Quando se comemoram os 70 anos de carreira da atriz cujo nome passa pelo teatro, televisão e também pelo cinema, Eunice Muñoz protagoniza Teresa em O Cerco a Leninegrado, numa comédia de Sanchis Sinisterra, que junta também a atriz Maria José Paschoal, Natália, com encenação a cargo de Celso Cleto.

Eunice Muñoz há muito que dispensa apresentações. Os 70 anos de carreira da atriz que o país reconhece como sendo a grande Eunice Muñoz, remontam-nos para os seus singulares 5 anos, idade com a qual começou a fazer teatro. Regressados a 2012, a acarinhada atriz comemora o septuagésimo aniversário da sua estreia com esta peça que estará em cena no S. Luiz até 19 de fevereiro.

O Cerco a Leninegrado conta-nos a história de duas mulheres que vivem num teatro abandonado há mais de 20 anos. Teresa e Natália lutam incessantemente para que o espaço não seja demolido. Une-as igualmente o facto de Teresa ser a esposa do falecido diretor do teatro, Eduardo, e Natália sua amante. O texto versa sobre os últimos 50 anos da história mundial e o modo como esse passado se repercute no presente destas duas personagens.

Trata-se de uma comédia política que prende o espetador pelas relações antagónicas que se vão estabelecendo entre as duas personagens: desde o ciúme à amizade e preocupação que nutrem uma pela outra. Apesar de por vezes sermos envolvidos numa onda de confusão pela vertiginosa viagem que o texto nos leva a fazer, a trama desenrola-se de um modo que vai surpreendendo e acrescentando sempre novas ideias à história. Contudo, é nessa confusão que o espetador pode sentir-se perdido e até angustiado por não entender como se dará o desenlace.

A história é sem dúvida densa mas o humor fino que atravessa os diálogos tornam-na harmoniosa, criando toda uma expectativa que a percorre do início ao fim. Poderá, por isso, o espetador ficar com a sensação de que no final algo falta dizer ou explicar. No entanto, percebe-se igualmente que aquelas personagens representam uma época que não é a nossa.  Elas simbolizam uma luta da qual não desistem e que homenageia o teatro, os atores e a cultura. Não sendo uma história que possamos dizer categoricamente que é excelente, a qualidade das atrizes elevam-na e justificam a nossa presença no teatro.