A espionagem chega hoje aos cinemas portugueses com A Toupeira, filme aclamado pela crítica internacional, baseado no romance de 1974 de John Le Carré, e realizado por Tomas Alfredson (o mesmo do filme sueco de 2008, Deixa-me Entrar). Gary Oldman, numa prestação irrepreensível, assume o comando na perigosa busca d’ A Toupeira.

É em plena Guerra Fria que George Smiley (Gary Oldman), conceituado agente secreto do Circus, agora na reforma, se vê obrigado a voltar às suas funções. Smiley terá de investigar a possibilidade de existir uma Toupeira – um agente soviético infiltrado – no topo da hierarquia dos serviços secretos britânicos. É a partir daqui que tudo se desenrola. Não será de todo fácil descobrir a identidade da Toupeira, mas Gary Oldman revela-se à altura da tarefa.

A adaptação do romance do romance de Le Carré ao grande ecrã resulta num argumento muito interessante que agradará certamente aos fãs de espionagem. É invocado um momento histórico de grande tensão, nos anos 70, em plena guerra fria, onde as facções comunista/capitalista esperavam um confronto directo, que parecia iminente. Ter, num momento como este, um agente infiltrado numa organização de tamanha importância poderia ser fatal. “Quem é a Toupeira?” é a interrogação que paira ao longo de todo o filme.

A Toupeira requer, contudo, grande atenção por parte do espectador, pois será muito fácil que este se veja meio perdido em determinados momentos. Para isso contribuem as muitas personagens do filme, que também acabam por não ser desenvolvidas como se gostaria de ver, à excepção do protagonista George Smiley. Tinker, Tailor e Soldier (os principais suspeitos de ser a Toupeira) mereceriam, certamente, um maior destaque. Todavia, Alfredson soube contar toda a história da melhor forma, e tudo culmina num belíssimo final.

O elenco é um dos pontos mais fortes deste filme, reunindo, para além de Oldman, outros grandes nomes do cinema. John Hurt, sempre competente, apesar da sua curta aparição como Control; Colin Firth, que já nos habituou a excelentes interpretações, soma-lhes mais uma como Bill Haydon; Toby Jones, a encarnar um pouco simpático Percy Alleline; Tom Hardy com algum destaque como Ricki Tarr; Mark Strong, na pele de Jim Prideaux, numa prestação que me agradou especialmente; Benedict Cumberbatch, como Peter Guillam, é uma preciosa ajuda nas investigações de Smiley; e Kathy Burke, com o papel feminino mais relevante neste filme dominado pelos homens, como Connie Sachs. Mas é mesmo Gary Oldman que comanda e mostra mais uma incrível interpretação.

No meio da espionagem e do perigo que pode espreitar de qualquer lado (já que não se sabe quem é o infiltrado), vêem-se exploradas, de forma muito subtil, as relações entre algumas personagens, onde a frieza de uns contrasta com sentimentos inesperados (para quem assiste), e onde a homossexualidade está também presente.

A banda sonora, do compositor Alberto Iglesias, adensa o suspense que está sempre presente até ao último minuto, e o trabalho de fotografia, sob a direcção de Hoyte van Hoytema, juntam-se à excelente realização para proporcionar ao público um filme de grande qualidade.

Apesar dos muitos aspectos positivos, A Toupeira deixou-me à espera de um pouco mais do que aquilo que recebi. Não deixa, apesar disso, de ser um filme de qualidade inegável, que marcará certamente quem o vir, envolvendo-nos no mundo da espionagem e das aparências.

7.5/10

Ficha Técnica

Título Original: Tinker Tailor Soldier Spy

Realizador:  Tomas Alfredson

Argumento: Bridget O’Connor e Peter Straughan, baseado no romance de John le Carré

Elenco: Gary Oldman, Tom Hardy, Benedict Cumberbatch, Colin Firth, John Hurt, Toby Jones, Mark Strong

Género: Thriller

Duração: 127 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos