Quinteto londrino formado em 2005, os The Maccabees foram, ao longo dos últimos seis anos, criando algum burburinho na cena Indie/Alternative, com os seus primeiros dois discos, Colour It In (2007) e Wall of Arms (2009), registos de um grupo que sabia bem aliar influências do Post-Punk com uma atitude Pop muito exuberante e enérgica. Pois bem, passados três anos desde o seu segundo álbum, chegam agora com o seu terceiro LP, Given to the Wild, que está disponível nas lojas desde 6 de Janeiro, e que será aqui analisado.

Foi em 2010 que descobri  os The Maccabees, mais precisamente no palco secundário do Optimus Alive!. Foi um feliz acaso que me levou até eles, e foi com imensa curiosidade que sai daquele concerto, que fez com que rapidamente devorasse a sua discografia. Não chegarei ao ponto de dizer que sou admirador incondicional do grupo, mas a verdade é que fiquei fã de Colour It In e Wall of Arms, daí que não seja de estranhar que tenha ficado expectante quando soube que Given to the Wild estava agendado para o início de 2012. E, apesar deste terceiro longa-duração dos britânicos não ser mau, confesso que esperava um pouco mais dos The Maccabees.

Quem conhece os The Maccabees e o seu Indie Rock não irá certamente ser totalmente surpreendido por este Given to the Wild. Porém, para este terceiro LP os londrinos decidiram “temperar” este registo com algumas nuances que o torna diferente dos seus antecessores.  A começar, temos um abrandamento no ritmo em relação a Wall of Arms, que confere a este disco uma passada mais calma e calculada. Não quero com isto fazer passar a ideia de que Given to the Wild é um álbum lento; porém, é certo que o som dos  The Maccabees não está tão “fervilhante” quanto no passado, mas o que perderam aí foi ganho em coesão e solidez.

Outra mudança em relação a Colour It In e Wall of Arms está na produção, que neste disco foi partilhada por Tim Goldsworthy, Bruno Ellingham e Jag Jago. Enquanto que nos dois primeiros discos tínhamos uma abordagem mais directa e abrasiva, neste Given to the Wild assistimos a uma estética mais cuidada, polida e refinada, com a introdução, ainda que pontual, de arranjos clássicos de sopros e cordas em algumas das canções. Contudo, nas letras do grupo e nos vocais de Orlando Weeks notam-se as semelhanças com os discos anteriores, o que mostra que Given to the Wild é um belo exemplo de evolução na continuidade.

Contudo, devo dizer que, para mim, nem tudo é perfeito neste terceiro disco dos The Maccabees. Apesar de apreciar a tentativa de experimentação e a vontade de mostrar um som mais maduro, admito que a abordagem mais jovial e enérgica dos outros discos me agradava mais. Confesso que parece que neste Given to the Wild falta um som mais mexido e animado, que faça jus à “marca de água” que os  The Maccabees têm vindo a criar desde Colour It In, o que justifica que a minha reacção em relação a este LP não seja a melhor.

Outra coisa que me desencantou em Given to the Wild é a inconsistência que se foi revelando ao longo da minha audição. Consigo até fazer comparações entre este LP e uma verdadeira montanha-russa, pautada por altos e baixos sucessivos, com o balanço criado por faixas muito boas a ser cortado por peças mais medianas, ou até fracas, algo que matou o ritmo e o ímpeto do disco. Isto mostra que, apesar de não ser um mau álbum, Given to the Wild podia ter sido mais trabalhado, que os The Maccabees só beneficiariam com isso.

Como pontos obrigatórios deste LP destaco a refinada Feel to Follow, a musculada Pelican e a minha faixa preferida, a bela e intricada Forever I’ve Known, uma canção que começa com um ritmo vagaroso mais que se vai construindo com um crescendo espantoso, desembocando num tremendo clímax. A evitar são, a meu ver, Glimmer, Unknown e Slowly One, que sofrem de defeitos que, como já disse, impedem que o disco brilhe como um todo.

Em tom de conclusão, Given to the Wild é um bom álbum, mas para mim falhou em suceder de forma completamente satisfatória os seus antecessores, Colour It In e Wall of Arms. Ainda que não haja diferenças gigantescas na sonoridade do grupo, a verdade é que a abordagem mais adulta e sóbria dos The Maccabees neste LP, de certa forma, contrasta com a frescura e jovialidade que transparecia dos primeiros discos, o que me deixou um pouco apreensivo com este registo. Contudo, não deixa de ser interessante ver uma banda sair da sua “zona de conforto”, e por isso estou bastante curioso para ver no que é que esta maturidade vai dar. Até lá, vale a pena passar por umas (pequenas) “dores de crescimento” e disfrutar deste Given to the Wild.

Nota Final: 7,3/10

 *Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945