A implementação do novo serviço de medição de audiências, responsabilidade da GFK, já se sabe, tem um novo prazo para entrar em funcionamento. A CAEM (Comissão de Análise de Estudo de Meios) deu a data de 1 de março para que todo o processo se inicie. Este prazo foi prolongado depois da GFK falhar o objetivo de medir audiências em janeiro e fevereiro. Caso em março as falhas continuem a acontecer, a ameaça está feita: pode acontecer um novo concurso.

A proposta de novo adiamento para a empresa iniciar a medição de audiências veio do representante dos meios, José Fragoso, diretor de conteúdos da TVI. O motivo são problemas detetados no sistema, relacionados com algumas falhas identificadas pela comissão tecnico-consultiva da CAEM, principalmente no sistema de audio-matching. Este sistema, que regista a audiência de um determinado canal ou programa através da correspondência do som recebido com o som emitido, tem a potencialidade de medir em tempo real o sistema analógico e o sistema digital. Os problemas maiores verificam-se principalmente pela decorrência, em simultâneo, do processo de apagão analógico.

Segundo a edição de hoje do Diário Económico, a Comissão tem pressionado a empresa para a apresentação rápida de resultados, a GFK tem de medir audiências pelo menos durante 15 dias consecutivos antes do mercado começar a usar como referência os seus dados, caso contrário, já se fala na hipótese de encontrar uma nova alternativa.

Durante as próximas semanas, ainda segundo o mesmo jornal diário, decorrerão rastreios técnicos contínuos, seguindo-se um protocolo de testes previsto pela comissão. Só após este processo será possível a validação pelas equipas da CAEM, que verificarão a efetiva representação do painel e a resolução dos problemas técnicos apontados anteriormente.

Fontes na GFK garantiram ao Económico que “não há motivos formais para temer falhas” e “que o sistema está a funcionar, apesar das limitações, que serão resolvidas” mal o mercado “ganhe alguma estabilidade“.

Os problemas já encontrados referem-se a um elevado número de «not set», isto é, audiência verificada noutros canais que não os de referência. Ou seja, audiência em canais que não se encontram a ser transmitidos, nos pacotes de televisão conhecidos, para o público português. Outra falha tem a ver com mais de um quarto do painel não estar a permitir o reconhecimento dos canais a serem vistos pelos consumidores. A GFK tem relativizado e admite que estas anomalias se podem dever “a cabos desligados“.

O concurso para a medição de audiências acabou envolto em polémica, depois da avaliação técnica ter dado melhor pontuação à Marktest, mas a GFK ter vencido por ter a oferta mais barata. Os quatro meses de discussão em torno desta questão levaram a que o sistema se atrasasse em igual período, mas da parte dos anunciantes e meios, não há vontade de voltar atrás. O objetivo é pôr este sistema a funcionar o mais rapidamente possível.