presidente da Direção da SPA, no evento de apresentação da Gala Prémio Autores SPA / RTP 2012. Trata-se da “única sociedade de autores do mundo que tem um evento para premiar autores”, afirmou o diretor de programas da RTP, Hugo Andrade, o que faz da própria estação pública a única televisão do mundo com um evento deste género.

Novamente apresentada por Catarina Furtado, também autora e sócia da SPA, a gala, este ano no dia seguinte aos Óscares, introduz algumas novidades: a primordial é que não terá atuações de artistas estrangeiros, ou seja, será “totalmente feita com portugueses, artistas que representam a diversidade musical e teatral que uma gala destas comporta”, diz Letria.

Os vinte prémios a serem atribuídos nesta gala inserem-se em oito categorias: Teatro, Cinema, Literatura, Artes Visuais, Dança, Televisão, Rádio e Música. Três prémios são ainda atribuídos de forma ‘especial’: Melhor Programação Autárquica, Autor Internacional e Vida e Obra. Este ano, os municípios de Coimbra e Évora serão galardoados no âmbito do primeiro destes três prémios, “tendo em conta o seu potencial patrimonial”. O autor internacional em destaque é o argumentista e realizador de cinema espanhol Imanol Uribe, enquanto que o Prémio Vida e Obra foi atribuído, “por decisão unânime da direção da SPA”, a Mário Soares.

O ex-Presidente da República socialista é “sócio da SPA desde 1990”, afirma Letria, e autor de “dezenas de livros”. Para além disso, em todos estes anos de democracia, foi o governante político que “maior importância conferiu à cultura da vida pública”, tornando-a por vezes o centro da própria prática política, e daí a distinção nesta gala.

João Lourenço, Vice-Presidente da Direção da SPA, será um dos responsáveis pela cerimónia, que tem a coordenação de José Poiares. Esta conta com atuações de Carlos do Carmo, que interpretará “dois fados não muito conhecidos”, Amor Electro e Adriana, bem como uma homenagem aos 40 anos de carreira de Sérgio Godinho, a fechar a gala. Os prémios serão revelados ao longo da mesma e as nomeações, à exceção das três categorias especiais, foram definidas em conjunto por um júri conhecedor do panorama cultural português.

Haverá também um momento especial com Lúcia Moniz e João Reis – marido de Catarina Furtado –, uma “história com música” encenada por Tozé Brito e Tiago Torres da Silva e denominada À Distância de um Clique. “É um bocadinho para compensar a falta de teatro e de poesia que vamos fazer isto”, completa João Lourenço, destacando que João Reis não é muito conhecido no campo da música mas que será, certamente, uma boa surpresa.

A gala invocará ainda “aqueles que partiram”, os que se “vão despedindo de nós”, entre os quais se destaca o Maestro Pedro Osório, “orquestrador, compositor, diretor de orquestra”. A homenagem será a interpretação de uma das suas composições pela Orquestra do Maestro Jorge Costa Pinto.

José Jorge Letria vê com bons olhos a apresentação da gala por parte de “alguém que também escreve”, seja músicas de canções ou literatura, campos onde a chamada ‘namoradinha de Portugal’ já se destacou. Catarina Furtado, que se vê como uma “pequenina autora”, afirma sentir-se “em casa duas vezes”, na RTP e na SPA, e realça a importância destes prémios para o reconhecimento dos autores: por ser uma homenagem transmitida de Norte a Sul do país, é um momento importante nas suas vidas, um “aplauso generalizado” que recebem nesta gala.

Nas palavras de Hugo Andrade, “premiar os autores, reconhecer o seu talento, é o primeiro passo para que a indústria do entretenimento e da cultura tenha futuro”. Assim, a parceria entre a SPA e a RTP origina esta terceira edição da gala anual, um “grande momento de televisão e da vida da SPA”, que Letria espera que se mantenha por muitos anos pois, “por essência, faz todo o sentido no espaço da televisão pública”. Acrescenta Andrade: “fazer serviço público sem estar de braço dado com os autores não faz sentido”.

A SPA conta com 87 anos de existência, 25 mil associados em Portugal e mais de três milhões em todo o mundo, “e tem um grande orgulho em ser um dos pilares da defesa da cultura e dos criadores culturais” no nosso país, afirma Letria. Por tudo isto, apesar de uma “especulação injusta e indevida” acerca dos direitos de autor, o Presidente assegura: “não vai ser fácil enfraquecer a SPA”. Na Direção estão “alguns dos melhores nomes da cultura em Portugal” e uma sociedade de autores existe para gerir a distribuição “rigorosa e correta” destes direitos, essenciais numa sociedade de autor. Afinal de contas, os autores estão “por trás de tudo o que é feito, de toda a cultura”.