Esta semana, no De 0 a 20 iremos analisar não um, mas sim dois programas portugueses. Numa edição um pouco diferente, comentamos as duas produções que têm como base a mesma fórmula: mediuns que falam com os mortos. Na TVI procura-se perceber o que é viver Depois da Vida. Na SIC é percorrido um caminho Até à Verdade. Dois formatos com semelhanças entre si, emitidos ao final da noite à sexta-feira e sábado, respetivamente.

PROGRAMAS DA SEMANA

A 26 de Março de 2010 chegava à TVI um programa que prometia dar que falar. Apresentado por Júlia Pinheiro, seria um formato inovador em Portugal com um conceito à partida simples, mas ao mesmo tempo polémico. Em cada emissão, uma figura conhecida do público iria ao estúdio e, através da medium Anne Germain conseguiria estabelecer contacto com um ente querido, que já tinha falecido. O formato resultou e a estreia registou 39.4% de share. O melhor resultado do programa foi registado duas semanas depois, com uns espantosos 9.1% de audiência média e 42.6% de share, mesmo sendo exibido à meia-noite.

Depois do sucesso da primeira temporada o programa foi ganhando novas emissões. Acabou por mudar de apresentadora. Iva Domingues tem sido a cara do formato, que até vai ter direito a uma tour por várias cidades portuguesas nas próximas semanas. Neste programa, os mais céticos poderão duvidar das conclusões espirituais do início ao fim e os crentes nesta matéria acharão maravilhosos todos os factos relatados pelas mediuns – nesta quinta temporada, atualmente em exibição, são duas mediuns que estabelecem ligação entre o ‘mundo dos mortos’ e o convidado.

Por isso mesmo, analisemos os factos segundo os dois pontos de vista. Os factos apresentados em estúdio pelas mediuns são muitos deles impressionantes e revelam pormenores bem escondidos dos convidados em questão, que só eles sabiam. Como é possível conseguirem revelar informações sobre determinados objetos se só o convidado e a ‘alma’ em comunicação sabiam dele? Mas podemos ser céticos e pensar que os tais objetos são, na realidade, apresentados de uma forma bastante genérica. Todos nós temos um anel de família, uma fotografia especial, uma caixa com qualquer coisa guardada no quarto. Questões de credibilidade (ou não) sobre as quais poderíamos discutir ao longo de várias edições desta rubrica.

Em relação à apresentação, Iva Domingues ou Júlia Pinheiro, tanto faz. É verdade. Neste formato a apresentadora tem um papel de mera tradutora. Aqui a questão de ser uma ou outra cara poderá estar relacionada com a popularidade de uma ou outra apresentadora. Mas não é por aqui que o formato resultará melhor ou pior. Os convidados poderão ser, isso sim, fundamentais para cada emissão. Uma figura que à partida tenha uma história ligada a mortes mais cativante ou que seja uma figura mais mediática, trará à partida mais interesse aos telespetadores.

E traz também ritmo ao programa, porque sendo este formato fundamentalmente de conversa acaba por se tornar um pouco monótono e cansativo. Afinal, haverá, ou não, vida Depois da Vida? E será que as mensagens do ‘além’ são realmente verdade? Acreditando-se ou não, há que respeitar o programa, que tem como base um tema que continuará a gerar polémica e discussões na sociedade. 13/20

Na sequência do programa da TVI, surge um formato com algumas parecenças na SIC. Gravado há cerca de um ano, o programa começou a ser exibido no início de 2012. Neste programa, Rita Ferro Rodrigues recebe dois professores universitários do Canadá. Sendo também mediuns, desenvolvem atividades neste âmbito e colaboram com polícias científicas internacionais na procura da respostas para crimes difíceis de resolver. E é desta forma que a apresentadora da SIC procura o caminho Até à Verdade.

Em cada emissão, Rita parte para a investigação em campo, tendo como pano de fundo um caso mediático. Com os dois mediuns, a equipa do programa vai ao local do referido crime e procura pistas e indícios deixados pelos que já partiram. Em estúdio, os três analisam os dados recolhidos na presença de convidados relacionados com o caso em questão. Não vale a pena referir novamente o ceticismo, ou não, por parte dos espetadores.

http://www.espalhafactos.com/wp-content/uploads/2011/12/Sem-T%C3%ADtulo4.png

Aqui há que salientar o ceticismo da apresentadora. Rita Ferro Rodrigues passa toda a emissão a dirigir-se diretamente ao público, referindo que todos os factos apresentados, mensagens transmitidas e investigações efetuadas são realmente verdadeiras. Que os mediuns nunca tinham estado em Portugal nem sabiam nada sobre o caso em questão. Que eles nem sequer português sabem falar! Tudo isto, enquanto enquanto confessa, uma vez ou outra, ser bastante cética em relação aos métodos utilizados no programa.

Pois bem, este programa da SIC parece ganhar em termos de conteúdo ao da TVI. Tendo a vertente da investigação criminal, contando ainda com a presença de Moita Flores para os comentários do caso, Até À Verdade acaba por conseguir um maior ritmo no que toca ao desenrolar de cada emissão. Porque aqui não só o sobrenatural conta, também o interesse do público em determinados casos pode, ou não, indicar o sucesso do programa.

Até agora os resultados têm sido bastante positivos, principalmente se tivermos em conta que, no horário, os sábados da SIC eram, até aí, uma incógnita, na maioria das vezes onde eram emitidos programas ou filmes que não resultavam nas audiências. No entanto, resta apenas uma emissão, das 6 que foram gravadas. Será que teremos uma segunda temporada deste programa? Resta esperar para ver. 14/20