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Let’s Go Eat the Factory

Depois de um hiato, iniciado em 2004, lhes ter interrompido uma carreira de 21 anos bastante prolífica, recheada com 15 discos de originais, os Guided by Voices de Robert Pollard decidiram reunir-se o ano passado para gravar o sucessor de Half Smiles of the Decomposed (2003). O resultado deste retorno ao estúdio é Let’s Go Eat the Factory, o 16º álbum da banda, que começou a ser distribuído no dia 1 de Janeiro, e que será hoje alvo de review.

Com uma sonoridade baseada numa mistura de influências tão diversas como o Progressive e Psychedelic Rock com Jangle Pop, Country e British Invasion, com doses bem generosas de Lo-Fi a acompanhar, os Guided by Voices sempre foram uma banda muito sui generis. Por isso, eu não sabia muito bem o que esperar quando descobri que Robert Pollard e companhia iam regressar para gravar o seu 16º disco de originais. E, apesar de Let’s Go Eat the Factory ser tudo menos um álbum “normal”, a verdade é que não foge àquilo que os GbV têm feito desde 1983, se bem que não posso dizer que tenha ficado completamente satisfeito com este LP.

Depois de terem gravado um disco mais “normal” e coeso em Half Smiles of the Decomposed, os GbV mostram, neste Let’s Go Eat the Factory, um regresso à sua “tradição” de fazer álbuns recheados de canções curtas, concentradas e completamente diferentes umas das outras, tanto ao nível das sonoridades como dos temas e da lírica. Assim, este 16º álbum da banda acaba por ser uma colecção de 21 canções que tão rapidamente exploram o Psychedelic Rock como se atiram ao Hard Rock e ao Country, o que resulta num registo recheado de experimentalismo frenético e imprevisível.

Na produção, o Lo-Fi tão característico dos Guided by Voices marca presença, assim como, paradoxalmente, uma utilização rica de orquestrações clássicas. Na voz, Pollard retém o seu tom grave e icónico, algo que sem dúvida enriquece e complementa bem as canções. Nas letras, os GbV mantêm, tal como na sonoridade, o cunho experimental, tresloucado e inesperado que marca toda a sua obra. No geral, este Let’s Go Eat the Factory é uma obra que irá deixar muitos fãs da banda satisfeitos, pelo facto de seguir o “cânone” dos Guided by Voices.

Contudo, apesar de Let’s Go Eat the Factory ter bons momentos, a verdade é que também acaba por ter muitas falhas, que minam, a meu ver, a sua qualidade. A encabeçar essa lista de defeitos está a curta duração das canções; apesar desta não ser uma característica nova nos discos dos GbV,a  verdade é que neste LP as faixas acabam por ser demasiado pequenas, e isso faz com que algumas das boas ideias que estão aqui presentes “morram na praia”, impedindo que culminem em boas canções, algo que faz com que uma sensação de insatisfação paire sobre o álbum.

Outro senão que encontrei neste LP foi a sua vasta abrangência de panoramas sonoros. Apesar de apreciar o experimentalismo e a variedade, neste Let’s Go Eat the Factory existe, a meu ver, uma grande dispersão, que acaba por se traduzir num álbum bastante inconsistente ao nível da qualidade. Confesso que fiquei com a sensação de que os Guided by Voices já conseguiram fazer álbuns bastante melhores, e que neste disco se limitaram a lançar barro à parede, com resultados muito pouco sólidos.

Na hora de escolher os pontos altos deste Let’s Go Eat the Factory, assinalo a portentosa Spiderfighter, a desconcertante Waves  e a minha favorita, a tresloucada e mirabolante Either Nelson. Quanto às mais fracas desta obra, destaco Who Invented the Sun, The Things That Never Need e Old Bones, peças que pecam por estarem, a meu ver, pouco desenvolvidas e trabalhadas.

Em suma, o festival de guitarras destorcidas, pianos dissonantes e psicadelismo inquietante tem, a meu ver, um certo encanto, pelo que este Let’s Go Eat the Factory vai agradar quem aprecia o experimentalismo louco e desvairado dos Guided by Voices. Contudo, este álbum está pouco acima de um nível mediano, e mostra que o grupo de Robert Pollard está longe dos tempos áureos de Bee Thousand (1994). Só me resta esperar que a situação melhore, e que para o próximo disco (Class Clown Spots a UFO, que deverá sair também em 2012) os Guided by Voices não se limitem a cumprir os requisitos mínimos.

Nota Final: 6,4/10

*Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945

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