Bob Dylan Artista com um dos legados mais influentes da história da música mundial. Famoso pela voz de “bagaço” que o caracteriza, a voz anasalada e esganiçada que o imortaliza, é aclamado não só pelas suas intepretações, mas para muitos sobretudo pelas suas incríveis composições que fazem dele o poeta de uma geração.

Porque o Espalha Factos  também honra o melhor da música mundial e porque 2012 é e caminha para continuar a ser palco de uma série de interessantes acontecimentos no panorama musical, é tempo de homenagear o contributo da obra daquele que é um dos maiores artistas de todos os tempos: De nome verdadeiro Robert Zimmerman, completa este ano 71 anos de idade, é ele o génio Bob Dylan.

Dylan é um dos fenómenos musicais mais aclamados e bem recebidos do século XX. O cantor e compositor norte-americano é um dos artistas, para muitos até o artista mais influente e bem sucedido do último século.

Prova disso mesmo, foi o enorme e importante contributo que ofereceu à musica mundial, nomeadamente à música que viria a emergir nas décadas seguintes ao seu aparecimento e na emergência de outros grandes nomes do Rock americano e britânico das décadas de 60 e 70, como os grandes The Beatles que, por sua vez, acabariam posteriormente por se tornar no fenómeno musical popular mais revolucionário da história.

Bob Dylan é uma das figuras musicais mais carismáticas de todos os tempos e é de destacar que o seu sucesso adveio não só do seu talento como intérprete, mas essencialmente da enorme capacidade que demonstrou como compositor, marcadamente influenciado por poetas da geração beat e pelos movimentos hippies dos anos 60, como tantos outros artistas de sucesso da mesma época. As suas composições foram quase sempre bem recebidas.

Bob Dylan é assim elogiado pela crítica especializada pelas sua extraordinária capacidade para escrever e compôr temas. Foi muito devido a isso que Robert Zimmerman se tornou no grande fenómeno Bob Dylan.

Não foi por acaso que a mundialmente famosa revista Rolling Stone elegeu o seu hit Like A Rolling Stone como a melhor música de todos os tempos em 2004 na sua lista das 500 melhores músicas de sempre e Dylan como o 2º melhor artista, atrás apenas dos The Beatles. Por isso mesmo Bob Dylan é muitas vezes apelidado “o poeta de uma geração”, da sua geração.

Interessante será referir o facto de que, apesar das mudanças que foram e vão surgindo nos géneros musicais e que caracterizam e individualizam cada geração, a música de Zimmerman persiste e é apreciada até por uma considerável proporção de pessoas da geração mais recente, a “nova geração”, ao sentirem nostalgia de tempos que não viveram, mas que Dylan transmite de uma forma absolutamente extraordinária pela sensibilidade das suas letras. É aqui que reside uma das características mais interessantes e curiosas do legado de Bob Dylan.

Ainda que o seu talento como cantor seja questionado por muitos, devido ao facto da potência da sua voz ser muitas vezes posta em causa, uma voz anasalada, fanhosa e esganiçada, uma voz de “bagaço” e algo reflectora dos excessos do tabaco, é essa a voz que fez de Bob Dylan um fenómeno, que desde logo o caracterizou e o imortalizou.

Autor de enormes sucessos como Blowin’ In The WindMr. Tambourine Man e Knockin’ On Heaven’s Door, Robert foi desde muito cedo inspirado por artistas de renome no panorama do Rock & Roll mundial como Little Richard Buddy Holly e foi muito devido a isso que o músico se sentiu sempre muito ligado ao Rock.

Fruto da descoberta da sua paixão pela Folk Music, nos finais dos anos 50, Dylan iniciou a sua carreira direcionado para o Folk Rock e para o Country Rock seu característico, sendo que são destes géneros os maiores êxitos musicais do artista norte-americano e alguns dos maiores e mais icónicos sucessos de todos os tempos.

Recorda aqui e agora três dos melhores álbuns em formato de longa-duração deste grande artista:

 

The Freewheelin Bob Dylan (1962)

O 2º álbum de estúdio do músico e compositor norte-americano, lançado a 27 de Maio de 1963 pela Columbia Records, apenas três dias após o seu 22º aniversário. Apesar de ser um dos primeiros registos de Dylan, é em The Freewheelin’ Bob Dylan que se começa a verificar as peculiares características da sua música, realidade que o tempo veio a eternizar para sempre de uma forma absolutamente extraordinária: a poesia e a fúria articulada das letras e as simples e harmoniosas melodias. É ao fim ao cabo, o início da afirmação do estilo de Bob, enquanto músico. Ninguém esquece temas como Don’t Think Twice, It’s All Right, A Hard Rain’s A-Gonna Fall ou até mesmo a lendária Blowin’ In The Wind, todos eles pertencentes a The Freewheelin’ Bob Dylan e a prova viva de que este registo de estúdio marca o início de uma época de triunfo histórico musical a nível mundial.

Highway 61 Revisited (1965)

Provavelmente o mais famoso e aclamado álbum de Bob Dylan. Encontramo-nos em plena década de 1960 e corre uma profunda revolução e explosão musical, muito devido a contributos como foi o lançamento deste registo de estúdio. Gravado apenas em seis dias e lançado a 30 de Agosto de 1965, Highway 61 Revisited apesar de representar interessantes mudanças em Dylan, simboliza essencialmente importantíssimas e inquestionáveis inovações na música mundial, muito devido à duração, ao estilo e à musicalidade dos seus temas. Like A Rolling Stone é prova disso mesmo, com os seus 6 minutos e 9 segundos de duração que lhe conferem uma sonoridade e carácter únicos e, que por isso, é por muitos considerado como um dos temas mais influentes de Bob Dylan e para alguns até mesmo o mais. Curiosamente, Highway 61 Revisited corresponde à fase da carreira do artista que muitos associam ao tempo do “jovem raivoso”, pelo facto de muitos temas apresentarem um tom de natureza acusatória, com takes duros e ruidosos. Mas nem por isso abandona o título de um dos melhores álbuns de sempre e deixa de estar na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock And Roll Hall Of Fame.

 

Blonde On Blonde (1966)

Este é o 7º álbum de estúdio do artista e o 1º álbum duplo da história do Rock. Acompanhando o ritmo de inovação musical dos anteriores The Freewheelin’ Bob Dylan e Highway 61 Revisited, também Blonde On Blonde oferece novidades no mesmo âmbito, ainda que de forma diferente, na medida em que corresponde a uma época em que Bob Dylan acentua e fortifica o estilo das suas composições surreais, fortemente influenciado pela literatura moderna e pela sensibilidade vigente na época em Nashville, onde o registo foi gravado, acompanhadas agora de um forte toque de blues. Blonde On Bonde foi lançado a 16 de Maio de 1966 também pela Columbia Records e completa a trilogia de álbuns de Rock gravados por Bob Dylan entre 1965 e 1966. É também frequentemente considerado pelos críticos como um dos melhores álbuns de todos os tempos. É de Blonde On Blonde que fazem parte êxitos como Rainy Day Women, I Want You ou a incrível Just Like A Woman.

httpv://www.youtube.com/watch?v=hk3mAX5xdxo

 * Este artigo é, por opção do autor, escrito ao abrigo do Antigo Acordo Ortográfico.