Como anunciado na semana passada, no último mês de 2011 o Espalha Factos apresenta uma série de edições especiais desta rubrica, intituladas 2011 de 0 a 20. Hoje iremos fazer uma revisão dos principais programas que passaram pela SIC durante o ano de 2011, depois de termos feito o mesmo com a estação pública na semana passada.

2011 de 0 a 20 – Especial SIC

ALMA GÉMEA

Estreia – 3 de Janeiro de 2011

(Audiência da emissão – 2.1% de audiência e 17.4% de share)

Foi a primeira estreia do ano da SIC (excluindo o cinema no ano novo) e começou com audiências fracas, abaixo dos 20%. Depois de uns primeiros episódios à volta destes valores, a novela brasileira em reposição na SIC começou a subir e conseguiu acabar por ser líder destacada no seu horário. A sua antecessora, Negócio da China, tinha sido cancelada e posteriormente enviada para as madrugadas pelos fracos resultados obtidos neste horário. Esta novela merece o destaque sobretudo por ter conseguido recuperar um horário que durante 4 meses parecia perdido para a SIC. A verdade é que todo o trabalho desta reposição parece ter sido em vão. Em Outubro, a novela foi substituída por outra reposição, desta vez mais recente e em português. Parece que Perfeito Coração vai também ser um Negócio da China. Será que em 2012 teremos uma nova alma gémea para recuperar os resultados da estação? 16/20

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PORTUGAL TEM TALENTO

Estreia – 30 de Janeiro de 2011

(Audiência da emissão – 16.1% de audiência e 38.4% de share)

Antes da estrear, Portugal Tem Talento não causou grande expectativa entre o público português, até porque serviria como programa-transição entre o Ídolos e a estreia de Peso Pesado. Pelo menos assim pareceu e a promoção não sendo pouca, também não foi muita; talvez tenha sido a suficiente… A estreia do programa obteve 16.1% de audiência média e 38.4% de share, com picos de 20% de audiência. Uma verdadeira surpresa!. Na fase de castings, Bárbara Guimarães surpreendeu com a sua simplicidade e à vontade no contacto directo com os concorrentes. Quanto ao júri, à partida, seria diferente do habitual e a mistura entre Conceição Lino e Zé Diogo Quintela, por exemplo, poderia não soar muito bem. Mas, surpreendentemente (mais uma vez!) resultou. Um apontamento negativo para a realização do programa, o pior do Portugal Tem Talento, sem dúvida. Planos estranhos, edição de imagem um pouco duvidosa, uma realização que deixou muito a desejar. Na final, que teve uma duração excessiva de quatro horas, o programa lá chegou aos 37% de share, apesar de não passar os 9% de rating (tendo em conta que o programa acabou perto das 2h da manhã, não foi nada mau). Concluindo, para um programa que pouca promoção teve e que poucas expectativas gerou à sua volta, esta primeira edição do Portugal tem Talento conseguiu marcar o seu lugar na televisão e cumpriu o seu papel. 16/20

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A FAMÍLIA MATA

Estreia – 6 de Março de 2011

(Audiência da emissão – 10.3% de audiência e 27.1% de share)

A série merecia mais, merecia uma maior aposta por parte da SIC. A história evoluiu ao longo dos tempos e, curiosamente, os primeiros episódios, que tiveram mais audiência, foram os menos bons da série. Não foram maus, mas foram menos bons. E foram-no porque os actores ainda estavam a entrar na personagem, o público estava a habituar-se àquela família e a história estava a ganhar consistência. Na segunda semana de exibição a Família Mata já estava a ficar no seu formato ideal (a fazer lembrar a fantástica e incomparável série Aqui Não Há Quem Viva). É impressionante a capacidade que Rita Blanco tem em despir uma personagem para vestir outra completamente diferente. Humor ou drama, exemplar nos dois registos. É raro encontrar uma actriz que o consiga fazer da forma como ela o faz. Outro grande destaque foi Maria João Abreu, que teve a melhor personagem da trama. De resto, tivemos um elenco bastante bom. Desde André Nunes a Maya Booth, passando por Vítor Espadinha ou José Pedro Gomes, no geral, os actores da série cumpriram o objectivo: fazer rir os portugueses. Apesar de ter tudo para resultar, a série foi um verdadeiro flop. A exibição ficou a meio (existem mais de 30 episódios inéditos para dar) e parece que não voltará tão cedo. Esperemos que este formato regresse, quem sabe num Verão às 22:45, quando a série for reposta e, nessa altura, for um sucesso. 17/20

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QUERIDA JÚLIA

Estreia – 14 de Março de 2011

(Audiência da emissão – 3.1% de audiência e 27% de share)

Em Março, a SIC prometia uma grande mudança na estação. Novos separadores, que anunciavam uma nova imagem e novas caras. Uma nova cara nas manhãs, uma remodelação do programa da tarde e muitas novidades na grelha. A grande novidade era mesmo o regresso de Júlia Pinheiro à SIC, vários anos depois de ter dado a cara pela TVI. Dois meses e meio depois de apresentar a final do Secret Story (o último programa apresentado por si na TVI), a popular apresentadora passou a liderar as manhãs, com a estreia do seu Querida Júlia, em Março. A promoção foi intensa e os resultados da estreia, na altura, foram para muito ‘medianos’ e um pouco aquém das espectativas. Ainda assim, os 27% de share registados foram um dos melhores resultados de sempre do programa, que dias depois da estreia andava já a fazer resultados miseráveis. Enquanto Goucha e Cristina lideravam na TVI, Júlia Pinheiro chegava a registar 12% de share. O motivo? Talvez o facto de o programa ter poucas rúbricas, não estar suficientemente estruturado, não ser original, não vir marcar a diferença na estação. Porque foi isso que o Você na TV conseguiu, mas para isso foram precisos vários anos para destronar a campeã de audiências, Fátima Lopes. Neste caso, não foi chegar, ver e vencer. É preciso paciência para quebrar com hábitos televisivos que já vêm de há anos. E nem mesmo o carisma de Júlia Pinheiroconseguiu mudar isso. Nos últimos tempos, o programa tem subido nas audiências. Muitos dizem que foi graças ao empurrão de Cartas da Maya – O Dilema. Pode ter sido, mas já é um começo para ir subindo, aos poucos, nas audiências. Para já, o programa tem muito para melhorar e só depois poderá pensar na competição pela liderança. 15/20

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 PESO PESADO

Estreia – 1 de Maio de 2011

(Audiência da emissão – 18.4% de audiência e 44.8% de share)

Ao longo de três meses, seis dias por semana, a SIC emitiu a primeira edição deste programa que emocionou os portugueses. Com um formato diário, facto que poderia levar a um desgaste fácil do formato, mas por outro fidelizar ainda mais os telespectadores, rapidamente percebemos que Peso Pesado viria a conquistar o público. Com uma estreia arrasadora (um dos melhores resultados de sempre na estreia de um formato), a partir daí, os resultados desceram mas mantiveram-se constantes até ao fim, sendo o programa líder no horário em grande parte dos dias. Na primeira versão do programa pudemos ainda verificar uma série de mudanças no jogo a que a produção chamou de “reviravoltas inesperadas”. Expulsões directas, novas duplas, regressos à Herdade e muitas surpresas nas Caminhadas do Poder. Passando para a apresentadora, Júlia Pinheiro, podemos dizer que teve altos e baixos na condução do programa. Na emissão de estreia esteve irrepreensível. Segura, directa, determinada e com uma postura mais contida do que o habitual, Júlia Pinheiro deu o seu melhor e arrasou por completo. Contudo, ao longo das 12 semanas do concurso, o recurso constante aos cartões e a notória falta de uma preparação mais cuidada sobre o desenrolar dos acontecimentos na Herdade, acabaram por trair a postura da apresentadora. Mas o à vontade de Júlia com os concorrentes nas pesagens, acabou por ‘desculpar’ estes pequenos erros durante a semana. A gala final foi fantástica, superando todas as expectativas. Para começar, uma realização bem acima do habitual. Não houve momentos mortos, e os ‘enche chouriço’, habituais nestas finais, quase que não marcaram presença, apesar das quase 4h de duração. Devido a tudo isto, a 2ª edição de Peso Pesado tinha uma tarefa bastante complicada. Par além da apresentação passar a estar a cargo de Bárbara Guimarães, a TVI apostou forte na 2ª edição da Casa dos Segredos. O formato da SIC aguentou-se, mas ficou muito aquém dos resultados da edição inicial (com maior diferença nos diários). Talvez a proximidade entre as duas edições tenha também contribuído para o insucesso. O certo é que ambas as edições poderiam resultar, pois o formato é o mesmo. Um excelente formato, inovador e bem conseguido. 17/20

 NÃO HÁ CRISE!

Estreia – 25 de Julho de 2011

(Audiência da emissão – 9.9% de audiência e 26.1% de share)

Estreou em pleno Verão o formato apresentado por Nuno Graciano e tão conhecido pelos portugueses. Apanhados importados de outros países, com situações caricatas, que divertem os portugueses e resultam nas audiências. Este foi o programa que surgiu em 2008 e que esteve no ar durante vários meses (até acabar por sair por se encontrar desgastado e registar baixos valores de audiências). Este ano, a SIC resolveu voltar com o formato, com novo grafismo e apanhados novos. A primeira semana do programa foi bastante positiva, com apanhados inéditos em Portugal, filmados muito recentemente e com situações engraçadas. Mas a partir daí, o Não Há Crise! começou a ser preenchido por situações filmadas em 1996, com ‘cheiro a mofo’ e uma qualidade de imagem má. Já para não falar que piada não tinham nenhuma. O mais incrível é que as audiências continuaram bastante positivas e o programa manteve-se regularmente no TOP 5 do dia, durante algumas semanas. Claro que ao fim de algum tempo, o público ‘acordou’ e apesar do programa ter tido 40 emissões, só as primeiras resultaram razoavelmente bem. Não Há Crise!  acabou desgastado, com fracos resultados, e com um falso ar de ‘novos apanhados’. Deverá permanecer na ‘gaveta’ durante algum tempo, mas de certeza que daqui a algum tempo voltará à grelha da SIC para tapar algum ‘buraco’ deixado vago por um outro formato televisivo. 7/20

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CHAMAR A MÚSICA

Estreia – 30 de Julho de 2011

(Audiência da emissão – 12.0% de audiência e 35.3% de share)

Entre as duas edições do Peso Pesado, a SIC emitiu o único grande formato apresentado por Manzarra este ano. No final de Julho estreava a nova edição do Chamar a Música. Numa entrevista dada antes da estreia do programa, o apresentador disse que as comparações com o Herman não poderiam ser feitas, porque os dois tinham estilos de apresentação diferentes. Contudo, tal comparação é inevitável, pois trata-se do mesmo programa e o apresentador está no mesmo registo. Se por um lado João Manzarra ganha pela sua simpatia e diversão genuína, Herman José leva a melhor no que toca à experiência, conhecimentos musicais e capacidade de improviso. Qual deles é o melhor? Seria injusto dizê-lo, porque João Manzarra tem razão: são dois apresentadores com estilos diferentes, em diferentes pontos da sua carreira. Uma coisa é certa: a nova mecânica do jogo, tendo em conta que os convidados são famosos, acabou por torná-lo mais aliciante para quem o vê em casa. Enquanto que na 1ª temporada do programa, os concorrentes competiam individualmente, nesta os famosos competiram em duplas. E mesmo em termos de concorrentes, tornou-se bem mais interessante ver famosos a jogar do que anónimos.De resto, é importante salientar que o Chamar a Música conseguiu segurar a audiência de Peso Pesado, pelo menos nas primeiras emissões, porque o programa acabou por descer com a chegada de Secret Story. Mas o balanço é positivo e sendo este um formato leve e de puro entretenimento tipicamente de Verão, o objectivo foi cumprido. 16/20

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 ROSA FOGO

Estreia – 19 de Setembro de 2011

(Audiência da emissão – 10.6% de audiência e 25.8% de share)

Veio substituir a novela vencedora (nas audiências e nos Emmy) e tinha, à partida, um caminho bem difícil. Teve uma das promoções mais intensas feitas na SIC. Estreou em Setembro e esteve a ser emitida em simultâneo com Laços de Sangue durante duas semanas. A produção escrita por Patrícia Sequeira nunca conseguiu resultados altos, mas isso Laços de Sangue também não conseguia no início. Porém, enquanto a história de Diana e Inês subiu ao fim de algumas semanas, esta nova trama tarda em registar bons resultados. Até agora, com alguns altos e baixos, Rosa Fogo não tem passado os 25% de share. A história pode até ser forte, mas os diálogos são um pouco arrastados. Não tem os ‘ganchos’ de Laços de Sangue , mas tem uma boa produção como a ‘novela da nossa gente’. Será que vai continuar em baixo ou ainda vai subir nas audiências? Até à estreia de Dancin’ Days (que marca o regresso de Joana Santos e da co-produção SIC/Globo), a história protagonizada por Cláudia Vieira, Ângelo Rodrigues e José Fidalgo terá de conseguir segurar o horário nobre da estação. Para já, a tarefa não está 100% segura, mas já esteve mais longe de ser conseguida. 16/20

 CARTAS DA MAYA – O DILEMA

Estreia – 23 de Setembro de 2011

(Audiência da emissão – 0.6% de audiência e 12.6% de share)

Antes de começar choveram críticas ao programa. Pelo formato, pela apresentadora, pelo horário. Ninguém dava nada por Cartas da Maya, ainda por cima num horário ‘morto’ para a SIC há anos, onde a RTP liderava incontestavelmente. Depois disto, o programa estreou com fracos resultados. Foi dado como uma má aposta, como um flop de audiências, um erro na programação. Bem, na verdade foi uma aposta certeira. Passados alguns dias, Maya conseguiu um impensável: para além de subir e liderar, por vezes, no horário, conseguiu ser uma alavanca para a subida do Querida Júlia. Passou de ‘besta’ para ‘ideal’. E assim, um programa que pouco ou nada viria acrescentar à televisão portuguesa, passou a ser fundamental para as manhãs da SIC. O formato é simples: Maya recebe várias chamadas e ajuda os telespectadores com as suas cartas. No final de cada emissão há ainda espaço para um caso em estúdio. Simples mas eficaz, assim vai Cartas da Maya – O Dilema dando bons frutos à estação de Carnaxide, depois de tantas apostas furadas naquele horário. 15/20

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LAÇOS DE SANGUE 

Último Episódio – 2 de Outubro de 2011

(Audiência da emissão – 16.2% de audiência e 37.8% de share)

Começou muito bem esta novela, que é uma co-produção da SIC e da TV Globo. Desde o primeiro episódio que a trama protagonizada por Joana Santos, Diana Chaves e Diogo Morgado conseguiu surpreender pela positiva. O grande destaque vai direitinho para a actriz que interpretou Diana. A sinopse da novela foi das melhores dos últimos tempos. O guião cativante e a história imprevisível conseguiam agarrar os telespectadores durante todo o episódio. Ao longo dos meses, a novela foi evoluindo. O problema foram os últimos quatro meses da história, que se resumiram às maldades da Diana e pouco mais. Metade do elenco já tinha saído da novela, muitas personagens já tinham finalizado o seu percurso. Percebe-se a medida da SIC, em esticar a trama. Acabou por se tornar em duas novelas dentro de uma só, não só pela estrutura como pela longa duração (mais de 300 episódios). Laços de Sangue foi a novela portuguesa mais bem-sucedida na SIC nos últimos anos, só superada pelo fenómeno Floribella. Ainda assim, o público continuou preso ao ecrã até ao derradeiro episódio. Os ‘ganchos’ no final de cada episódio eram um dos ingredientes principais desta receita de sucesso. Uma vitória além-fronteiras, que valeu a Laços de Sangue o Emmy Internacional de Melhor Novela. Um prémio merecido pela SIC, pela produção e pelos telespectadores, que fizeram com que fosse possível a realização e o respectivo sucesso da novela. 18/20