O lema é tratar “sem tabus” temas que suscitam a curiosidade da sociedade. A estreia está marcada para esta sexta-feira, dia 10 de fevereiro, às 21 horas, logo após o Telejornal, com apresentação de Sandra Felgueiras. Em direto, durante quarenta minutos, o programa semanal, que incluirá reportagens, convidados, diretos e um espaço de reflexão, promete trazer à RTP1 um novo olhar sobre a informação em Portugal.

Na “fase industrial do jornalismo” que vivemos, nas palavras Nuno Santos, na conferência de imprensa de apresentação deste Sexta às 9, é necessário arriscar, e “fazia falta um programa que nos distinguisse” e “pudesse acrescentar à nossa oferta investigação“. A ideia do programa surgiu “a meio do ano passado“, mas foi preciso deixá-la amadurecer e compreender os recursos que exigia, bem como definir bem o conceito.

É feito por uma “pequena equipa“, mas o objetivo é alargar a rede e apelar à participação de outros jornalistas, segundo o diretor de informação da RTP. Para além de Sandra Felgueiras, que não será apenas pivô mas fará também reportagens para o programa, fazem parte da equipa fixa os jornalistas Patrícia Lucas, Margarida Neves de Sousa, Filipe Oliveira Pinto e Pedro Benevides, que colaborará semanalmente com uma crónica de fecho. A coordenação do espaço está a cargo de Nuno Santos e Rosário Salgueiro.

São jornalistas “novos mas experientes”, “quase todos da mesma geração“, afirma Nuno Santos, que tem plena confiança na equipa e em Sandra Felgueiras para a condução do programa: “é uma pessoa que tem mais de uma década de uma carreira sólida, vivida no terreno, construída na reportagem e que neste programa é essencialmente uma repórter“. “A televisão é feita de rostos“, e a jornalista é também o rosto do programa, na sua primeira experiência como pivô no primeiro canal – depois de Hoje, na RTP2.

A televisão pública só faz sentido se tiver influência na sociedade“, referiu Nuno Santos, ou seja, se for “vista, comentada, questionada, contestada, nalgumas circunstâncias“. Por isso mesmo, diz que “não queremos fazer isto para um nicho de espetadores, queremos chegar a muitas pessoas, tocá-las e mexer com elas“. Sandra Felgueiras completa esta ideia: “surpreender, por um lado, mas também trazer para a praça pública temas que, achamos, precisam de ser esclarecidos“.

O jornalismo de investigação é a base“, refere o diretor de informação. Este pode criar problemas, contudo, “nós partimos para o trabalho sem medo, mas com responsabilidade, da nossa atividade enquanto jornalistas e de sermos uma estação pública“, acrescenta. “Partimos sem tabus, não há aqui nenhum tema que esteja obrigatoriamente dentro ou fora em agenda“, diz ainda. Sandra Felgueiras afirma que “é fundamental nós, serviço público, termos uma marca própria de investigação“. E completa: “vamos tocar em todos os assuntos, doa a quem doer“.

A prioridade será sempre a reportagem, “a essência deste programa“, embora seja possível ter em estúdio convidados, sempre que acrescentarem algo ao tema. “Temos uma cultura de reportagem imensa“, afirmou Sandra Felgueiras, mostrando que “para nós RTP é um grande orgulho termos chegado aqui”, pois, como diz Nuno Santos, “gostamos de preservar o nosso ADN“, muito ligado à informação e às pessoas, e “temos de o fazer“.

Na estreia do programa, o tema principal é o “testemunho exclusivo” de Duarte Lima sobre o caso Feteira. Trata-se da primeira vez que o advogado fala à imprensa desde o início do processo, contando aqui “a sua versão da história“. Para além deste tema, o jornalista Filipe Pinto investigou o universo dos hackers em Portugal: quem são e de que forma utilizam os “computadores como armas“, intervindo desta forma na sociedade.

Está previsto que o primeiro ciclo de programas, que arranca agora, termine com a chegada do verão. Após uma avaliação do projecto, pretende-se que regresse à antena em setembro. Nuno Santos afirma que haverão surpresas, nem tudo foi já revelado, pois “o segredo é a alma do negócio“. Fica o convite. Sexta às 9, na RTP1.