Desde 22 de janeiro, todos os domingos até meados de março, o Espalha-Factos vai recordar um ator ou uma atriz, que tenha marcado a sua época, mas que caiu em esquecimento ou não foi suficientemente reconhecido. Percorreremos atores de diversas décadas, até à atualidade. Falaremos da sua vida, carreira, papéis mais icónicos e do legado que deixaram.

Com mais de 50 anos de carreira e aos 82 de idade, o ator que ganhou fama como Capitão Von Trapp, no filme Música no Coração, continua imparável. Hoje, recordamos Christopher Plummer, o galã a quem nunca foi dado o devido valor… parece que este será o seu ano, finalmente!

Arthur Christopher Orme Plummer nasceu em Toronto, no Canadá, a 13 de Dezembro de 1929. Percorreu o cinema, o teatro e a televisão, marcando (e continuando a marcar) todas as áreas da representação.

No que respeita à vida pessoal, o ator teve três casamentos, o primeiro, em 1956, foi com Tammy Grimes, com quem teve uma filha, a atriz Amanda Plummer (Pulp Fiction). Em 1962, casou com a jornalista Patricia Lewis, de quem se divorciou cinco anos depois. Elaine Regina Taylor é a sua terceira mulher, com quem está casado desde 1970, já lá vão mais de 40 anos. Christopher Plummer publicou as suas memórias no livro In Spite of Myself: A Memoir, em Novembro de 2008.

httpv://youtu.be/K4560fpkuN4

A fama de Captain Von Trapp

O ator começou por trabalhar na televisão, em séries e telefilmes, até que, em 1958, se dá a sua estreia no cinema com Lágrimas da Ribalta (Stage Struck). Dirigido pelo célebre realizador Sidney Lumet, Plummer teve aqui a oportunidade de trabalhar com dois dos melhores, contracenando também com Henry Fonda. Seguiu-se o seu primeiro papel principal, no mesmo ano, em A Floresta Interdita (Wind Across the Everglades), de Nicholas Ray.

Todavia, foi Música no Coração, em 1965, que o catapultou para a fama. No filme de  Robert Wise, vencedor de cinco Óscares, entre os quais o de Melhor Realizador e de Melhor Filme, Christopher Plummer vestiu a pele do Capitão Von Trapp, ao lado de Julie Andrews. Ironicamente, o ator canadiano não gostou de interpretar o papel que o tornou famoso, classificando-o de “sisudo e uni-dimensional” (“humorless and one-dimensional”).

Ainda na década de 60 e  70, seguiram-se muitos outros filmes, entre os quais se podem destacar Battle of Britain (1969), Waterloo (1970), The Return of the Pink Panther (1975), The Man Who Would Be King (1975) e Murder by Decree (1979), onde foi Sherlock Holmes. Com uns anos 80 menos ativos no cinema, Plummer regressa em grande nas décadas seguintes.

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Onde andam os prémios?

Em 1992, Malcom X marca o regresso de Plummer aos bons filmes, seguindo-se 12 Macacos, em 1995, onde foi pai de Brad Pitt. Pouco depois, em 1999, o ator canadiano mostra que ainda tem muito para dar em O Informador, de Michael Mann, ao lado de Al Pacino e Russell Crowe. Plummer tem aqui uma das suas prestações mais memoráveis e pela qual recebeu várias distinções, interpretando o jornalista de televisão Mike Wallace.

O novo milénio trouxe consigo um Christopher Plummer incansável. Em Uma Mente Brilhante (2001), vestiu a pele de Dr. Rosen, foi David em Ararat (2002), entrou em Alexandre, O Grande (2004) como Aristóteles. E outros filmes se seguiram, como Syriana (2005), O Novo Mundo (2005), Infiltrado (2006) ou A Casa da Lagoa (2006). Mais recentemente, no oscarizado Up – Altamente (2009), Plummer deu voz ao vilão Charles Muntz, e, no mesmo ano, foi Parnassus – O Homem que Queria Enganar o Diabo, ao lado de Heath Ledger, Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell.

Parece quase inacreditável que, com uma filmografia de mais de 100 filmes, Plummer tenha recebido a primeira (de duas) nomeação para os Óscares apenas em 2010, com 80 anos. É pelo papel do escritor e herói russo Leo Tolstoy, em A Última Estação (2009), onde contracena com Helen Mirren (que faz de sua mulher), que a Academia o distingue, pela primeira vez em toda a sua carreira, com a nomeação para Melhor Ator Secundário. No entanto, o prémio foi esse ano entregue a Christoph Waltz, pelo seu trabalho em Sacanas sem Lei.

Assim é o Amor parece ser o filme que lhe trará o mais que merecido reconhecimento. Aqui, Christopher Plummer interpreta Hal Fields, um homem que, seis meses após a morte da sua mulher, revela a sua homossexualidade e, pouco tempo depois, descobre que sofre de uma doença terminal. Ao lado de Ewan McGregor, Plummer tem um desempenho incrível e, desta vez, a Academia reparou.

O filme de Mike Mills já lhe deu este ano o Globo de Ouro de Melhor Ator Secundário, e Plummer conta com nomeações para a mesma categoria para os Óscares e BAFTA. Sem Brooks (Drive) na concorrência, tudo aponta para que seja este o ano do seu mais que merecido reconhecimento chegar.

httpv://youtu.be/4pYu83JHg0E

Dividido desde o início da sua carreira entre o cinema, a televisão e o teatro, aos 82 anos Christopher Plummer continua (felizmente) a um ritmo aceleradíssimo. Em 2011, por cá, pudemos vê-lo em Assim é o Amor e Padre e, atualmente, está nos cinemas Millennium 1: Os Homens que Odeiam as Mulheres, onde interpreta o empresário Henrik Vanger.

Inês Moreira Santos