Há muito que Portugal se tem destacado pela produção teatral que leva a cena. Na Gala Portugal Aplaude 2011, o teatro foi uma das presenças mais frequentes, mostrando-se a diversidade e a qualidade que nos caracterizam. Desde os novos nomes às figuras mais consagradas, o país pára para aplaudir. As salas cheias ao longo do ano, como é o caso do Teatro Nacional D. Maria II, o anfitrião do evento, são disso prova.

Cabe ao Coro do Teatro Nacional São Carlos abrir as hostilidades, interpretando excertos de Don Carlo de Verdi, que integrou a programação daquela sala da espetáculos em 2011. Com um fundo evocando o oceano, as vozes misturavam-se com o piano numa fusão extremamente agradável para quem na sala se encontrava.

Coro do Teatro Nacional São Carlos - Caras (c)

O público teve a oportunidade de conhecer a história do local anfitrião do evento. O Teatro Nacional D. Maria II deu-se a conhecer com outros olhos ao público, ao mesmo tempo em que demonstra que as suas portas estão abertas para todos os que o quiserem visitar. Um exemplo de investimento na cultura, de procura de inovação na arte.

Vera Kolodzig, João Didelet, Joaquim Horta e Rui Melo trouxeram ao palco uma cena de 39 Degraus, uma peça que anda a percorrer o país há mais de um ano, espalhando bom humor de norte a sul.

Paulo Sousa Costa defendeu a necessidade de aplaudir e de se continuar a investir na cultura em Portugal. O produtor de 39 Degraus contou ao Espalha-Factos que tem preparados alguns “bons projetos” para 2012, como um musical infantil e uma obra a partir de um grande escritor português, numa luta contra a crise e numa tentativa que “a cultura nos salve”.

A descentralização da cultura é outra das convicções de Sousa Costa, que opta por estrear os espetáculos sempre fora de Lisboa, levando em frente a sua máxima “Lisboa vai ter de esperar”.

Um excerto da Flauta Mágica de Mozart foi também aplaudido na Sala Garrett, numa prova de que a cultura considerada mais erudita pode chegar a todos de uma forma universal. “Ópera para todos em lugares inesperados”, assim apresentou Sílvia Alberto o momento.

Um ambiente místico foi o que se sentiu no Teatro Nacional D. Maria II aquando da atuação do Fantasma da Ópera, um excerto do musical O Melhor de La Feria. O encenador que tem sido responsável por inúmeras excursões de espectadores ao Teatro Politeama, recebeu deste modo a sua homenagem.

httpv://www.youtube.com/watch?v=R2k-jeaHUOM

Lídia Franco encerrava a dedicatória ao teatro, com o seu monólogo Óscar e a Senhora Cor-de-Rosa. O excerto era um indício de uma densidade psicológica que revestia a personagem, uma criança de 10 anos com leucemia, interpretada pela atriz.

Eunice Muñoz foi uma das aplaudidas da noite. A atriz, que celebra agora 70 anos de carreira, contou ao Espalha-Factos que está otimista sobre a cultura em Portugal e defende que esta “tem de progredir” e de “ser materialmente mais ajudada do que realmente é”.

Também Nicolau Breyner conversou connosco e defendeu que é fundamental “darmos as mãos e termos orgulho em relação àquilo que temos” ao nível de cultura. O ator defende a criatividade como um dos elementos essenciais para criar produtos culturais “dos quais nos possamos orgulhar”.