O que comanda a vida é a vontade de vencer, ninguém o nega. A competição foi feita para os vencedores. O desporto consagra os campeões, que moldam a história, e deixa os derrotados na obscuridade. Moneyball – Jogada de Risco, mais que um filme de baseball, é uma obra sobre a vontade incomensurável de vitória. Não um sentimento puramente egocêntrico e sem escrúpulos, mas uma vitória dignificadora e gloriosa. Um ímpeto desprovido de interesses monetários ou políticos. A pura necessidade de sair vencedor. Moneyball – Jogada de Risco é isso mesmo, mas fica-se por aí. 

O realizador Bennet Miller, conhecido pelo seu último filme Capote (2005), conta-nos a história verídica de Billy Beane, protagonizado por Brad Pitt, o general manager da equipa americana de baseball Oakland AthleticsBilly encontra-se em dificuldades para construir uma equipa de elite que tenha hipóteses de ganhar a World Series, tendo em conta que o orçamento da equipa é dos mais baixos da liga. Para piorar, perde os três melhores jogadores e a sua equipa técnica parece não encontrar nenhuma solução. É então que Billy se depara com o milagre que tanto esperava: Peter Brand, interpretado por Jonah HillPeter, um jovem licenciado em economia, pela universidade de Yale, traz com ele um método inovador. Chamam-lhe Moneyball, um processo estatístico, que através dos números de cada jogador, monta a equipa perfeita, para cada orçamento. Os dados estão lançados.

A obra de Miller enquadra-se num género recorrente do cinema americano, o desporto. Um Sonho Possível (2009), Invictus (2009) ou The Fighter – Último Round (2010) são alguns dos exemplos mais recentes, mas recordando clássicos do séc. XX como O Touro Enraivecido (1980) ou até mesmo, Jerry Maguire (1996), não podemos negar que o desporto tem sido um alvo querido do cinema americano. Moneyball – Jogada de Risco é, de forma geral, um bom filho de todos esses filmes de desporto. É certo que o ângulo de abordagem é um pouco divergente. O que está em causa não é o espírito de uma equipa, ou de um jogador, que se vai construindo jogo após jogo, mas sim a mecânica empresarial em torno dos jogadores. Aliás, a meu ver, o filme denuncia, quase se quer querer, esse carácter mercantil, e, de certa forma, escravagista, com que se encara o jogador.

Mas Moneyball – Jogada de Risco não surpreende com a sua narrativa. Se essa nova perspetiva do desporto era o trunfo de Steve Zaillian e Aaron Sorkin, a dupla de argumentistas deixou muito a desejar. O motor narrativo, apesar de camuflado, continua a ser o mesmo de vários filmes do género, principalmente os mais recentes. Em absoluto, a história resume-se a um contraponto entre o perder e o vencer.

A grande vitória, porém, está na realização. Apesar de ser, com clareza, um filme de índole mais comercial e que pressupõe uma realização e uma técnica mais formatada, creio que Miller fez um trabalho rigoroso na apresentação das duas personagens principais, além de uma coesão e contenção acertada na utilização de planos, sem grandes floreados audiovisuais, fazendo do filme uma experiência visual bastante suave. A câmara simplesmente desaparece. A relação dos dois personagens é, desta forma, mais rápida de absorver e, desde logo, catalogada. Nas várias cenas entre os dois, através de uma série de diálogos que aprofundam a necessidade de Billy em vencer, Miller cria um núcleo coeso, que se repete ao longo do filme. Peter vê em Billy um mentor, enquanto Billy tem em Peter um conselheiro. Esta dialética vai estruturar a própria obra.

Obviamente que a interpretação de Brad Pitt ajuda a esse processo. Pitt conjuga com fulgor a tridimensionalidade de Billy, que vai evoluindo ao longo do filme, tornando-se, no seu término, um homem melhor. Contudo, não é, de longe, o seu melhor papel, mesmo comparando-o, apenas, com o seu trabalho impressionista em A Árvore da Vida (esse sim, merecedor de uma qualquer estatueta). De resto, o elenco passa despercebido, Philip Seymour Hoffman está só de passagem e mesmo Jonah Hill é ofuscado por Brad Pitt, acrescentando pouco à faceta humorística do filme (caso tenha sido esse o objetivo com a escolha do ator para o papel).

Moneyball – Jogada de Risco é, em suma, mais um filme sobre desporto. Revive alguns clichés, mas realiza-os muito bem. E mesmo não apostando demasiado na originalidade, o filme não peca por obviedade e deixará muitos de nós colados ao ecrã, nos seus 133 minutos.

Um filme para os amantes de desporto e não só.

7/10

Ficha Técnica

Título original: Moneyball

Realizado por: Bennett Miller

Escrito por: Steven Zaillian e Aaron Sorkin, baseado na obra de Michael Lewis.

Elenco: Brad Pitt, Jonah Hill e Philip Seymour Hoffman.

Género: Desporto, Biografia, Drama

Duração: 133 minutos